Amigos rubro-negros, desculpem-me por repetir o título da coluna passada, mas depois da partida de ontem contra o Internacional o sentimento que veio foi de alívio por finalmente ver alguma coisa parecida com um time de futebol vestindo a camisa do Flamengo.
Antes que a euforia tome conta de todos, deixe-me explicar que apesar deste alívio por ver um time, considero que ainda estamos distantes do ideal e muita coisa tem que ser feita neste final de temporada para que entremos em 2011 devidamente organizados dentro e fora do campo para não repetir os mesmos erros cometidos em 2010.
Nestes oito jogos que nos restam no ano, o importante é manter uma regularidade, somar o mais cedo possível os 9 pontos que matematicamente nos garantem na Série A para poder iniciar o planejamento de 2001 o quanto antes.
Na minha opinião, as razões pela melhoria do time foram:
- a postura forte do técnico Wanderley Luxemburgo, que com sua personalidade e experiência passa muita confiança aos jogadores, confiança esta fundamental para o exercício de qualquer profissão, ainda mais no esporte onde já está provada a importância do equilíbrio emocional para a prática com alto desempenho;
- disponibilidade de uma semana inteira para treinar. Não sei se mudaria muita coisa, mas justiça seja feita ao Silas, jamais ele teve uma semana para treinar o time;
- o dedo do técnico que notoriamente vem exigindo mais nos treinamentos, principalmente compactação do time;
- a melhora da forma física de alguns jogadores;
- a volta do Maldonado que muita simplicidade consegue dar consistência ao sistema de marcação e saída de bola do time;
JOGO DE CINTURA
Quem observa os primeiros dias de trabalho do Luxemburgo e quem pôde ver sua participação no último programa Bem Amigos do SporTV, percebe que o seu discurso, em essência, é o mesmo do discurso Zico, ou seja, valorização dos jogadores formados no clube, melhoria da infra-estrutura de treinamento para todas as divisões do futebol e comprometimento dos jogadores com o projeto do clube.
O que difere os primeiros dias do técnico com os quatro meses do Zico?
Muito jogo de cintura.
Malandro como é, nascido e criado no Rio de Janeiro e com cerca de 20 anos atuando como técnico em times profissionais do país, além de uma experiência no Real Madri, deram ao Luxemburgo bagagem para saber as mazelas que rondam o futebol de hoje, como o poder descabido de empresários e subserviência de dirigentes a estes empresários. Para ilustrar esta situação Luxemburgo até mencionou que este empresários atualmente fazem parte da comissão técnica dos times, na medida que influenciam diretamente seus jogadores com relação à maneira que os técnicos desejam que joguem.
Um absurdo, né ??!! Mas a pura realidade. Neste cenário, Luxemburgo sabe exatamente o meio em que está inserido e que não vai mudar isto de uma hora para outra.
Pois bem, foi esta malandragem que faltou ao Zico em seu curto período na Gávea este ano. Zico estava certíssimo em tudo que falou, mas talvez tenha se exposto muito e criado muita resistência em tentar impor um choque de realidade do dia para noite. Há versões que esta resistência não veio apenas de ex-dirigentes, ou de atuais dirigentes que apoiam a presidente, mas também de próprios membros da comissão técnica e de jogadores. Será? Prefiro não acreditar.
Com relação à atuação do Luxemburgo, identifico alguns riscos:
- com sua forte personalidade, ele tende a ser centralizador, o que não é recomendável em qualquer circunstância;
- o clube precisa evoluir organizacionalmente, com ajuda do Luxemburgo mas sem depender excessivamente dele. Passagens dele por outros clubes, mostraram um considerável declínio após a sua saída. Isto significa que tudo dependia dele;
- o relacionamento dele com empresários é bastante controversa. Voltando ao ponto da excessiva centralização, ele não apenas indica jogadores como negocia, em muitos casos, com seus empresários. Numa estrutura realmente profissional, o técnico deve indicar posições carentes no elenco, pode até indicar potenciais reforços, mas não deve ir além disso. No clube, deve haver uma equipe profissional, responsável por analisar os possíveis reforços nas posições indicadas como carentes, inclusive os indicados pelo treinador, avaliar se tecnicamente são aceitáveis, se seu comportamento está alinhado com os princípios do clube, e se as condições financeiras estão dentro da realidade planejada para então negociar com seus empresários.
COM ZICO PELO FLA
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Saudações rubro-negras