Amigos rubro-negros, a novela Pet se arrasta e pelos últimos capítulos me ariscaria a dizer que caminha para um triste final, pelo menos para a grande maioria da torcida que gostaria da permanência do sérvio.
Não gostei da entrevista dele divulgada no último domingo pelo LANCE. Não gostei principalmente por considerar totalmente inoportuna uma entrevista desta de um profissional ainda contratado por uma equipe no meio de uma competição, uma não, mas duas competições. Com relação ao teor da entrevista em si, na minha opinião os seguintes pontos merecem reflexão :
- O Pet reconhece que saiu no meio do Fla x Flu sem falar que iria voltar, ao contrário do que dissera no dia seguinte ao clássico quando informou que daria voltas de carro pela Tijuca e se necessário voltaria para o anti-doping;
- O Pet reclama do Andrade de ter comentado em entrevista que ele estava arredio e mais afastado do que no passado, dizendo que roupa suja se lava em casa, mas o mesmo Pet na entrevista colocou muita coisa no ventilador;
- O Pet erra em fazer críticas genéricas sobre dirigentes do clube contratante. Este tipo de afirmação não leva a nada. Se é para criticar deve citar nome e sobrenome;
- O Pet tem razão em se surpreender com um dirigente externar privilégios dentro de um grupo;
- O Pet se contradiz ao afirmar que é profissional e faz tudo correto, mas teve o privilégio de poder se apresentar na pré-temporada uma semana depois dos demais;
- O Pet tem razão em reclamar das constantes substituições, alegando que ele é o único que não pode jogar mal.
Como não poderia deixar de ser, o mesmo jornal / portal entrevistou o vice de futebol, Marcos Braz. Nesta entrevista, ao meu ver, os seguintes pontos merecem destaque :
- Soube contemporizar ao não vestir a carapuça sobre as críticas do Pet aos dirigentes do Flamengo;
- Reconheceu que faltou experiência no episódio com o Pet no Fla x Flu;
- Reconheceu que a palavra “privilégio” poderia ter sido economizada ao falar do tratamento diferenciado ao Adriano e V Love.
As reações no clube foram no sentido de amenizar qualquer tentativa de nova crise, ou seja, ninguém jogou lenha na fogueira. Desde a presidente até os jogadores, todos tentaram não polemizar dizendo entender o momento pelo qual passa o jogador.
A diretoria agiu corretamente ao manter a reunião sobre a renovação do contrato para o dia seguinte ao da entrevista do jogador, formalizando os mesmo valores anteriormente propostos com o objetivo de não sinalizar qualquer tipo de retaliação.
Como não poderia deixar de ser, o procurador do jogador manifestou que a proposta está baixo das expectativas do jogador. Nada se poderia esperar diferente. Faz parte da negociação que a contratante informe que os valores estão no limite e o contratado que está abaixo do que deseja.
Com relação a isto tudo, minha análise é de que:
- O passado de um jogador no clube serve como memória, como história e como reconhecimento, mas não pode gerar uma estabilidade para o mesmo;
- Numa gestão profissional, o parâmetro que deve nortear a oferta salarial é o que o profissional pode gerar no futuro não o que gerou no passado. Se conquistou títulos no passado, se alcançou suas metas, o profissional deve ter sido recompensado com salários e prêmios;
- Acho correto não se fazer um contrato superior a um ano com um atleta de 38 anos. Uma opção seria fazer um contrato de um ano, com renovação automática em caso de interesse entre aas partes;
- É perfeitamente normal o procurador/empresário de jogador querer maximizar seus ganhos..
- Por outro lado, também acho certo, o clube respeitar seu orçamento e manter sobre controle a folha salarial, garantindo os salários em dia sem comprometer verbas do próximo ano e sem engenharias financeiras;
- A contratação do Pet não foi feita por critérios técnicos, apenas por renegociações de dívidas que ameaçavam o clube de penhoras que prejudicaria todo fluxo de caixa do segundo semestre do ano passado;
- O Pet é craque e mesmo nesta idade pode ser útil ao time;
- Não concordo com a beatificação do Pet que parte da torcida está fazendo, como se não conhecêssemos o seu temperamento. Praticamente em todos os clubes pelos quais passou, além de na seleção do seu país de origem, ele teve problemas de relacionamento;
- Por ter nível cultural muito acima da média do meio futebolístico, o Pet pode, mesmo que sem intenção, intimidar dirigentes, técnicos e jogadores;
- Desde o final do ano passado, o Pet não vem jogando bem. Não sei se a causa foi o cansaço físico de final de temporada, ou uma marcação mais rígida, ou o excesso de eventos extra futebol em que teve que comparecer, ou um excesso de preciosismo nas jogadas, ou uma combinação de duas ou mais destas causas;
- Nesta temporada, desde a reapresentação tardia, com o aval da diretoria, sua postura se alterou, mostrando-se irritadiço e irônico com repórteres;
- Não acredito que o Andrade esteja premeditadamente barrando Pet por orientações da diretoria.
- Pet precisa pegar ritmo, e isto somente com uma sequência de jogos, jogando mal ou bem, por pelo 70 minutos por partida;
- Minha percepção é de que o problema maior não foi com diretoria ou técnico, mas com o restante do grupo. Não me convence nenhum jogador ter vindo à público defender o jogador ou pedir a sua reintegração após o afastamento do Fla x Flu. Apenas declarações politicamente corretas;
- Acho que a entrevista do Pet aumenta muito o seu desgaste interno, praticamente inviabilizando a sua permanência.
Bem, como num jogo de xadrez, os lances estão sendo dados estrategicamente. Neste aspecto, a diretoria colocou o sérvio em xeque ao colocar uma proposta formal de contrato, inclusive com aumento salarial. Seria leviano acusá-lo de estar negociando com o patrocinador do Fluminense, mesmo sendo público que esteve no camarote desta empresa para assistir um jogo no Maracanã, mas o Pet agora terá que demonstrar se quer realmente encerrar sua carreira no clube.
Espero apenas que dirigentes pensem no melhor para o clube, sem qualquer tipo de rancor que possa prejudicar a efetivação da renovação e que estas negociações não atrapalhem o time num momento muito delicado da temporada com as finais do estadual e o afunilamento da Libertadores.
Vocês, o que acham ?