quinta-feira, 25 de março de 2010
Amigos rubro-negros, definitivamente não existe mágica no futebol. Como na vida, resultados são frutos de uma série de ações e atitudes, fazendo-se com que causa-efeito, relação muito utilizada na física, seja aplicável ao nosso dia-a-dia.
Não conheço nenhum rubro-negro satisfeito com estes 3 primeiros meses do ano, ano este que se anunciava como mágico para nós depois daquela apoteose do nosso sexto título do Campeonato Brasileiro.
Ao meu ver, nada do que estamos passando é por acaso. Naquela relação causa-efeito, os efeitos que estamos sentindo são consequências de uma combinação de causas que não poderiam resultar em nada diferente de um time ainda instável, que apesar dos bons resultados ainda não nos convenceu plenamente, sem ter uma sequência regular de boas partidas.
E quais seriam estas causas?
Inicialmente, temos que reconhecer que o planejamento desta temporada não foi feito da forma adequada, pois em função das eleições no final do ano passado, a atual diretoria foi confirmada no cargo somente no meio de dezembro. Este processo atrasou todas as negociações de renovações de contrato e de contratações. Resultado deste atraso foram jogadores se apresentando a conta-gotas de modo que somente no meio de fevereiro estávamos com o elenco fechado.
Ainda no âmbito da diretoria, mas agora sem podê-la isentar de responsabilidade, está o número excessivo de concessões aos jogadores. Privilégios ou não, merecidos ou não, observamos certo exagero nas dispensas aos treinamentos. Ora é o Pet liberado para se apresentar uma semana depois dos demais, ora o Adriano liberado dos treinos pós-jogo, o que se vê é um exagero nestas dispensas justamente no momento mais importante da temporada quando os jogadores precisam ter uma base forte de preparação física para toda a temporada e time precisa pegar um conjunto.
Da parte dos jogadores, evidencia-se um excesso de auto-confiança, traduzida tanto pelo comportamento fora como dentro do campo. A união de um conjunto de pessoas e o foco no objetivo comum são fundamentais para o seu sucesso como equipe. Esta união, entretanto, pode ter um viés positivo ou negativo. O lado negativo é quando um protege o erro do outro, inocentando-o e criando uma cumplicidade. Em geral, isto a médio prazo resulta na divisão do grupo entre os que se comportam bem e se comportam mal, levando a um inevitável fracasso. O viés positivo ocorre quando ainda existe a defesa coletiva para um erro individual, mas internamente também existe a cobrança para que estes erros não se repitam e não comprometam o objetivo comum. Vamos ver qual é o tipo de união dos nossos jogadores.
Quanto ao Andrade, embora discorde de algumas escalações e substituições, acho que seja o menos responsável por este rendimento abaixo das nossas expectativas. Na cultura do nosso futebol, o treinador é o elo mais fraco nesta engrenagem diretoria-comissão técnica-jogadores e onde a corda sempre arrebenta. Na minha opinião, trocar de técnico agora pode trazer mais problemas do que soluções. É inegável a menor experiência do Andrade em relação aos supertécnicos brasileiros (leia-se Muricy, Luxemburgo e Autuori), mas acredito que ele possa compensar este ponto fraco com o conhecimento da cultura do clube, da nossa estrutura e do nosso elenco. Além disso, não gosto da forma excessivamente centralizadora destes supertécnicos.
Apesar de inserido neste grupo dos insatisfeitos com o nosso rendimento, estou plenamente confiante no nosso poder de superação. Isto é Flamengo. Estaria mais preocupado se ainda estivéssemos naquela embriaguez do título, naquele “oba-oba” tão nocivo e que já foi causa de muitas derrotas no passado. O sinal de alerta está ligado, a luz amarela exige atenção e foco. É nestas horas que uma equipe realmente vencedora reage e demonstra a sua força. A nós torcedores, cabe-nos cobrar sim, mas principalmente apoiar este grupo que já deu mostras de seu potencial.
O que vocês acham?
Saudações rubro-negras