Amigos rubro-negros, gostaria de estar escrevendo sobre nossas chances de título no Brasileirão ou ao menos uma vaga no G4. Há cerca de um ano, em 29/10/2009, escrevia justamente sobre isto durante o campeonato de 2009, quando havíamos perdido na véspera para o Grêmio Barueri por 2 x 0, mas estávamos a apenas 1 ponto do G4.
Infelizmente, este ano muitas coisas mudaram e para pior. Estamos sem chances de título e de vaga na Taça Libertadores de 2011, mas também não podemos ainda planejar 2011 porque estamos numa área perigosa da classificação a apenas 5 pontos do primeiro time na zona de rebaixamento, faltando ainda 6 jogos.
Portanto, devemos manter o foco na competição e tentar obter os 7 pontos que nos garantem na Série A o mais rápido possível e, aí sim, poder sentar, refletir e planejar a próxima temporada. Observo muita gente falando em dispensas e reforços se esquecendo do risco, pequeno é verdade, que ainda corremos quanto ao rebaixamento.
Este tipo de assunto inevitavelmente não fica limitado à torcida ou à imprensa. É lógico que chega aos jogadores e é justamente aí que mora o perigo. Jogador ouvindo falar que o clube procura reforços para a sua posição, jogador ouvindo seu nome numa possível barca a zarpar no final do ano. Por mais profissional que seja, este jogador sente o clima e transfere para dentro do clube esta insegurança.
Minha sugestão é que o clube viaje na segunda-feira para Fortaleza, onde joga na quarta-feira contra o Ceará e continue concentrado até domingo quando pega o Atlético-PR no Rio. Encarar estes jogos como duas decisões para se distanciar ao máximo do 17º colocado e poder ter mais tranquilidade nos demais jogos.
PILOTO DE AVIÃO
Um tema que gostaria de ter abordado na semana passada, mas que optei por fazê-lo somente nessa, foi o debate que houve no espaço dos comentários sobre a importância do treinador no time de futebol. Quanto maior a importância do treinador num time, maior deve ser a sua experiência na profissão de modo a poder atender às expectativas de todos em torno do seu trabalho.
Este assunto é bastante complexo de modo que é impossível quantificar o percentual de importância do treinador num time. A importância do treinador para um time depende de dos seguintes fatores:
· Tamanho do clube – quanto maior for o clube maior a importância de ter um treinador experiente, pois a pressão é totalmente diferente em função do tamanho do clube que ele representa. Dias destes ouvi uma analogia que achei perfeita, comparando o treinador com piloto de avião. No início da carreira, o treinador/piloto deve dirigir teco-teco, depois passando para bimotores e progressivamente aumentando o porte das aeronaves, em função das horas de voo, até chegar aos boeings ou airbus.
· Estrutura do clube – quanto melhor for a estrutura do clube, menor a importância do treinador. O fato do clube manter salários em dia, possuir um CT com todos os recursos, um departamento de futebol organizado com dirigentes profissionais, médicos, fisiologistas, fisioterapeutas e nutricionistas diminui a importância do treinador. No caso contrário, cabe a o treinador compensar as deficiências de estrutura com sua experiência de modo a minimizar o impacto na equipe;
· Líderes na equipe – quanto mais líderes houver na equipe, menor a importância do treinador. Estas lideranças, positivas obviamente, chamam a responsabilidade para si, dentro e fora do campo, integrando e motivando todo o elenco em torno de um objetivo comum;
· Time-base – ter um esquema montado com jogadores já entrosados diminui a importância do treinador no time. No inverso, se o time está numa fase de transição com a saída de muitos jogadores, a importância do treinador aumenta significativamente na medida que ele devera praticamente reconstruir um time.
· Aspirações do clube – num clube que pretenda apenas disputar campeonatos regionais ou mesma os nacionais, mas apenas com o objetivo de se manter na divisão em que esteja, a importância do treinador diminui. Por outro lado, num clube que ambicione títulos nacionais e internacionais a importância do treinador cresce.
Analisando o cenário atual do Flamengo, clube de maior torcida do mundo e que, por isso, deve sempre entrar nas competições nacionais e internacionais para disputar título, mas que não possui uma estrutura profissional, não tem líderes em seu elenco e perdeu recentemente peças-chaves que destruíram a base do time, precisamos de um técnico bastante experiente para poder reconstruir o time mesmo nestas adversidades.
Entretanto, mesmo nestas condições, considero uma ameaça real ao clube ficarmos excessivamente dependente do treinador, delegando a ele atividades como organizar a estrutura de treinamentos até negociar reforços. Devemos sim a aproveitar sua experiência para contribuir com o desenvolvimento da estrutura de forma que o clube progrida e que no caso quase que inevitável de que amanhã, ou ano que vem, quando o treinador deixar o clube o trabalho não sofra uma forte descontinuidade.
COM ZICO PELO FLA
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Saudações rubro-negras