Há pelo menos seis meses eu vinha com o desejo de “mapear” o televisionamento futebolístico no Brasil – no caso, as transmissões daquela que detém os direitos de televisionamento dos principais campeonatos estaduais do Brasil ou seja, da Rede Globo – a fim de analisar principalmente duas coisas: 1) Cada estadual transmitido pela Rede Globo é exposto para que parcela do PIB brasileiro? 2) Cada estadual transmitido pela Rede Globo é exposto para que parcela da população brasileira?
O procedimento, na prática, é simples. Basta pegar cada estado brasileiro e descobrir qual é o campeonato estadual que a Globo transmite para ele. Ao fim, basta formar blocos (bloco de estados que assiste ao Carioca, ou ao Paulistão, etc) e calcular a parcela do PIB e da população representada por estes blocos. No fim, o objetivo seria avaliar se os valores pagos pela Globo por estes direitos de transmissão seriam justos ou desproporcionais, bem como verificar a quantas andaria o tão falado “processo de paulistização” da mídia.
No entanto, se o procedimento é simples, a obtenção de dados para a pesquisa foi algo bastante trabalhoso. Precisei enveredar visitas a websites de dezenas de afiliadas da TV Globo de Norte a Sul do Brasil; recolher dados de PIB e população de todos os Estados do Brasil; analisar com mais cuidado aqueles estados cuja transmissão futebolística é mais retalhada (por exemplo, Santa Catarina, que em parte assiste ao Campeonato Carioca e em outra parte, ao Gauchão) e até mesmo entrar em salas de bate papo pra fazer a pesquisa “in loco”, ou seja, para descobrir se realmente eram estes os estaduais transmitidos para cada estado! Como não poderia esquecer, duas coisas muito importantes foram os relatos (na forma de comentários) que auferi de muitos dos leitores aqui do FlamengoRJ, bem como a consulta que realizei ao “oráculo” Edu César, uma verdadeira autoridade no que tange a assuntos de mídia esportiva (e editor dos sites Papo de Bola –
www.papodebola.com.br - e Papo de Mídia, que fica dentro do Papo de Bola).
Como na semana passada eu escrevi a respeito da mídia esportiva no Brasil, esta semana decidir ir à caça e elaborei este “estudo” (que de científico deve ter muito pouco, sendo uma heresia de minha parte chamá-lo assim). Antes, gostaria de dizer que eu posso ter me equivocado com relação a algumas (ou muitas?) transmissões estaduais – sendo assim, conto com a colaboração da galera que lê e comenta aqui no FlaRJ, pois poucos lugares possuem uma audiência de abrangência tão nacional e confiável.
Pois bem, vamos aos dados:
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REGIÃO/ESTADO
|
PIB (Em R$)
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POPULAÇÃO
|
ESTADUAL DA GLOBO
|
|
|
|
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|
|
NORTE
|
|
|
|
|
Amazonas
|
33.359.086
|
3.221.939
|
RJ
|
|
Amapá
|
4.366.535
|
587.311
|
RJ
|
|
Acre
|
4.481.747
|
655.385
|
RJ
|
|
Rondônia
|
12.902.169
|
1.453.756
|
RJ
|
|
Roraima
|
3.178.611
|
395.725
|
RJ
|
|
Pará
|
39.150.461
|
7.065.573
|
RJ
|
|
Tocantins
|
9.083.624
|
1.243.627
|
SP
|
|
|
|
|
|
|
CENTRO OESTE
|
|
|
|
|
Distrito Federal
|
80.516.682
|
2.455.903
|
RJ
|
|
Goiás
|
50.536.081
|
5.647.035
|
GO
|
|
Mato Grosso
|
37.466.137
|
2.854.642
|
SP
|
|
Mato Grosso do Sul
|
21.641.772
|
2.265.274
|
SP
|
|
|
|
|
|
|
NORDESTE
|
|
|
|
|
Bahia
|
90.942.993
|
14.080.654
|
RJ
|
|
Alagoas
|
14.134.636
|
3.037.103
|
RJ
|
|
Rio Gde do Norte
|
17.862.263
|
3.013.740
|
RJ
|
|
Sergipe
|
13.422.169
|
1.939.426
|
RJ
|
|
Ceará
|
40.923.492
|
8.185.286
|
CE
|
|
Pernambuco
|
49.903.760
|
8.485.386
|
PE
|
|
Piauí
|
11.124.892
|
3.032.421
|
RJ
|
|
Paraíba
|
16.864.193
|
3.641.395
|
RJ
|
|
Maranhão
|
25.325.860
|
6.118.995
|
RJ
|
|
|
|
|
|
|
SUL
|
|
|
|
|
Paraná
|
126.621.933
|
10.284.503
|
PR
|
|
Santa Catarina
|
85.295.324
|
5.866.252
|
75% RJ 25% RS (afiliadas de Chapecó e Joaçaba)
|
|
Rio Grande do Sul
|
144.344.171
|
10.582.840
|
RS
|
|
|
|
|
|
|
SUDESTE
|
|
|
|
|
Rio de Janeiro
|
246.936.060
|
15.420.375
|
RJ
|
|
São Paulo
|
727.052.824
|
39.827.570
|
SP
|
|
Minas Gerais
|
192.610.905
|
19.273.506
|
MG
|
|
Espírito Santo
|
47.190.914
|
3.351.669
|
RJ
|
|
|
|
|
|
|
TOTAL
|
2.147.239.294
|
183.987.291
|
|
Fontes:
Com estes dados em mãos, foi possível chegar às seguintes conclusões:
|
|
PIB (Em R$)
|
População
|
PIB(% do total)
|
População(%)
|
|
ESTADUAL RJ
|
725.730.764
|
73.871.059
|
33,80%
|
40,15%
|
|
ESTADUAL SP
|
795.244.357
|
46.191.113
|
37,04%
|
25,11%
|
|
ESTADUAL RS
|
165.668.002
|
12.049.403
|
7,72%
|
6,55%
|
|
ESTADUAL MG
|
192.610.905
|
19.273.506
|
8,97%
|
10,48%
|
|
ESTADUAL CE
|
40.923.492
|
8.185.286
|
1,91%
|
4,45%
|
|
ESTADUAL PE
|
49.903.760
|
8.485.386
|
2,32%
|
4,61%
|
|
ESTADUAL PR
|
126.621.933
|
10.284.503
|
5,90%
|
5,59%
|
|
ESTADUAL GO
|
50.536.081
|
5.647.035
|
2,35%
|
3,07%
|
1) Em 2008, o Campeonato Carioca é, de longe, o torneio mais “nacional” do país, sendo transmitido pela Globo para pouco mais de 40% da população brasileira, 15 pontos percentuais acima do segundo colocado. Trata-se de uma situação tranqüilizadora, mas que varia de acordo com os anos, bem como pela “cegueira” às vezes proporcionada pela “paulistização” dos meios de comunicação. Como exemplo, podemos citar os estados do Pará, Bahia e de Santa Catarina que, mesmo possuindo maioria de rubro-negros, acompanharam os times paulistas nos campeonatos de 2007. Esta situação parece ter mudado após a divulgação de algumas pesquisas nacionais - ao fim do ano passado - sacramentando a liderança do Flamengo nestes estados.
2) Pelo lado econômico, o Campeonato Paulista ainda é aquele exposto para a maior parcela do PIB brasileiro: 37,04% do PIB acompanham os times de São Paulo, enquanto 33,80% acompanham os times cariocas. Considerando que o Paulista é transmitido para uma parcela bem menor da população, fica claro o grande poder de compra dos consumidores expostos às marcas veiculadas no torneio do lado de lá da Dutra. No entanto, em termos absolutos, a diferença é bem pequena. Entre a exposição paulista e a exposição carioca, existe apenas “um campeonato goiano” de diferença. Sendo assim, a bombástica massificação do torneio paulista não se justifica sob nenhum aspecto (nem geográfico-populacional, nem econômico). É justo que se pague mais pelo Paulistão, mas os valores pagos a título de direitos de televisionamento dos dois torneios (R$ 70 milhões para os times paulistas, R$ 37 milhões para os cariocas – segundo divulgado na mídia) são absolutamente desproporcionais. Para torná-los sensatos, deveriam ou aumentar o valor pago pelo Campeonato Carioca (para algo em torno dos R$ 64 milhões) ou reduzir o pago para o Paulista (para cerca de 40,5 milhões). Afinal, por que a Globo paga tão mais por um torneio tão menos exposto (e equivalente em termos de poder de compra daqueles que o assistem)?
3) Por esta lógica, o que se paga pelos Campeonatos Mineiro e Gaúcho (ambos entre R$ 15 e 16 milhões anuais) – ainda por cima se considerarmos que ambos possuem apenas dois, e não quatro, times considerados grandes – também se encontra fora de proporção. Já o oferecido pelo Campeonato Paranaense (entre 2 e 3 milhões) é realmente ultrajante, legitimando o boicote estabelecido pelo Atlético Paranaense para as transmissões de seus jogos no torneio deste ano.
4) Apesar dos números impressionantes com relação ao público-alvo das transmissões do Paulista, eles apenas refletem o poderio econômico do estado de São Paulo, grande força-motriz da produção de produtos e serviços no país. Apenas o PIB do Estado de São Paulo equivale a todo o somatório dos PIBs dos Estados que assistem ao Campeonato Carioca. Sendo assim, ocorre uma grande concentração. Diferentemente, o estado do Rio com PIB de quase R$ 247 milhões, possui uma relação PIB do estado de origem/PIB das transmissões totais de apenas 34%. No caso paulista, esta relação é de 91%. Isto significa que seria economicamente mais racional expor e promover muito mais o Campeonato Carioca a níveis nacionais, mantendo o foco do Campeonato Paulista aos seus limites estaduais.
5) Os outros Estaduais são exibidos para 34,74% da população brasileira, bem como para 29,17% do PIB brasileiro. Destaque, em ordem, para os estaduais de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás, Pernambuco e Ceará. O Campeonato Gaúcho é o único, fora os de RJ e SP, a ser transmitido para outro estado que não seu estado de origem.
Creio que estes números sejam um pouco esclarecedores com relação ao “estado da arte” das transmissões e da exposição dos clubes brasileiros, pois demonstram que há um equivoco na valorização excessiva de alguns estaduais (e seus respectivos clubes) em detrimento de outros. É claro que, ao se resumir a apenas as transmissões de uma emissora (por mais que seja a emissora que domina o mercado), o modelo apresentado reduz sua eficácia. O fato de a TV Bandeirantes, por exemplo, transmitir apenas o Campeonato Paulista para todo o Brasil faria com que a balança pendesse para o lado dos clubes lá. No entanto, existe um fator que “reequilibra as coisas”: as transmissões da TV Globo em antena parabólica ainda mostram exclusivamente o Campeonato do Rio de Janeiro, e muitas localidades brasileiras, por questões de topologia, obrigatoriamente exigem que seus moradores utilizem tais antenas. Como é muito difícil estabelecer pesos para estas situações (Cariocas que ligam na Band para ver o Paulistão; Paulistas sem antenas normais – apenas parabólicas – que assistissem ao Campeonato Carioca), é preferível simplificá-lo e utilizar apenas a TV Globo como base de comparação. Outra questão não-considerada foi a configuração de torcidas dentro do estados, que pode fazer com que a audiência varie bastante entre eles (ex: estados do Nordeste tendem a dar maior audiência para o Campeonato Carioca do que Estados como Santa Catarina, cuja maioria de torcedores dos times do Rio não é tão acachapante).
********************
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Estão definidos os confrontos das oitavas-de-final da Libertadores. Como eu vinha já alertando, não tinha essa de “tirar o pé do acelerador”, não apenas porque o “Bolo” se defende muito bem e vinha a melhor defesa até então, mas também porque os prováveis resultados que se desenhavam para a noite de quarta (e TODOS se confirmaram) nos colocariam na situação oposta ao que se divulgava: teríamos que golear para fugir do América do México, e não o contrário.
Confesso que estou preocupado. Depois de ver o time com as quatro rodas arreadas na fatídica semi-final da Taça Rio, passei a temer essa coisa de viagem longa. E agora a viagem, de certa forma, é intercontinental. Sete mil e setecentos quilômetros, fora o efeito “caos aéreo” que duplica o tempo de qualquer viagem. Sei não. Acho que ou a gente aproveita o primeiro jogo da final (quando os chororôs jogarão sem Alessandro, Jorge Henrique, Castillo e Triguinho) e goleia os caras, ou a coisa pode ficar preta.
Outra coisa que me preocupa: a campanha do América do México é muito certinha, ou seja, ganham todas em casa, perdem fora. Isto num grupo complicado, sem babas e que tinha times competitivos, como River Plate, Universidad Católica e Universidad San Martin. Os “americanistas” venceram três e perderam três, com saldo zero, mas engrossando algumas partidas, como na derrota por 2 a 1 para o River. Já o Mengão teve dificuldades contra todos os times que enfrentou no Maracanã ao longo desta competição – e é no Maraca que precisaremos fazer saldo para eliminar os adversários.
O legal dessa época de definições de confrontos é que se define também como serão os encontros, desde as oitavas-de-final até a grande finalíssima. E querem saber? A coisa ficou boa pra nós! Vamos lá: América do México nas oitavas. Viagem longa, mexicanos e altitude “são grandes mas não são dois”. Se passarmos, enfrentaremos o vencedor do confronto Cucuta x Santos. Pelo histórico (já que ambos se pegaram na primeira fase), dá Peixe. Esse sim, ladra mas não morde. Nas semi-finais, enfrentaríamos quem sair dos confrontos River x San Lorenzo / Estudiantes x LDU. River? Qual o quê! Pra mim dá Estudiantes (do craque Verón) na cabeça! Já na final, pegaríamos quem sobrou dessa bodega toda: Boca, São Paulo ou... Fluminense. Fluminense??
Se passarem das oitavas (o que eu já acho difícil), os “coloridinhos” enfrentarão logo nas quartas-de-final o São Paulo. Pra mim, tá longe de ser algum bicho-papão, mas o problema deles começaria (e terminaria também) nas semi: Boca Juniors, amigo. E pra quem não tem tradição... Ou seja: pro Mengão, é América, Santos, Estudiantes e Boca. Esta será a estrada a nos levar rumo à felicidade!
A questão é: pelo segundo ano consecutivo, ficamos com a segunda melhor campanha da primeira fase da Libertadores, o que é digno de respeito. No entanto, nossa cota de “eliminações nas oitavas” já estourou há muito tempo, chega dessa palhaçadinha. E o fato de termos caído no lado menos complicado da tabela só nos enche de esperança! Vamos lá, Mengão! Este TEM QUE SER o ano do Bi!!!!
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Só pra constar: respeito, do lado de lá, não vai faltar. É impressionante como, no mundo do futebol, o Mengão tem uma moral universal. Todo time que descobre que vai nos enfrentar pela Libertadores, expõe este temor ao dizer que enfrentará “al
poderoso Flamengo de Brasil”. Com o Potosí foi assim, com o Bolognesi foi assim. E com o “Mequinha” mexicano não poderia ser diferente:
http://www.esmas.com/clubamerica/notas/726323.html
Bater em América sempre foi nossa especialidade...
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