quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Entendo cada um dos argumentos dos amigos que vêm criticando diretoria, equipe e treinador. Eu mesmo gostaria que Montillo, Emerson e Murici estivessem do lado de cá e infelizmente não estão. O que não dá pra concordar é com o catastrofismo de alguns. Nossa campanha este ano passa longe da que sonhávamos, mas porque pensamos como os atuais Campeões. É absolutamente normal não nos contentarmos com tão pouco na tabela. Mas é preciso tentar entender os motivos que têm feito deste ano, um pra ser esquecido.
Depois da conquista do HEXA veio um Carioca, em que o elenco ainda estava meio que de ressaca e acabamos deixando um dos nossos vices favoritos ganhar um vezinha. Chegou a Libertadores e erros grosseiros de planejamento, mais os problemas da conturbada vida do Adriano e as incertezas do destino do Wagner Love nos permitiram apenas o PRAZER de eliminar os queridinhos da Corja Global (que estão tentando, de todas as formas, COMPRAR mais um título este ano) no seu centenário. Nosso abatimento já era justificado. Mas aí veio o golpe final.
Um ídolo da torcida, um dos maiores responsáveis pelas nossas grandes conquistas recentes é descoberto como co-autor de um crime hediondo. Algo como uma versão carioca do Casal Nardoni. Versão Carioca não. Versão FLAMENGA. Foi como um direto de Jorge Foreman no queixo da Nação. Uma sempre previsível IMPRENSA VENDIDA PARA SP se aproveitou da tragédia para fazer uma verdadeira caça às bruxas. E as bruxas eram rubronegras. Trouxeram à tona novamente episódios desabonadores do Ataque do Amor e até os destemperos do Felipe Melo na Copa serviram para corroborar com a idéia de que era necessária uma UPP dentro da Gávea. Torcer para o Flamengo virou quase pecado mortal. Bastava estar envergando o Manto, para ser olhado de banda na rua.
Alguém aqui imagina as conseqüências de algo assim, se ao invés de com o Bruno, tivesse ocorrido com o Giba ou a Paula Pequeno, por exemplo? Duvido que houvesse título, ou mesmo vice, de Liga Mundial de Vôlei. Nenhum ambiente de trabalho passa incólume por algo tão traumatizante. Se nós, meros torcedores, sentimos um imenso abatimento com o episódio, imaginem os nossos jogadores que conviviam diariamente com ele. Simplesmente devastador.
Por isso, tudo leva a crer que este não seja um ano flamenguista. Não mesmo! Pra reforçar essa idéia, quando finalmente nosso ataque começa a funcionar, a defesa passa a entregar.
Mas isto não significa, como querem alguns, que corremos risco de cair pra segundona. Porque nós NÃO corremos. Garanto a vocês que não. Podemos até flertar com ela, visitar seus arredores momentaneamente, mas não estacionaremos na sua região de acesso. Nosso elenco está longe, bem longe mesmo, de ser um candidato à queda. Está envelhecido, cansado, psicologicamente abalado, temporariamente desentrosado, mas ainda assim é um dos melhores deste campeonato. Não, não seremos Campeões novamente este ano. Possivelmente nem para Libertadores iremos, mas também NÃO VAMOS cair.
Estamos passando por uma reestruturação absolutamente necessária e tem MUITA gente graúda da Gávea sentindo as consequências disso. E quando essas consequências afetam o bolso, a oposição passa a ser desleal e até desonesta. Se fosse um boicote à Patrícia eu até discordaria, mas ia entender. Só que este boicote está sendo feito contra ZICO e aí passo a considerar todos os boicotantes como inimigos. Quem boicota o Galo não pode ser flamenguista de verdade.
É apenas a minha opinião e, portanto, é minha obrigação respeitar as contrárias, mas penso que se o preço dessa reestruturação for passar um ano inteiro sem gritar “É Campeão”, deveríamos nos conformar e entender que o que vem sendo construído é mais importante do que um grito que já estamos tão acostumados a dar. Essa transição era necessária para recuperarmos nosso respeito como instituição. Nossa dignidade. Muitos de nós cobramos insistentemente isso, aqui mesmo neste espaço.
E quem vem pra cá escrever comentários tão embasados e de um nível tão alto (como a maioria), se transforma naturalmente em formador de opinião nas rodas de conversas sobre futebol. Aí torna-se OBRIGAÇÃO pregar respeito à instituição Flamengo e aos nossos ídolos. PRINCIPALMENTE ao MAIOR deles.
O Flamengo e Zico estão carentes. Estão sentindo falta do abraço da Nação. Seja no Engenhão, em Volta Redonda ou outro lugar qualquer. Fecharam as portas da nossa casa? Pois então vamos levar nosso apoio pra casa do vizinho. É a nossa presença que nos diferencia dos demais e se transforma em combustível extra dentro de campo.
Podem parar de abanar seus rabinhos Torcida Arco Íris, CBF, site globo.com e todo esse excremento que vive das alegrias de torcer contra nós. O Flamengo NÃO VAI cair, como gostariam. Como diria Armando Nogueira: "A GRANDEZA DE UM CLUBE SE MEDE PELO ÓDIO E A INVEJA QUE OS SEUS ADVERSÁRIOS SENTEM POR ELE". E nós somos MAIORES do que TODOS eles. Vamos nos estruturar para o ano que vem e, com as receitas intocadas (já que este ano não aconteceram as quase institucionalizadas “antecipações”), teremos todas as condições de retomar nossa vocação de conquistas. Podem acreditar nisso e me cobrar depois.
PRA CIMA DELES, MENGÃO !!!
ps: Amanhã estarei indo viajar por alguns meses e em função disso ficarei impedido de responder a todos os comentários. Neste período não me sentirei capacitado a escrever colunas, mas a distância não me impedirá de continuar aparecendo aqui, para me manter bem informado e dividir com vocês essa paixão que é de todos nós. ABRAÇÃO GERAL !!!