Amigos rubro-negros, por motivos diversos não consegui postar coluna na semana passada, semana bastante conturbada com a demissão do técnico Vanderlei Luxemburgo, mas não posso deixar de expressar minha opinião sobre tudo que rondou mais uma conturbada história na qual todos são vilões. Como sempre, o Flamengo é o maior perdedor em toda esta história vendo sua imagem mais uma vez desgastada fornecendo carne para o churrasco da grande mídia.
Embora esta grande mídia tenha colocado a demissão como uma queda de braço entre o treinador e nossa maior estrela, Ronaldinho Gaúcho, na minha visão não foi este possível conflito que determinou a sua demissão. Para mim a saída do treinador começou a ser desenhada no final da temporada passada quando ele foi afastado das negociações por reforços. Diferentemente do que aconteceu entre 2010 e 2011 quando interveio em muitas negociações, nesta intertemporada as negociações ficaram a cargo do vice-de-finanças Michel Levy, o que desagradou o treinador.
Malandro e inteligente, o treinador esticou a corda para os dois lados. Para diretoria começou a usar um tom jamais visto nos mais de 12 meses desde que fora contratado; prova disso foi a entrevista concedida em 22/12/2011, na qual Luxemburgo inicia publicamente sua reclamação contra a diretoria pela demora nas contratações. Do outro lado, esticou a corda com os jogadores, forçando um regime rígido de concentração durante quase todo o mês de janeiro, com duas semanas em Londrina e dez dias na Bolívia, desagradando as principais lideranças do elenco.
Sempre fui defensor da sua permanência, principalmente na reta final do Brasileirão 2011, por entender que nosso futebol anda supervalorizando o papel do treinador e por não ver nenhum outro treinador muito melhor que ele, mas pelo histórico de suas recentes saídas de Santos e Palmeiras via-se que seus dias estavam realmente contados.
Apesar da Presidente ter negado e afirmado que a demissão fora definida apenas após o segundo jogo contra o time boliviano, acredito que a demissão foi definida após o primeiro jogo contra o Real Potosí na Bolívia, quando ficou evidente a falta de empenho dos jogadores, mas seria anunciada somente após o segundo jogo no Rio. Nesta situação, não cabia outra coisa à diretoria, a uma semana do jogo de volta, senão manter o treinador, mas deixar informalmente os líderes dos jogadores cientes desta decisão, colocando nas costas deles a classificação para a fase de grupos da Libertadores. O problema surgiu quando não apenas esta decisão como também o nome do seu substituto vazou na mídia. Neste caso, a mídia aproveitou e irresponsavelmente divulgou horas antes do decisivo jogo fatos irreais de que o treinador já teria sido comunicado de sua demissão assim como a própria diretoria teria reunido todo o elenco e comunicado a decisão.
Desmentir a informação era inevitável, pois seria impensável num jogo de suma importância o treinador já demitido estar à beira do campo dirigindo o time. O erro da Presidente foi ela ter feito este desmentido. Poderia ser qualquer diretor ou mesmo uma nota oficial do clube, mas jamais a Presidente que colocou a sua credibilidade em risco, sabedora que no dia seguinte a demissão era irreversível, fosse qual fosse o resultado do jogo.
Não considero este o erro principal da Presidente, mas sim de ter deixado a situação se arrastar por meses. Já era evidente uma certa tensão no clube ao final do última temporada quando não havia comando no Departamento de Futebol e claros conflitos de papéis entre treinador, gerente de futebol, diretor-executivo de futebol e vice-de-finanças. Neste episódio, a Presidente cometeu dois erros fatais para um gestor: procrastinar decisões e querer agradar a todos.
Procrastinação significa num bom português empurrar com a barriga, achando que as coisas se ajeitam por si só. Algumas vezes isto funciona, outras não. Quando não funciona o estrago é grande, pois todos os elementos envolvidos já estão mais do que estressados. Querer agradar a todos também é fatal para um gestor. Um dos princípios para um gestor é que ele não está num concurso de simpatia, ou seja, ele não pode deixar de tomar uma decisão porque desagradará ao fulano ou ao ciclano.
Para dizer que apenas erros foram cometidos, a Presidente acertou em demitir toda cúpula do futebol, não se limitando a uma simples troca de treinador. Agora ela tem mais uma oportunidade de mudar de vez o modelo de gestão. Acredito na sua boa intenção, mas uma gestão não pode se valer apenas de boas intenções. Definitivamente, precisamos de um choque de gestão. Ficou mais uma vez evidente que ela ficou bastante exposta pela omissão do antigo diretor-executivo de futebol que ficou mais de um ano no cargo e não disse ao que veio.
O nome que surge de Jairo do Santos me parece um bom nome, mas antes de nomes é fundamental que se definam papéis e responsabilidades. O que faz um vice-de-futebol? Qual o papel do diretor-executivo do futebol? Quais as responsabilidades do gerente de futebol? E o treinador, qual o papel dele fora do campo?
VOCÊ QUER SER FELIZ OU TER RAZÃO?
Eu quero é ser feliz, por isso torcerei fervorosamente pelo sucesso do Joel Santana. Como bem escreveu o Artur Muhlenberg no Blog do Torcedor num dias destes, eu não torço pelo Luxemburgo, pela Patrícia Amorim, pelo R10, pelo Joel. Eu torço pelo Flamengo. Ou seja, vestiu o manto está do meu lado.
Como escrevi acima, acho que estamos dando muito valor ao treinador e não vejo muitos nomes capazes de inovar, de fazer algo diferente dos medalhões da categoria. Não posso deixar de registrar que o Joel não é o treinador da minha preferência. Pode ser, ou melhor, “pode to be” um bom nome para este momento conturbado do clube, pela sua malandragem, pelos seus tantos anos de Rua Bariri, como ele mesmo gosta de dizer, mas não o vejo com o perfil de participar do processo de renovação que o clube precisa.
Se ele conseguir fazer com que os jogadores ao menos corram e joguem com dedicação já será um ganho. A exemplo do Luxemburgo e de outros técnicos, o Joel terá as suas teimosias, insistirá com o jogador A, dispensará o jogador B. Não tem jeito, é a cultura do nosso futebol. O cara chega ao clube como todo-poderoso e o clube fica mais uma vez refém, mesmo sabendo que qualquer treinador tem o seu prazo de validade.
Só nos resta torcer que o prazo de validade do Natalino seja grande.
Saudações rubro-negras