Amigos rubro-negros, na coluna da semana passada escrevi que Libertadores é competição para gente grande. Bem, veremos hoje se o nosso time tem esta maturidade para enfrentar a Batalha do Chile, uma verdadeira prova de fogo para este grupo que já foi do céu ao inferno e do inferno ao céu em questão de meses.
Há os que dizem que o time tem de segurar a pressão do início para depois partir para cima. Outros dizem que temos que partir para cima e que fazendo um gol logo no início coloca a pressão para o lado deles que não saberão se seguram o resultado ou buscam o empate. Minha opinião é que qualquer estratégia é válida desde que executada com frieza, atenção, dedicação e perícia técnica.
Não tenham dúvidas que a pressão fora e a provocação dentro do campo serão fortes. Portanto, ter frieza para não se deixar levar por estes artifícios típicos de Libertadores é fundamental. Perder um jogador será fatal para qualquer aspiração de classificação.
Precisamos de atenção para não dar chances ao azar. Neste quesito, cometer faltas bobas no nosso campo pode criar situações desnecessárias de perigo. Dedicação é fundamental, pois se igualarmos na luta, não perderemos na técnica.
A perícia técnica é essencial justamente para não desperdiçarmos oportunidades de gols, como as que tivemos no jogo de ida no Maracanã. Não tenho dúvidas que temos time para ganhar por dois da La U em qualquer lugar do mundo; o ponto-chave é ter a obrigação de ganhar por dois gols. Isto faz com que o emocional seja decisivo numa partida como esta.
Minha opinião é que temos de entrar para jogar futebol, buscar o maior número possíveis de gols até para tirar a vantagem deles, sem se abater em caso de levar gols. Lembrem-se 4 x 3 serve para nós.
CAPITÃO NASCIMENTO
Alguém precisa sentar e conversar com o Bruno para explicar a ele o que significa ser o capitão. Em esportes, a tradução mais correta para o termo em inglês captain tem o significado de comandante, ou seja, quem comanda, a exemplo do que se utiliza na aviação. Há controvérsias quanto ao papel do capitão numa equipe. Muitos acham que serve apenas para o cara ou coroa no início da partida. Não concordo, acho que o capitão tem uma função importante perante aos demais jogadores, não apenas dentro de um jogo, mas no dia-a-dia no clube conversamos com todos, integrando os jogadores e liderando ações construtivas em prol do todo.
Considero o Bruno um dos melhores goleiros do Brasil. Com exceção do Júlio César, não vejo goleiro brasileiro atuando melhor do que ele. Já cometeu falhas? Lógico, como o próprio Júlio César já as cometeu, mas em se tratando de um jogador de 25 anos, o Bruno reúne todos os predicados para realmente se destacar na posição. Por outro lado, definitivamente, não enxergo nele o perfil para o exercício de capitão da equipe. Quando da aposentadoria do Fábio Luciano e a efetivação do Bruno como capitão já me posicionei contrário. Cheguei até a me assustar na época com declaração do então vice-presidente Kleber Leite querendo transformá-lo no Rogério Ceni da Gávea. Me desculpem, mas se dentro da grande área considero o Bruno muito mais preparado que o goleiro são paulino, fora de campo a situação se inverte.
Um capitão de equipe, ainda mais do Flamengo, não pode dar declarações desequilibradas, até porque a imprensa gosta de distorcer palavras mal colocadas. Um capitão de equipe não pode entrar no vestiário peitando um companheiro de time a título de cobrança de empenho, nem forçando técnico a barrar jogador A ou B..
Acho que a diretoria perdeu uma grande oportunidade de rever esta decisão de deixar o Bruno como capitão do time. Até para poupá-lo, acho que seria interessante esta mudança. Como muito bem assinalado pelo Cesar Perboyre em sua coluna desta semana, nossa equipe sente a falta de um líder. Mesmo assim, acho que Léo Moura e Maldonado poderiam exercer o papel de capitão com mais propriedade do que o Bruno.
MUITA CALMA
Reconheço um pouco a ansiedade de todos quanto à definição do novo Diretor-Executivo e de sua equipe de trabalho. Entretanto, não pode haver precipitação na seleção deste nome, pois uma nova troca trará prejuízos maiores. Um Diretor-Executivo terá que trabalhar num cenário de longo prazo e, portanto, deve reunir todas as qualidades que o cargo requer.
Quanto ao técnico, concordo que o Rogério Lourenço não possui a experiência que o cargo de treinador do Flamengo exige, mas precisamos pensar antes de querer tirá-lo por tirar. Primeiro porque acho que valorizam muito o papel do treinador no futebol de hoje. Acho que treinador tem importância porém não isto tudo que dizem, mas isto é assunto para outra coluna. Tirar o Rogério para colocar quem? Graças a Deus que Celso Roth já acertou com o Vasco. Este risco não corremos mais. Me respondam, qual treinador de bom nível e com experiência está disponível? Assim, caso não encontremos um outro nome, uma alternativa interessante seria montar uma comissão técnica que compensasse esta carência do Rogério, tendo um auxiliar com mais experiência, mesmo que com pouco nome como alguns técnicos do futebol do interior paulista, e um coordenador de futebol do tipo Fábio Luciano para fazer a ponte entre jogadores e comissão técnica.
Da mesma forma, o povo clama por contratações, comparando que o clube A contratou fulano, o clube B contratou siclano. Precisamos de reforços e não de contratações. Contratar por contratar não dá certo. Será que esqueceram do nosso histórico recente quando as contratações vinham por atacado sem contudo trazer resultados. Apesar de não achar o nosso elenco esta Brastemp toda, como não tivemos tempo para planejar seria um grande risco sair por aí contratando tudo que nos oferecem. Da mesma forma que no ano passado, quando trouxemos Álvaro e Maldonado, entendo que devemos focar nos reforços para a zaga, a cabeça de área e ataque, pois dificilmente conseguiremos segurar os dois atacantes.
E vocês, o que acham?
Saudações rubro-negras.