BONS TEMPOS...
Vamos aos fatos: quando comecei nesse negócio de Flamengo corria o ano de 1953 e o treinador chamava-se Freitas Solich, um paraguaio que jogara futebol em sua seleção e depois, como treinador, venceu o Brasil na final e conquistou o Sul-americano e 1953.
O Flamengo o contratou e foi aquele sucesso: Mengão Tri-campeão pela segunda vez! E já esperávamos 8 anos “na fila”! Depois veio Flavio Costa, medíocre jogador rubro-negro e de grande experiência como treinador, inclusive com passagens na Seleção Brasileira.
Com Armando Renganeschi arrancamos um campeonato Carioca que ninguém imaginava em 1965, com um time modesto, mas lutador e no qual despontava Almir, o Pernambuquinho. No ano seguinte fomos vice numa final contra o Bangu onde nosso goleiro estava “comprado” pela máfia do jogo do bicho!
Nessa final o pau “quebrou geral” e Almir acabou com o jogo, enfrentando na porrada 5 ou 6 adversários! O jogo acabou ali! Eles ganharam no roubo, mas não teve volta olímpica, Almir não deixou!
Um pouco mais prá frente (1969) fomos dirigidos por Elba de Pádua Lima, o famoso Tim, estrategista dos maiores e capaz de virar um jogo no intervalo! No meu conceito um dos maiores de todos os tempos!
Yustrich fez história, com seus conhecimentos, mas principalmente por sua truculência, tinha total domínio sobre o time e ai daquele que não obedecesse...
Zagalo foi outro grande nome a dirigir o Flamengo. Atleta do Clube, tri em 53/54/55 e depois voltou várias vezes como treinador, como na decisão contra o Vasco, naquele gol Santo de Petkovic que os Rubro-Negros jamais esquecerão! Bola na gaveta, Helton de esticando... Gol do Mengão! E o título!
Cláudio Coutinho dispensa comentários, revolucionou o futebol do Flamengo e quando se foi, num mergulho mal sucedido, deixou saudades...
Carpegiani é outro que marcou seu nome: Foi grande meio-campo e logo que largou as chuteiras assumiu o time para se tornar campeão sul-americano e mundial, além do Brasileiro de 1982.
E quem não tem saudades do Carlinhos? Craque exemplar, disputou 512 jogos como atleta e depois, como formador de craques, lapidou inúmeros que fizeram sucesso coma camisa do Flamengo. Como treinador do time principal ganhou tudo e até hoje é lembrado, “puxa, esse time nas mãos do Violino ia muito longe”!...
Telê Santana dirigiu o Flamengo de outubro de 1988 até setembro de 1989 e, tempos depois, chegava à Gávea Vanderlei Luxemburgo, obscuro lateral esquerdo reserva de Junior, mas que como treinador é hoje o sonho de consumo de todo Rubro-Negro de bom gosto!
Nosso último grande treinador chama-se Joel Natalino Santana e, como bom rubro-negro, nos tirou de muitos “sufocos” e nos deu imensas alegrias! Vocês já pensaram o Flamengo na segunda divisão???
No meio de tantos excelentes treinadores deixei de citar Evaristo, Joubert, Paulo Autuori...
Qual o motivo do meu choro?... Não, não estou chorando, não, é que me deu uma tristeza imensa ao olhar o nosso banco de reservas... Estou lembrando dos grandes treinadores que tivemos! Muitos títulos conquistados, “zoação” total com o “arco-íris”, a alegria de ir ao Maracanã para ver o time vencer e convencer.
Agora e nos contentarmos com o que temos ( ou não temos!) e torcer para que uma Luz celestial baixe sobre nossos dirigentes e que eles façam a escolha certa e nos permitam voltar a sorrir!
Porque hoje está difícil ver jogos do Flamengo sem se aborrecer...
COLUNA digitada em homenagem aos grandes treinadores que tivemos! Saudade dos bons times armados com jogadores modestos, mas que sabiam honrar o Manto Sagrado! Bons tempos...
Sidney Bastos é jornalista/professor e escreve para o site as sextas-feiras
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