segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Com que Fla nós vamos em 2011
Finalmente acabou este ano. E era um ano em que tínhamos ótimas perspectivas, pois terminávamos o ano como campeões brasileiros, havia a chegada do Vagner Love, íamos disputar a libertadores, contávamos com a presença do Andrade, Adriano e Petkovic, um trio decisivo na conquista do hexa. Tudo isso fazia o torcedor rubro-negro abrir o sorriso duma orelha a outra. Sei que o título da libertadores era difícil mas esperava um melhor papel do Flamengo nessa competição, não as partidas pífias que fizemos. E ainda lembrando que passamos para fase eliminatória por uma conjunção de resultados. Talvez a única coisa positiva deste ano tenha sido eliminarmos o Corinthians do Ronaldo logo nas oitavas. Mas toda aquela boa perspectiva foi jogada no lixo por conta da eleição da Patrícia Amorim e suas péssimas decisões. Aliás, Patrícia Amorim é só mais uma administração ruim na vida do Flamengo. Podemos dizer que ela tinha tudo na mão para fazer um bom trabalho no Flamengo mas ela preferiu andar para trás, tanta na prática da política suja ao proteger seus apoiadores e deixar o Zico sozinho, bem como na hora de destruir as boas ideias de marketing que haviam sido iniciados no curto período do Delair Drumbosk à frente da presidência.
Mas, críticas à parte, vou torcer para que ela acerte a mão este ano porque simplesmente não consigo torcer contra o Flamengo, nunca. Não boto muita fé no Luxa como técnico, mas aposto muito que ele possa contribuir para o Flamengo na questão estrutural e organizacional. Nesses pontos parece que o Luxa não perdeu a mão. Também temos que lembrar que o Luxa por pior fase que esteja é um técnico que ainda tem algum respeito e respaldo no mercado. Não é a toa que algumas especulações de nomes que surgem no Flamengo tenham um dedo da Traffic.
O fato é que títulos serão sempre bem vindos mas se eles não acontecerem e todavia consigamos terminar nosso CT e também ao menos consigamos iniciar uma estrutura mais profissional para o nosso futebol, creio que o ano de 2011 não terá passado em branco como aconteceu com 2010.
Espaço para base
O Flamengo realmente está determinado a montar um time mais jovem e acho isso salutar. Só lamento que a juventude venha de fora e não seja retirada de nossa fonte, que é a base. Aliás, a base é outro ponto que precisa ser mais bem trabalhado em 2011. Não entendo como as promessas do Flamengo não vingam e nos outros clubes elas se concretizam até com certa facilidade. Por exemplo, faz tempo que ouvia falar que o Santos tinha um garoto muito bom que logo estouraria e de fato aconteceu (Neymar). No Flamengo eu também já tinha ouvido falar de Camacho, Erick Flores e Mezenga. Pergunto o que aconteceu com essas promessas? Obviamente há uma falha na passagem da base para o profissional e volto a dizer que trabalho na base não é ganhar títulos, mas sim prover bons jogadores para o time principal. E isso é feito trabalhando bastante os fundamentos de cada posição e colocando um pouco de juízo na cabeça dessa molecada. Mas os caras se preocupam tanto em ganhar títulos, fazendo treinamentos específicos para ganhar esse título, que acabam esquecendo o fim principal da base de todo clube. O resultado é que vemos no profissional meio campistas errando passes de 5 metros ou laterais cruzando bolas atrás do gol ou zagueiros que não sabem se posicionar corretamente numa bola parada, sem falar no despreparo emocional da garotada. Parece que toda promessa do Flamengo chega ao profissional com a ideia fixa de que ele é que é o salvador da pátria. E isso os atrapalha muito.
Espero que o Luxa esteja atento a essa falha e reoriente os profissionais da base a forçar nossos garotos a trabalhar fundamentos e também que ele coloque alguém para trabalhar a cabeça deles. Acho que assim a base pode ganhar títulos, mas eles virão em consequência. E se não vierem, também não importa. O que importa é o garoto chegar ao profissional com uma cabeça boa para jogar e bem preparada na parte técnica.
Mudando as caras
Temos que ter cuidado com a palavra renovação. Não adianta nada tirar o Léo Moura para fazer experiências. Tem que ser alguém que venha para ser titular. Não adianta mandar o Williams para o Santos (ou São Paulo ou Inter) e botar um jovem da base para suportar esse peso. Enfim, apóio a reformulação do elenco, desde que não haja um enfraquecimento do Flamengo com a chegada de apostas (embora eu pessoalmente acredite que toda contratação seja uma aposta) ou jovens pressionados a resolver.
Embora eu preferisse o Cavalieri, sem dúvida Felipe é um bom goleiro. Bastante técnico, fazia defesas impressionantes na época do Corinthians e não perde em nada em relação ao Bruno. E aí que reside o problema porque também na parte comportamental o Felipe é meio complicado. No Corinthians ele arrumou confusão com dirigentes, brigou com a torcida e parece que andou até agredindo uma namorada. Isso não é bom dado o recente trauma que passamos com o Bruno. Por isso eu disse que preferia o Cavalieri. Mas o Flamengo ganha com um goleiro que já sabe o peso de vestir uma camisa de um clube de massa. Não será insegurança que o atrapalhará no Flamengo, como vimos acontecer com o Lomba.
O argentino Bottinelli eu nunca tinha ouvido falar. Torci para que o Flamengo acertasse com o Formica que este sim, eu já ouvi falar de um bom tempo para cá e pelo pouco que ouço do campeonato argentino, parece ser um diferenciado. Mas mais uma vez não vou julgar o Bottinelli antes de vê-lo jogar e sem esperar ao menos um bom tempo. Tomara que a torcida tenha a mesma consciência e lembro que o primeiro ano do Conca no Brasil (no Vasco) não foi nada demais. Ele só cresceu depois que se adaptou ao Rio. Por outro lado Montillo chegou e já mostrou o ótimo futebol que mostrava no time chileno. Enfim, não tem receita pronta. O jeito é trazer o bom jogador e tentar dar todas condições e tempo para que ele se adapte e desenvolva o bom futebol que o credenciou a chegar num grande clube.
Até agora o resto é só especulação. Os mais certos parecem ser o meia Vander do Bahia e o zagueiro João Felipe do Figueirense. Sobre estes não posso falar nada porque não os vi jogar. Ainda falta o lateral esquerdo e pessoalmente não gosto da ideia do Júnior Cesar. Para mim ele não é melhor em nada do que o Juan. Aliás, ele é reserva no time que o Juan provavelmente vai ser titular em 2011. Marcelo Cordeiro também não seria nada demais e acho que ele já até acertou com o América de Minas.
O Ronaldinho Gaúcho seria bastante bem vindo não só pelo aspecto técnico mas também para dar uma mexida na torcida. O Flamengo do segundo semestre padeceu com a falta de ídolos. As ausências de Bruno, Love, Adriano e Petkovic (que na verdade nem parece ter jogado em 2010) foram bastante sentidas. Gaúcho, se chegar ao Flamengo, pode até não dar em nada, mas sem dúvida ele vai ser o jogador que vai ser referência para a torcida.
No mais é esperar o que pode acontecer. Todo dia aparece um nome novo e não dá para comentar assim encima de tanta especulação. Eu volto a dizer o que já tinha dito: antes de bons nomes, quero ver o Fla em 2011 funcionando dentro de campo, ganhando os jogos e consequentemente conquistando os títulos.
Desejo aos amigos um ótimo ano novo e tudo de bom em 2011.
Abraços a todos, boa semana e saudações Rubro Negras