A Dança das Cadeiras
Amigos rubro-negros, esta época do ano é muito chata no futebol com muita especulação sobre quem sai, quem fica e quem vem. São questões importantes para a próxima temporada, que todas os torcedores esperam ser respondidas, mas que somente no início de janeiro teremos a definição.
É inegável que nosso time precisa de uma agitada, porém sou cético numa mudança radical no nosso elenco. Primeiro por não termos recursos para contratar um novo time no nível que merecemos; depois, porque você partir do zero leva tempo para montar uma equipe.
Mesmo com o fracasso deste ano, ainda defendo uma mudança não tão radical no que tange a nomes, trazendo dois ou três jogadores para serem titulares e montar o restante do time e do elenco com o que já temos. O foco deve ser qualidade não qualidade.
Um outro ponto importante a se refletir antes de ir às compras é a relação custo-benefício do jogador. Por custo devemos entender não apenas os seus salários, como também o seu perfil fora e dentro do clube. Um bom exemplo é a situação envolvendo Fernando e Toró. Apesar de gostar muito mais do Toró do que o Fernando, a pedida do salário do primeiro foi bem maior do que a do segundo, sem contar que o seu comportamento fora de campo deixou muito a desejar, prova disto foi a sua protuberante barriguinha ostentada durante a temporada. Pagar o que o Toró pediu para um volante que jogava menos da metade dos jogos não é uma boa relação custo-benefício. Quanto ao Fernando, mesmo pedindo menos que o Toró, também não renovaria com ele. Para jogar meia dúzia de partidas no ano, prefiro apostar em Lenon e Antônio, dois jogadores vindos da base.
Radical mesmo deve ser a mudança de mentalidade dos nossos jogadores principalmente no que se refere à parte física, pois é inadmissível ver nossos “atletas” se arrastando em campo. Neste aspecto, com exceção do Petkovic já nos seus 39 anos, acho uma tremenda desculpa o fator idade. Atualmente, com todo o progresso da fisiologia do esporte, jogadores com 32 ou 33 anos podem muito bem ter um alto desempenho na parte física. Para tal, basta dedicação nos treinos e comportamento compatível com a profissão.
No elenco atual, muitos jogadores já deram o que tinha que dá, mas em função de duração do contrato e alto salário, fica difícil negociá-los. Para exemplificar, cito apenas dois: Kleberson e Val Baiano, que naquela relação custo-benefício não compensam.
Por outro lado, dois dos nossos melhores jogadores na temporada tem que ficar no clube, a menos que surjam propostas irrecusáveis. Leonardo Moura e Williams foram os únicos a se salvar e devem servir de base para o time de 2011.
Com relação aos reforços, prefiro apontar as posições mais carentes do que ficar conjecturando nomes. Temos que ter em mente que a situação financeira do clube não nos permite altos voos e que qualquer contratação requer muita criatividade. Além disso, devemos estar cientes que nomes que brilham em outros times, ao vestir a camisa do Flamengo com toda a pressão e mística que a cerca, não rendem o que rendiam.
Bem, vamos então à polêmica. Na minha opinião, a posição mais carente do time é o setor de criação. Temos alguns bons jogadores na posição e outros razoáveis para compor o elenco, porém não temos alguém que pensa o jogo, aquele autêntico camisa 10. Resumindo, podemos ter os 99% de transpiração, principalmente com Williams e Renato Abreu, mas não temos o 1% de inspiração. Desta forma, não há ataque que faça gol.
Depois do setor de criação, a posição mais carente é a zaga, especificamente um zagueiro que jogue pela esquerda. Pela direita, Wellinton ou David podem dar conta do recado, ms pela esquerda esta sofrível. Precisamos de um zagueiro alto, veloz e experiente. Pouco né!!!???
A terceira posição mais carente é o ataque. Teoricamente temos Deivid, Diogo, Diego Maurício e Val Baiano. O primeiro, precisa provar que ainda consegue jogar em alto nível; vamos ver como será a sua pré-temporada para torcer que renda o que não rendeu. O segundo também não rendeu e ainda mais tem o agravante do seu empréstimo terminar no meio do ano, ou seja, não podemos depender dele, pois se jogar bem será valorizado e terá mercado na Europa e se não render não nos interessa pela relação custo-benefício. Diego Maurício foi nosso melhor atacante no segundo semestre, mas além de ter compromissos pela seleção sub-20 não considero prudente depositar todas as esperanças num jogador de 19 anos ainda em formação. Com relação ao Val baiano, prefiro não tecer comentários. Lógico que sempre torço para qualquer jogador que vista o manto sagrado, mas não podemos esperar ganhar na mega-sena.
Depois do homem de criação, da zaga e do atacante, duas posições merecem atenção: goleiro e lateral-esquerdo. No gol, na qual muitos consideram nossa principal carência, acredito que reforçando as três posições que considero prioritárias, a importância do goleiro diminui.
Na lateral-esquerda, com a quase certa saída do Juan precisamos de reforço, pois Rodrigo Alvim não tem velocidade para exercer o papel que se exige de um lateral atualmente. Esta posição é uma das mais carentes no futebol brasileiro, vide a dificuldade de termos um titular absoluto na seleção brasileira. Egídio pode ser uma boa opção, mas a paciência da nossa torcida com jogadores novos é muito curta, o que prejudica o aproveitamento de jogadores.
Agora só nos resta aguardar o desenrolar das negociações. Como disse acima, mais do que nomes indo ou vindo, o mais importante é que o clube amadureça e aja com profissionalismo para que possa cobrar dos jogadores o mesmo comportamento.
Saudações rubro-negras