Amigos, meu luto oficial de 2 semanas acaba aqui. Ao menos assim espero. Foi doído demais. Estava sem força alguma para escrever o que quer que fosse. Confesso que continuo um pouco assim, e a melhor coisa para mim foi o site ter dado uma saída do ar por alguns dias. Afinal de contas, de cabeça quente a gente só escreve M...
Mas pior seria ficar assistindo a uma conquista brasileira (e não-rubro negra) na Libertadores. Graças a Deus, depois dos resultados da noite de ontem isso não vai mais acontecer. O San Lorenzo fez o favor de perder nos pênaltis para a LDU, eliminando definitivamente a regra do “dois times do mesmo país se enfrentando”. Somado ao fato de o Santos ter perdido para o Cabañas Futebol Clube, acabou a palhaçadinha: Fluzinho x Bocão nas semifinais. Portanto, não teremos time brasileiro na final da Copa Santander Libertadores-2008. Sou capaz até mesmo de arriscar um palpite: 2 x 2 na Bombonera, num empate suado com atuação histórica do goleiro Fernando Henrique. Uma semana depois, no meio do oba-oba da quase-classificação tricolete, vem o castigo: Fluminense 0 x 4 Boca Juniors, em pleno Maracanã. Com atuação desastrosa do goleiro Fernando Henrique.
Por falar em oba-oba, esta semana o Fluminense vai compreender o significado desta porcaria que, na verdade, é criada e alimentada pela imprensa. A mesma imprensa que, quando o time é eliminado, massacra o tal “clima de oba-oba” que ela mesma ajudou a crescer e se desenvolver, numa posição das mais hipócritas que se tem notícia.
Enfim, já que as coisas tomaram rumos diferentes dos que planejávamos, estou gostando da postura rubro-negra de aproveitar pra somar pontos enquanto alguns rivais poupam seus times por conta da participação em outros torneios. O São Paulo, que já tá fora da Liberta, agora pode colocar seus titulares no Brasileirão, mas perdeu importantes três pontos em casa para o Grêmio, pontos estes que podem fazer muita falta mais lá pro final. O Fluminense, que segue no torneio continental, idem. Até o Náutico já andou fazendo a festa em pleno Maracanã. Portanto é bom abrirmos vantagem agora, porque infelizmente o time deles é bom também. Além destes, só sobrou o Sport Recife na Copa do Brasil, e por incrível que pareça, o campeão brasileiro da Segunda Divisão em 1987 tem um bom time. Vasco e Botafogo, naturalmente, não me preocupam. Vamos arrancar cedo. Não há mais desculpas: este ano, ou seremos campeões brasileiros, ou amargaremos o pior preju desde as administrações de Kleber Leite, na segunda metade da década de 90.
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O pior é que não tem como não voltarmos ao assunto: a ducha de água congelante que foi nossa eliminação precoce na Libertadores (apenas três dias após a euforia nirvânica da conquista do 30º título estadual) arrebentou com a possibilidade de sucesso da maioria das nossas ações de marketing. Nos três dias entre o domingo do título e a quarta-feira da eliminação, o Mengão devia estar vendendo a níveis europeus. Eu mesmo comprei a Terceira Camisa, mesmo sabendo da pendenga envolvendo a Nike. E a lojista disse que a camisa vendia como água de coco. A loja móvel que o Mengão implantou no Maraca no dia do jogo contra o América do México vendeu em um dia mais do que a do São Paulo em dez, segundo nosso vice de marketing Ricardo Hinrichsen. E outras boas notícias, como a possibilidade de se firmar novas parcerias, não paravam se surgir. Saiu no jornal o Globo que a empresa de cartões Visa estava para comprar R$ 5 milhões em ingressos dos jogos do Flamengo, “visando” utilizá-los em ações promocionais, mais ou menos como ela anda fazendo com vários outros clubes brasileiros - criaria uma espécie de “Setor Visa” no Maracanã. Seria coisa pra caramba, considerando-se que ao longo de todo o Brasileirão do ano passado, arrecadamos pouco mais de R$ 9 milhões. No âmbito dos direitos de televisionamento, o Flamengo, ao lado do Corinthians e do São Paulo, se recusou a assinar novo acordo com a Rede Globo por querer uma participação maior nos valores pagos, e a Vênus Platinada parecia tender a sucumbir diante desta postura. Pra terminar, as empresas de material esportivo vinham se estapeando para ver quem pagaria mais para ser a sucessora da Nike, com propostas que já alcançavam R$ 20 milhões anuais (contra pouco mais de 7 milhas atualmente).
E agora? Certamente o fim da exposição brutal que a Libertadores dá nos faz perder um enorme poder de barganha em todas estas negociações. Algumas das empresas envolvidas, de fato, podem até mesmo desistir do investimento. E o que sobrou disto tudo foram as migalhas dos projetos de marketing já lançados anteriormente. Pois vejam se não: 6 mil assinantes na Fla TV, o que gera a “brutal” arrecadação mensal de 72 mil reais – o que não cobre as despesas do time de basquete. Comparando com a TV Timão (similar corintiana da nossa televisão pela internet) até estamos bem, pois eles mal passaram da marca de mil assinantes. Mas considerando os devaneios esperados anteriormente, quando alguns dirigentes sonhavam arrecadar milhões mensalmente com a Fla TV, nota-se o tamanho da decepção. Além disto, a campanha em prol da construção do nosso CT (por meio da venda das “camisas 12”, da torcida rubro-negra) só vendeu até hoje 35.981 unidades, gerando arrecadação bruta de cerca de R$ 213 mil (http://www.flamengo.com.br/ct/prestacao_contas_ct.html). Digo “só” porque desta vez sim a comparação com o Corinthians faz doer o coração. A camisa do “Eu Nunca Vou Te Abandonar” vendeu mais de 100 mil unidades, e isto apenas até o mês de março. Pra piorar, a tal da Camisa Roxa dos caras, mesmo a salgados 140 reais, vendeu inacreditáveis 30 mil unidades na primeira semana. Certamente já passou da casa das 50 mil unidades hoje, o que geraria arrecadação total de R$ 7 milhões!!!! Tentei buscar estatísticas a respeito das vendas que a nossa terceira camisa auferiu, mas não obtive êxito. De qualquer maneira, quando vende muito sempre cai na imprensa...
Enquanto os cacos são juntados, os rubro-negros participativos (que infelizmente eu acho que são poucos, conforme já expus em colunas anteriores) aguardam um esboço de projeto sócio-torcedor, ou coisa parecida. Ver o Internacional de Porto Alegre, com uma torcida quase 10 vezes menor do que a nossa, formar filas em torno do Beira-Rio para aumentar seu quadro de associados (que já passa dos 70 mil – top 10 mundial) é de enrubescer.
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