quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Amigos rubro-negros, na coluna passada deixei a pergunta se seria correto o clube, através do vice-presidente de futebol, manifestar publicamente que alguns jogadores têm privilégios. Mal sabia eu que justamente nesta semana algumas desavenças seriam externadas por causa desta questão, o que nos obriga a refletir sobre o assunto.
Numa visão de jogador-boleiro, temos os velhos chavões de “o importante é o que jogador faz dentro do campo” ou ainda “é melhor ter um jogador que falte ao treino, mas decida o jogo do que um que treina, mas nada faz”. Por outro lado, numa visão de jogador-atleta, a questão comumente levantada é “pode um atleta que não treina corresponder em campo?”.
Para não ficar em cima do muro, adianto que compartilho com a visão de jogador-atleta. Futebol hoje é negócio. Isto é irreversível. E como negócio o que importa são os resultados. Resultados esportivos conjugados com resultados financeiros, sendo que um alimenta o outro, ou seja, quanto mais resultados esportivos um clube conquista melhor a situação financeira (cotas, patrocínios, ...) e quanto melhor o resultado financeiro mais forte será o clube facilitando novas conquistas. Na minha opinião é mais provável, a médio prazo, obter estes bons resultados com jogadores-atletas do que jogadores-boleiros.
Portanto, dentro desta visão de futebol-negócio, toda a estrutura deve ser profissional, desde os dirigentes até os atletas. Dentro deste cenário, a competência na gestão deve fazer com que jogadores, além de serem profissional, tragam resultados em campo. Da parte dos jogadores, eles devem entender que têm direitos e deveres. Um não anda sem o outro.
Reconheço que na cultura atual do nosso futebol, muito pouco profissionalizada em todas as suas instâncias, impor este modelo aos jogadores é muito difícil e desgastante. Um exemplo desta dificuldade é o fato dos clubes quase sempre deverem luvas ou salários ou prêmios aos jogadores. Desta forma, diretoria e comissão devem agir sempre com bom senso em administrar eventuais problemas comportamentais para que não contamine o ambiente.
Neste sentido, acho que a diretoria e comissão técnica do Flamengo souberam administrar muito bem o grupo no Brasileiro de 2009, utilizando muitas vezes o expediente de concentrar o time 2 dias antes dos jogos de forma a evitar problemas maiores. Por outro lado, não concordo que a diretoria, através do vice-presidente do futebol, legitime o privilégio, externando que jogadores como Adriano e Vagner Love têm tratamento diferenciado dos demais.
Na minha opinião o privilégio dos “craques” é ter um maior salário, compatível com a maior responsabilidade que devem ter. Nosso maior CRAQUE (este com letras maiúsculas) Zico foi o melhor exemplo de tudo isto. Nunca se sentiu no direito de faltar a treinos ou ter outras regalias. Muito pelo contrário.
PET X MARCOS BRAZ
Saindo da teoria para a prática, estamos agora neste confronto entre o Pet e o Marcos Braz, vice-presidente de futebol. Aos que acham que a atitude do Marcos Braz foi desproporcional ao erro do Pet, tenham certeza que este confronto não começou no domingo. Muita coisa foi ventilada nestes dias sobre atritos entre os dois num passado recente, os quais prefiro não citá-los.
No domingo, os dois erraram. Pet desrespeitou o clube, um superior hierárquico e o restante do grupo. O Marcos Braz errou ao perder o auto-controle, adiantando “eventuais punições”, como a que o jogador não mais jogaria no clube, sem consultar outros membros da diretoria e comissão técnica. Bastava ele admitir para o público o erro do Pet e pedir um tempo para avaliar a situação. Pelo desfecho até agora, o Marcos Braz perdeu muito mais. Um desgaste totalmente desnecessário.
Justamente o Marcos Braz que sempre mostrou jogo de cintura em administrar os problemas extra-campo com o Adriano, pegou pesado agora. Por isso, reafirmo que existem mais coisas do que simplesmente esta saída do Pet no intervalo do FLA x FLU.
Muitas vezes elogiei o Marcos Braz por sua sobriedade nas negociações sem cair nas loucuras das gestões anteriores. Embora novo no futebol, mostra uma personalidade forte com atitudes muitas vezes radicais. Me lembro em 2008 quando ele era o diretor de futebol e ameaçou sair se o então vice de futebol Kleber Leite recontratasse o Jônatas, alegando tratar-se de um jogador de comportamento reprovável. Não é que o Jônatas foi contratado e ele entregou o cargo mesmo, só retornando pouco mais de um ano depois com a saída dos dois, Jônatas e Kleber Leite.
Esta postura radical traz muitos inconvenientes, inimizades e muitas vezes erros. Mesmo assim, confesso que ainda prefiro um perfil destes do que de dirigentes anteriores. Espero que ele aprenda com este episódio e não perca a sua autoridade perante ao grupo. A Patrícia Amorim deve observar bem de perto esta situação para que possa agir antes que seja tarde.
Quanto ao Pet, me surpreendi positivamente com seu comportamento no ano passado. Cooperativo, agregador e com postura bastante positiva. Já este ano, apesar de ter tido o “privilégio” de estender suas férias para passar o Natal dos cristãos ortodoxos com sua família na Sérvia, retornou um pouco diferente, diria mais próxima do velho Pet que conhecemos desde 2001.
Um termômetro para mim neste episódio foram os demais jogadores. Declarações politicamente corretas, do tipo “gostamos do Pet”, “Pet é um ídolo do clube” ou “ isso vai ser resolvido”. Apenas. Posso estar errado, mas acredito que se o grupo estivesse realmente ao lado dele, Bruno, Álvaro, Léo Moura e Adriano, líderes do time, seriam os primeiros a irem ao Marcos Braz pedir que reconsiderasse a sua decisão.
Vamos ver como as coisas vão se desenrolar daqui pra frente.
PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR
Os Campeonatos Estaduais são parâmetros para alguma coisa ?
Saudações rubro-negras