A idéia deste bate-papo informativo sobre os Projetos do Fla que envolvem a Nação surgiu mediante contatos quase diários via e-mail e MSN com o sempre solícito “baiano-carioca” Mário Cruz, Vice-Presidente de Planejamento do Flamengo. Ao lado de Alexandre Moraes (Diretor do PNRN) e mais toda uma obstinada equipe de profissionais, Mário mostrou-se bastante otimista quanto aos resultados que serão obtidos através dessa importante estratégia que o Flamengo está implantando para melhorar e ampliar cada vez mais a relação com o seu maior patrimônio: a maravilhosa Nação Rubro-Negra.
Fla RJ – Consagrado como o Mais Querido do Brasil desde o ano de 1927, por que somente agora se vê um movimento de aproximação do Clube com o seu apaixonado torcedor que não mora no Rio de Janeiro?
Mário Cruz - A idéia existe, de forma incipiente, desde 1995. Efetivamente, começou a tomar corpo a partir de um congresso sobre a Internet, realizado nas dependências do clube em meados de 2006. Lá começamos a vislumbrar que, através da Internet, teríamos condições de viabilizar uma maior interação com a Nação Rubro-Negra espalhada pelo Brasil e pelo Mundo. Em janeiro de 2007, durante a posse do presidente Marcio Braga para seu segundo mandato, o mesmo nomeou-me Diretor do Projeto Nação Rubro-Negra, com a incumbência de promover, através de diversos projetos e ações, uma total interação entre o Clube e sua torcida.
Fla RJ – Como o torcedor poderá ter acesso e até mesmo propor alguma sugestão no PNRN?
MC - Todos os projetos terão como suporte o Site da Nação Rubro-Negra, que será totalmente voltado para a torcida e onde a mesma terá real participação na elaboração do mesmo. Tão logo o mesmo esteja no ar, promoveremos o “I Congresso Virtual da Nação Rubro-Negra”, onde serão discutidas sugestões, posições e anseios da torcida, bem como informadas as ferramentas que poderão ser utilizadas e executadas pelos internautas na manutenção do Site.
Fla RJ - Como se dará o apoio institucional do Clube junto às Embaixadas da Nação?
MC - A partir do momento que tivermos o ato de criação assinado pelo presidente Márcio Braga (o que ocorrerá muito em breve), incrementaremos os contatos e remeteremos às mesmas uma relação de direitos e deveres e questionando-as se desejam ser nossas Embaixadas. As mesmas serão oficializadas através de um diploma e terão a chancela do Clube para diversas ações, tais como: tematizações dos espaços que ocupam, parcerias comerciais, promoções com a participação de jogadores/comissão técnica, ex-jogadores famosos etc.
Fla RJ - Quantas e quais são as Embaixadas já cadastradas no PNRN?
MC - Hoje, oficialmente, as mesmas ainda não existem. No momento, temos relacionados os diversos movimentos espontâneos que se transformarão em Embaixadas da Nação. Poderíamos citar várias cidades, no Brasil e no exterior, onde já detectamos tais comunidades. As primeiras a receber os diplomas serão Fla-Sampa, Fla-BH e Fla-Paraná. Depois teremos outras que também serão nomeadas, como a Fla-Lages e Fla-Brusque/SC, Fla-Juazeiro e Fla-Bahia, Fla-Fortal/CE, Fla-Porto Alegre/RS, Fla-Vancouver (Canadá), Fla-Acre, Fla-Cabo Frio/RJ, Fla-Tchecoslováquia (cidade de Praga), Fla-Cuiabá/MT, Fla-Santos/SP, Fla-Angola, Fla-Viçosa/MG, Fla-Macaé/RJ, Fla-Goiânia/GO, Fla-Piauí, Fla-Floripa/SC, Fla-Singapura, Fla-São Luis/MA, Fla-Aracaju/SE, Fla-USA, Fla-Nego/PB, Fla-Natal/RN, Fla-Maceió/AL, Fla-Minas, Fla-Sucre (Bolívia) e muitas outras que ainda serão identificadas com a ajuda de todos.
Fla RJ – O pioneirismo no esporte sempre foi uma característica marcante do Flamengo. E o exemplo mais recente é o elogiado trabalho desempenhado pelo Grupo Especial Alegria e Segurança nos Estádios (GEASE-Fla, criado pelo Ato da Presidência nº 010/2006) visando oferecer o máximo de segurança e conforto ao torcedor que vai ao estádio. Desde a sua criação, quais foram os avanços mais significativos e o que ainda precisa melhorar?
Alexandre Moraes – O projeto GEASE-Fla visa provocar a mudança na cultura hoje encontrada nos eventos de futebol nos estádios, tanto pelos hábitos do torcedor quanto, e principalmente, pelo comportamento dos prestadores de serviço. A primeira premissa do grupo foi entender como funciona a logística de um espetáculo de futebol e como se dá essa interação entre os prestadores e o cliente principal, que é o torcedor. Após 01 ano de observação, acreditamos que houve um avanço significativo no entendimento e no reconhecimento dos principais gargalos encontrados. A partir do envio dos relatórios dos jogos e do contato com a imprensa e com os órgãos responsáveis pelo evento, iniciou-se verdadeiramente o processo de mudança de paradigmas, primeiramente através de críticas, passando posteriormente a discussões e reflexões sobre o real papel de todos neste processo. Sabemos que todo processo de mudança é gradual, por serem necessárias quebras de conceitos arraigados. Mas, o entendimento de todos os envolvidos, de que o torcedor, visto hoje como cliente, é o protagonista maior do espetáculo, para o GEASE-Fla é um enorme avanço. A partir deste enfoque, as melhorias se farão continuamente. A melhoria desse processo virá através de ações mais efetivas de mídia, fóruns de debate e palestras junto aos prestadores de serviço e maior atuação da imprensa. O GEASE-Fla dará ênfase nos dois principais gargalos detectados: a compra de ingressos e a entrada e saída nos estádios.
Fla RJ – O fato de o Clube ainda não dispor do seu próprio estádio não dificulta esse trabalho, já que o Flamengo depende de terceiros para fazer cumprir os direitos previstos no Estatuto do Torcedor Rubro-Negro? Até agora, quais as maiores dificuldades encontradas?
AM - Certamente este é um empecilho considerável! Todas as nossas ações são precedidas de acordos e negociações prévias, sem contar que, devido à estrutura encontrada no Maracanã, muitos são os mandantes e gestores. Existem hoje vários guetos em alguns locais do estádio. Mesmo com as dificuldades encontradas, inerentes a qualquer estádio público, encontramos hoje na SUDERJ e nos órgãos prestadores de serviço, importantes aliados a este projeto.
Fla RJ – Uma pergunta que não quer calar: como andam (se realmente ainda estão em andamento) os projetos de Revitalização da Sede da Gávea e de construção da Arena?
AM - O projeto de Revitalização da Gávea não deixou de existir. O Flamengo aguarda uma definição do Estado quanto ao processo de licitação do Maracanã para melhor se posicionar sobre o assunto. Assumir a gestão do Maracanã e Revitalizar a Gávea são ações intrinsecamente relacionadas.
Fla RJ - Visando deixar o torcedor bem informado a respeito dos projetos e ações do Clube, foi criada a revista Fla Zine — distribuída pela equipe do GEASE-Fla e por voluntários nos jogos do time no Maracanã. Mesmo disponibilizada na internet (no site www.gease-fla.com.br), a Fla Zine contempla mais especificamente o torcedor carioca. Não seria o caso de também se pensar na volta da revista impressa do Flamengo, com circulação nacional e que fez tanto sucesso na administração Kléber Leite?
MC - O Marketing do Flamengo está trabalhando em cima desse projeto. Sabemos da importância da Revista do Flamengo e do sucesso que a mesma conseguiu. Em seu ápice, atingiu a marca de 95.000 exemplares por edição, o que se tornou um “case” no setor de esportes.
Fla RJ - O Flamengo realiza grandes ações na área social, como o Fla-Sesi, o Projeto Rio Carioca e outros no município do Rio de Janeiro. Há alguma possibilidade de se estender essas ações para outras regiões do país e com isso expandir o aspecto da responsabilidade social do clube, fortalecendo ainda mais a sua marca nacionalmente?
AM - Sem dúvida. O projeto Fla-Sesi prevê sua expansão para todo o território nacional. Hoje, das 23 unidades do Sesi existentes no Rio de Janeiro, temos 11 unidades do Projeto Fla-Sesi em funcionamento. Se levarmos em consideração que existem 413 unidades do Sesi em todo Brasil, com certeza atingiremos esse objetivo.
Fla RJ - Cada vez mais se percebe o fortalecimento de um projeto orquestrado por alguns clubes paulistas no intuito de querer ultrapassar o Flamengo na preferência nacional. Mesmo sabendo que isso não passa de uma grande falácia, não seria o caso de o CRF encomendar a sua própria e ampla pesquisa (de preferência em todos os municípios brasileiros) com um Instituto de credibilidade para que toda essa ridícula pretensão seja enterrada de uma vez por todas e o real tamanho da Nação não seja tão subestimado?
MC -Conforme você mesmo diz, trata-se de uma grande falácia. Como bem comentou nosso presidente em recente programa de televisão, uma torcida apaixonada como a nossa nasce de fora para dentro. O que pretende o São Paulo é bastante utópico. Temos um sonho em relação a mensurarmos nosso verdadeiro tamanho e vamos tentar realizá-lo. Já imaginou conseguirmos que o IBGE inclua em seu Censo a pergunta: time pelo qual torce? Seguramente teríamos uma real dimensão da Nação Rubro-Negra, que como você, também considero bastante subestimada.
Na próxima semana tem mais. SRN e até lá, se Deus quiser!