Amigos rubro-negros, 6 pontos em 2 jogos na competição mais importante. Precisa mais ? Não há dúvidas que numa competição curta como esta, o que importa são as vitórias para ir passando de fase e, com estes 6 pontos, me arrisco a dizer que com mais 2 vitórias nos 2 jogos que teremos em casa estaremos classificados. Com 12 pontos, mesmo que fiquemos em segundo lugar, é praticamente certa a classificação.
Respondendo a pergunta do início, acho que precisamos ainda de muito mais. Primeiro, porque um time com os valores individuais como o nosso pode e deve apresentar um melhor futebol e segundo porque nas fases seguintes os adversários tendem a ser de melhor nível, o que significa que repetir alguns erros será fatal na nossa luta rumo a bi continental.
Como lições aprendidas neste jogo, destaco o fato de mais uma vez terminarmos o jogo com 1 jogador a menos. Um jogo que estava controlado e de repente virou sufoco por termos mais uma vez um jogador expulso, desarrumando todo o esquema tático do time que já não estava jogando muito bem. Como muito bem sinalizou o Ricardo Perez na sua coluna de ontem, inteligência é fundamental numa competição como esta. Agora eu pergunto, por que aquele carrinho do Toró no nosso campo de ataque que resultou no seu primeiro cartão amarelo, ainda na metade do primeiro tempo ?
Tirando esta expulsão, o que menos gostei na nossa atuação foi a saída de bola. Dando todo o desconto para o estado do gramado, exageramos nos chutões para frente. Nossos meias, Kleberson e Pet, devem estar com dor de pescoço, pois só viam a bola passando pelo alto, de um lado para o outro. Quando o Adriano está em campo, ele consegue ganhar esta bola no alto, mas sem ele fica muito difícil. Na primeira, e acho que única, bola que conseguimos dominar no meio, resultou no pênalti que originou o primeiro gol.
Um outro ponto que não gostei foi a entrada do Angelim no lugar do Pet, após a expulsão do Toró. Num primeiro momento, o Andrade poderia ter simplesmente recuado o Kleberson para a cabeça de área deixando o Pet e o Vinícius para fazer a ligação com o Vagner Love. Logo logo o Pet cansaria e ele entraria com o Fierro. Colocando 3 zagueiros como ele fez, esvaziou o nosso meio-de-campo e chamamos o fraco time do Caracas para o nosso campo, facilitando o jogo deles de chuveirinho. Sinceramente temi pelo pior. Acho que aquele interrupção para atender o assistente foi a nossa salvação. Ali, o time se reuniu e se rearrumou em campo, diminuindo um pouco a pressão. Mas mesmo assim, ainda demos espaços para eles nos ameaçarem.
Para não ser tão amargo assim, é importante reconhecer o espírito de luta da equipe que soube sair de campo com a vitória, mesmo com adversidades como 1 jogador a menos, torcida apoiando o outro time e um campo de segunda divisão. Disposição, seriedade e atenção são componentes importantes, principalmente sabendo que nosso time tem jogadores que podem decidir uma partida a qualquer momento como foi com o Vagner Love nesta partida.
Restando 12 jogos até o final, vamos para o próximo desafio no Chile, quando enfrentaremos a Universidade do Chile, agora com Williams, mas sem o Toró, e possivelmente com a volta do Adriano.
ORDEM E DISCIPLINA
Não poderia me furtar em escrever sobre o assunto que dominou a pauta das matérias sobre o Flamengo esta semana. Aliás, se observarmos bem durante os dois meses desde o início da temporada assuntos relacionados às indisciplinas de jogadores têm ocupado bastante espaço no noticiário do nosso clube.
Quem teve a oportunidade de ler a minha coluna Direitos e Deveres de 04/02/2010 (http://www.flamengorj.com.br/coluna/direitos-e-deveres.html) sabe o que penso a respeito dos “privilégios” a jogadores de futebol. Quem conhece um pouco a nossa presidente Patrícia Amorim, como ex-atleta de alto nível em esporte olímpico, pode imaginar o que ela pensa a respeito de treinamento, dedicação e disciplina.
Para simplificar, gostaria inicialmente de registrar os fatos que aconteceram na última semana para que todos entendam a minha opinião :
1. O Adriano não ficou 11 dias sumido do Flamengo como foi noticiado por alguns órgãos de imprensa. Ele faltou ao treino do dia 26/02, dois dias depois do jogo contra a Univ Católica, e ao treino da última sexta-feira, dia 05/03. Neste intervalo, ele esteve servindo a seleção brasileira.
2. Ao retornar da seleção, chegando ao Rio na manhã do dia 04/03, Adriano e Kleberson tiveram a programação feita pelo médico do Flamengo e da seleção, que determinava que eles treinariam sexta, sábado e domingo para poder jogar ontem. Ou seja, eles não jogariam contra o Resende para treinar forte compensando o temo em que ficaram na seleção.
3. Na sexta-feira (05/03), o Kleberson apareceu para treinar como determinado e o Adriano não. Foi quando veio à tona o caso na noite de quinta-feira (04/03) na favela da Chatuba.
4. Nesta sexta-feira, ao irem à casa do jogador, M Braz e Isaías Tinoco viram o seu estado e definiram que ele não reunia as condições para treinar conforme planejado e jogar contra o Caracas. Apesar do pedido do próprio Adriano que queria jogar, eles não concordaram que ele jogasse ontem pelo seu estado físico e psicológico.
5. Na segunda-feira (08/03) os jogadores pediram à diretoria que liberasse o Adriano para viajar e jogar. Solicitação negada.
Minha opinião sobre isto tudo :
1. Não me importa o que jogador faz nas suas horas de folga, desde que não exponha negativamente o nome do clube. Até acho que um jogador profissional deve se cuidar e se preservar para que tenha um bom rendimento físico, mas se o cara se garante tudo bem.
2. No futebol de hoje, o jogador que não treinar, por melhor que seja, não rende em campo. Não tem jeito. A forma física determina todo o rendimento do atleta, permitindo que ele utilize seus recursos técnicos. Fora de forma, fica muito fácil marcá-lo
3. Não é admissível que dois meses após o início da temporada, um jogador do nível do Adriano esteja 8 quilos acima do seu peso ideal. Tanto ele com ocomissão técncia têm responsabilidade nisto.
4. Achei correta a decisão da diretoria e comissão técnica em preservar Kleberson e Adriano da pelada contra o Resende para um jogo mais importante.
5. Também achei acertada, até como punição, terem tirado Adriano do jogo de ontem para treinar a semana toda. Talvez não exista castigo maior.
6. O Adriano foi fundamental na nossa conquista do brasileiro do ano passado, mas nos jogos em que esteve fisicamente bem. Vocês devem se recordar que nas últimas partidas, Goiás e Grêmio, ele estava se arrastando em campo não fazendo gols. Contra o Corinthians não jogou devido àquela queimadura misteriosa.
7. É unânime a opinião dos jogadores, tanto os atualmente no Flamengo como os que já jogaram com ele, que o Adriano é uma excelente pessoa. É notório o carinho que todos têm por ele. Desta forma, fica mais fácil ajudar.
8. Quando contratado, todos sabíamos kit Adriano e seus riscos. Um atacante de nível internacional, mas com problemas pessoais que poderiam prejudicar o seu desempenho.
9. Mesmo com estes últimos problemas, acho que a contratação do Adriano ainda tem saldo positivo não apenas técnico com mercadológico para o clube.
10. O fato de ter problema exige um tratamento diferenciado, mas que não deve ser entendido como privilégio. Ajudá-lo nem sempre significa passar a mão na cabeça. Um puxão de orelhas faz bem. Muitas vezes, nestes casos, a pessoa sabendo que tem problema se faz de vítima para evitar uma punição maior. Não se trata de puni-lo por punir, mas de chamá-lo à responsabilidade e fazê-lo ver que ele é um privilegiado, mas por ter tido uma origem humilde e ter chegado aonde chegou, pelos próprios méritos.
11. Tenho dúvidas se a pressão crescente, partindo até do seu próprio empresário, para retornar ao futebol europeu não o tenha feito se desequilibrar novamente.
E vocês, o que acham ?
PREGUNTA QUE NÃO QUER CALAR
Tinha imaginado uma pergunta, mas já sabemos a resposta. A pergunta seria em quanto tempo a noiva voltaria para o Adriano.
Saudações rubro-negras