Amigos rubro-negros, de volta de umas férias forçadas na nossa coluna semanal, motivadas por motivos profissionais, nos deparamos com o início do maior desafio do ano. Nada mais nada menos que a disputa do melhor campeonato nacional do mundo, o único em que existem ao menos oito equipes como candidatas reais ao título e um equilíbrio muito grande entre os participantes de modo que uma derrota de uma destas equipes “favoritas” para qualquer outra não deve ser considerada uma grande zebra.
Como sempre faço ano a ano, com critérios como elenco, técnico, estrutura, camisa, força da torcida e cultura nos pontos corridos, coloco Flamengo, Fluminense, São Paulo, Corinthians, Santos, Cruzeiro, Internacional e Grêmio como reais candidatos ao título. Prova disto é que nos oito anos de disputa do campeonato por pontos corridos, o campeão sempre foi um destes oito clubes e somente em duas oportunidades, em 2004 com o Atlético-PR em segundo lugar e em 2005 com o Goiás em terceiro lugar, as três primeiras posições no campeonato não foram ocupadas por um destes oito clubes.
É lógico que qualquer uma das outras doze equipes, principalmente os quatro outros grandes, Vasco, Botafogo, Atlético-MG e Palmeiras, podem chegar junto, mas ainda as coloco num patamar abaixo do G8 do futebol brasileiro
Um dos pontos críticos de sucesso neste campeonato tão longo e tão equilibrado é o fator campo. Ganhar jogos em casa é quase que obrigação para quem quer disputar o título. Neste sentido, Flamengo, Fluminense e Cruzeiro saem um pouco atrás das outras cinco equipes por terem suas “casas” fechadas para obra. Sem Maracanã e Mineirão, estas três equipes vão ter que se desdobrar para compensar esta desvantagem.
PROJETO
Chegamos à metade dos campeonatos que disputaremos este ano. Podemos dizer então que chegamos à metade do Projeto 2011 como gosta de dizer nosso técnico.
Na cultura de projetos, devemos, portanto, ligar o alerta amarelo para nosso desempenho. Se conquistamos um campeonato com os pés nas costas, saindo de forma invicta, mas sem convencer, fomos eliminados do outro por uma equipe de segunda escalão do futebol brasileiro, com todo o respeito que a equipe cearense merece.
Não gosto de tirar conclusões baseando-me apenas em resultados, pois no esporte eles nem sempre refletem a realidade de um trabalho. Antes que os corneteiros de plantão se animem, defendo a continuidade de projetos primeiro porque, salvo situações específicas de perda de comando, defendo que um planejamento feito seja cumprido e uma vez executado seja, aí sim, avaliado.
O fato de defender a continuidade não significa, em hipótese alguma, que ache que tudo esteja às mil maravilhas. Se por um lado, os trinta minutos de bom futebol apresentados no início da última partida contra o Ceará nos deu esperanças de um bom time de futebol, os demais sessenta minutos da mesma partida expuseram de uma forma definitiva nossas fraquezas. Como em todo o projeto, o planejamento deve ser constantemente revisado com base no desempenho observado e ajustado para que cumpra o seu objetivo.
Está claro desde o início que o objetivo principal do Projeto 2011 é colocar o Flamengo na Taça Libertadores de América em 2012. A porta da Copa do Brasil, talvez a menos difícil, já se fechou; restam duas : a da Copa Sulamericana e a do Brasileiro.
Portanto, diretoria e comissão técnica, mãos à obra.
ELENCO
Como 99,99% dos torcedores falam e a própria mídia confirma, é evidente que precisamos de um zagueiro, um lateral esquerdo e um atacante. Se todos falam nisso, não serei eu que ficarei contra reforços nestas posições.
Na minha modesta opinião, além das carências acima nos faltam duas outras coisas, importantíssimas para transformar um bom elenco num bom time. Primeiro, nos falta um líder, um xerife para gritar em campo e segurar o time nos momentos de pressão. Para vocês terem uma noção do que estou falando, nosso capitão é o Ronaldinho Gaúcho que não chega a ser um líder num conceito mais amplo. Se tivéssemos um cara destes, duvido que levaríamos aqueles dois gols do Ceará.
Uma segunda carência que vejo no time, mas não ouço seja na mídia seja na torcida, é no meio-de-campo. Precisamos de jogadores de meio-de-campo, ou seja, jogadores que saibam jogar com e sem a bola. Em jogos mais equilibrados, como serão todos neste Brasileirão, não acredito que Williams e Renato Abreu sejam suficientes para dar conta do setor. Acho prematuro assumir que o Botinelli conseguirá fazer este duplo papel de marcar e encostar no ataque. Não me parece o estilo dele e uma adaptação requer tempo e preparo físico diferenciado, o que por sua vez exige tempo.
ÁLBUM DE FIGURINHAS
Como nesta época a maioria gosta de escalar o seu time preferido, vou brincar também de álbum de figurinhas para este Brasileirão. Não chega a ser o meu time dos sonhos, mas entendo ser um time viável a curto prazo em se montar.
Vamos lá : Felipe, Léo Moura, Juan, David Bráz e Junior Cézar; Wiliams, Ibson, Renato Abreu e Thiago Neves; Emerson e Ronaldinho Gaúcho.
E vocês, gostaram?
Saudações rubro-negras.