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DE VOLTA ÀS ORIGENS

Vou confessar a vocês que, depois daquela derrota na altitude, temi pelo que poderia estar por vir. Mais ainda quando os casos de contaminação foram se multiplicando e nos deixando praticamente sem opções para colocar em campo.

Será que teríamos complicado uma vaga praticamente garantida para as fases seguintes da Libertadores? Será que haveria consequências no clima do vestiário? Será que geraria desconfiança do grupo em relação ao novo treinador? Será que tudo isso influenciaria nosso desempenho no Brasileiro? Será que o treinador resistiria à pressão que, certamente, surgiria a partir da insatisfação da torcida? Minha cabeça FERVIA, com tantas dúvidas assustadoras.

Nas Resenhas da TV, nosso Protocolo de enfrentamento da Pandemia (elogiado até por CBF e Conmebol) era ridicularizado e nos responsabilizavam pela contaminação do elenco, enquanto esfregavam as mãos, e nem se preocupavam em esconder seus sorrisos, imaginando que já tínhamos nos tornado Carta Fora do Baralho.

E aí? Com que cara eu apareceria aqui pra vocês, depois de insistir tanto que deixassem suas preocupações de lado e apenas se deliciassem com momentos tão especiais que tínhamos vivido e continuaríamos vivendo? Será que o sonho de ganhar tudo de novo se transformaria em pesadelo?

A vitória sobre o Barcelona serviu para amenizar um pouco os pensamentos ruins, mas, na sequência, com duas dezenas de infectados na bagagem de volta, seríamos obrigados a pegar um Palmeiras completo e em sua casa, com um time formado por adolescentes. QUE DUREZA!

Dureza NADA! QUE SURPRESA !!!

A meninada mostrou que os Canecos conquistados na base não aconteceram por acaso e só não trouxeram uma vitória pra casa porque Justiça e Futebol não andam juntos. Mais do que isso! Alguns voltaram com toda pinta de que não pretendem, e nem merecem, sair do time titular.

Logo a seguir, ainda com diversos meninos na equipe, devolvemos a goleada ao Del Valle, metemos três no Genérico Paranaense e Sport, vencemos o Vasco (em sua casa) e Goiás. E, apenas 48hs depois, só não passamos pelo calendário SÓRDIDO que nos impuseram com 100% de aproveitamento vencendo o Bragantino, porque o soprador de apito nos sonegou um pênalti escandaloso. Sem problemas! “A Cereja do Bolo” ainda estava por vir.

Mesmo desfalcados de quatro de nossos principais jogadores (Diego Alves, Rodrigo Caio, Arrascaeta e Gabigol), pegamos o clube MAIS favorecido por uma mídia absolutamente direcionada para clubes paulistas e os humilhamos em seu próprio estádio, pago com Dinheiro Público.

Nada que eu diga aqui pra vocês vai expressar o TAMANHO da minha alegria depois dessa vitória. O que era insegurança se transformou em uma confiança ainda maior daquela que existia antes do jogo na altitude, pela certeza que saímos ainda mais fortes do que antes dessa maratona insana.

E mais fortes pelo retorno a uma das nossas principais características, que é a revelação de grandes jogadores. Se nosso time “B” já era fortíssimo, a adversidade pela qual passamos fez surgir um “C”, buscando espaço nesse “B”, e com reais condições até de buscar uma vaga no “A”.

Enquanto isso, aqueles que esfregavam as mãos diante de um momento nosso TÃO problemático agora separam os dedos delas e ... vou deixar a dedução do que estão fazendo para vocês.

Hoje, acredito que veremos muitos desses meninos em campo nos representando em uma Libertadores e lutando pelo nosso primeiro lugar no grupo. É importante esse primeiro lugar, para pegarmos alguma equipe menos complicada na próxima fase.

É verdade que não damos muita sorte em sorteios, mas sabem do que mais? Minha confiança está TÃO no alto, que, venha quem vier no sorteio de sexta-feira, não vai ser suficiente pra me abalar.

PRA CIMA DELES, MENGÃO !!!

Escrito por Ricardo Perez