Amigos rubro-negros, não estranhem o título da coluna. Ao contrário dos que dizem para esquecermos 2010, acredito que podemos e devemos transformar este péssimo ano num ano de aprendizado, tirando as lições vividas, para que não tenhamos que sofrer tantas decepções como tivemos nestes 12 meses.
Em gestão de projetos, o registro de lições aprendidas é uma técnica muito importante para que nos próximos projetos não repitamos os erros cometidos nos projetos anteriores. Pois bem, se tem uma coisa que não podemos reclamar de 2010 é o número de lições aprendidas, ou que deveriam ter sido aprendidas; alguém certamente irá comentar que muitas destas lições já tivemos em anos anteriores e nem por isso deixamos de repetir estes erros. Concordo, mas não custa ser um pouco otimista e acreditar que desta vez saberemos extrair dos erros cometidos as lições para não mais repeti-los.
Transição Administrativa
Uma questão muito importante e que não tem a atenção que merece é a transição administrativa no clube. Vejamos a cronologia dos eventos para entender melhor o conflito de datas existentes.
O último jogo da temporada de 2009 ocorreu em 06/12/2009; a eleição para presidente, que elegeu Patrícia Amorim, ocorreu em 07/12/2009; ela tomou posse em 04/01/2010 e o elenco se apresentou para a pré-temporada em 07/01/2010.
Como não poderia ser diferente, pois não se sabia quem ganharia as eleições, a gestão anterior com Delair Dumbrosck e Marcos Braz não planejou o futebol para 2010. Reparem que nos clubes mais organizados, em setembro começam os trabalhos neste sentido, discutindo renovação de contratos a se encerrar, eventuais dispensas e contratações.
Mesmo tendo mantido M Braz como vice de futebol, não tivemos tempo adequado para planejar o ano de 2010, o que na minha opinião foi determinante para o desempenho que tivemos.
Como lição aprendida, sugiro que as eleições no clube ocorram em outubro para que dê ao menos dois meses para a candidatura vencedora possa ter tempo suficiente de planejar o ano seguinte.
Disciplina
Provavelmente ainda cegos pela euforia que tomou conta do clube no final de 2009 com o hexacampeonato brasileiro, nosso início de ano foi caótico no que diz respeito à disciplina dos jogadores e permissividade da diretoria e comissão técnica.
Para refrescar a memória dos mais esquecidos, o Adriano se apresentou com a mesma bolha no pé que o impediu de participar do nosso penúltimo jogo do Brasileiro de 2009, contra o Corinthians; o Pet se apresentou com mais de 10 dias de pré-temporada.
E o que falar do Carnaval das nossas ”estrelas”? E o barraco da Chatuba?
Tanto a direção do clube quanto à comissão técnica acreditaram que o time poderia ganhar a qualquer momento, sempre que quisesse. Definitivamente não foi o que aconteceu: perdemos um estadual fácil para o limitado time do Botafogo, talvez o mais fraco dos 4 anos que disputamos contra eles; nos classificamos no sufoco na primeira fase da Libertadores e fomos eliminados desta competição por um time de segundo escalão, como a LA U.
Reposição de Jogadores
Certamente o insucesso no estadual e na Copa Libertadores não foi exclusivamente devido à indisciplina dos jogadores. Não soubemos repor à altura jogadores importantes da campanha do título de 2009, como Airton, Zé Roberto e Everton 22. Sem dúvidas, por causa do pouco tempo para planejar, das contratrações efetuadas no início da temporada, Fernando, Rodrigo Alvim e Michael e V Love, apenas este último disse ao que veio.
Resumindo, perdemos jogadores importantes, outros não menos importantes que ficaram não exibiram o mesmo desempenho do ano passado, como Juan, Maldonado, Adriano e Petkovic, e os que chegaram pouco agregaram.
Mudanças Gerenciais
Como se não bastasse a falta de planejamento, a indisciplina dos jogadores e o insucesso das contratações, as mudanças gerenciais do futebol foram mal realizadas pela presidente Patrícia Amorim.
Num primeiro momento, ela optou por manter M Braz, ligado a uma corrente política diferente do que a apoiava por entender que pelo pouco tempo que tinha de planejar não havia porque mudar uma equipe que vinha dando certo.
Na época até achei razoável, mas com o tempo esta opção se mostrou catastrófica. M Braz começou a ser minado pela corrente política que apoiava a presidente. Ele, por sua vez, se perdeu totalmente entre a permissividade com parte do elenco e autoritarismo com outra parte do elenco.
Ou seja, com menos de 3 meses de trabalho já não havia clima para continuar. O que deveria ter ocorrido ao final da Taça Guanabara, no final de fevereiro, quando já havia casos suficientes de cisão dentro do Departamento de Futebol ocorreu somente no final de abril após a perda do estadual e a classificação sofrida para a segunda fase da Libertadores.
Como se não bastasse a demora em tirar o M Braz, ao fazê-lo não tinha substituto. Sabe-se que já negociava com Zico, mas mesmo assim deveria ter designado um novo vice de futebol, mesmo que temporário.
Naquele momento pouco se poderia fazer em relação à Libertadores, mas muito poderia ser feito com relação ao Brasileiro, pois já se sabia que Adriano e V Love dificilmente ficariam e Petkovic não mais era a referência do nosso meio-de-campo. Neste período, final de abril à meio de junho quando o Zico assumiu, perdemos Emerson e Montillo, jogadores com os quais poderíamos mudar a nossa história no Brasileiro de 2010.
A gestão Zico acredito que ainda esteja na memória da maioria. Também minado pelo grupo político da presidente e enfraquecido por esta, Zico pouco pôde fazer, senão contratações às pressas, de jogadores longe da forma física ideal e que nada renderam até o final do ano.
Técnicos
Além dos problemas de gestão do clube, do baixo desempenho de nossas “estrelas” e das contratações ineficazes, nossos técnicos pecaram em demasia.
Começando por Andrade que perdeu totalmente o controle do grupo ao ser omisso na questão da disciplina de 5 ou 6 jogadores. Como escrevi acima, acreditou que estes resolveriam a parada na hora da decisão, mas ficou na mão e sem o emprego.
Substituído por Rogério que começou razoavelmente bem, mas sofreu depois da parada na Copa do Mundo. Primeiro pelo escândalo com o Bruno, que inegavelmente abalou todo o grupo, depois por se ver forçado a escalar jogadores de ataque recém chegados como Val Baiano, Borja e Renato, visivelmente sem condições físicas. Entregou o time em décimo lugar após ficar entre os seis melhores por algumas rodadas.
Silas foi a grande decepção. Na realidade, a sua contratação foi o grande erro do Zico. O time precisava de técnico experiente naquele momento e apostar em Silas era um grande risco. Os números mostram o fracasso de sua passagem pela Gávea.
Wanderley Luxemburgo chegou com tudo, levantou o moral do time, motivou e obteve bons resultados nas primeiras 4 ou 5 partidas, mas se perdeu ao querer inventar, como por exemplo querendo escalar três atacantes, quando tínhamos apenas um em condições. Mal ou bem, conseguiu livrar o time do rebaixamento, contando com a incompetência dos demais, e agora tem a oportunidade de montar o elenco a seu gosto.
Contratações Emergenciais
Mais uma vez não aprendemos com relação às contratações. Não adianta querer montar elenco no meio de um campeonato longo e equilibrado como o Brasileiro. A janela européia deve ser aproveitada para trazer um ou dois jogadores, nas chamadas contratações cirúrgicas, como as de F Luciano e Ibson em 2007, que nos levou à Libertadores quando ninguém acreditava, e de Álvaro e Maldonado em 2009, que nos levou ao título quando também ninguém acreditava.
Neste ano, repetimos o erro de 2008. Naquele ano trouxemos uma penca de “reforços” como Josiel, Sambueza, Marcelinho Paraíba e cia que nada renderam. Este ano trouxemos Jean, Deivid, Diogo, Correa, Marquinhos e Renato Abreu com o mesmo resultado.
Bem, vamos nós para mais uma temporada e como não poderia deixar de ser, querendo ser otimista com relação ao time. Na próxima semana, tratarei do nosso elenco, quem pode e deve sair e nossas posições mais carentes.
Saudações rubro-negras