segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Vamos arrumar a casa
Depois de quase 6 semanas ausente preciso começar a coluna dizendo: eu acredito no Zico. Sempre quis Zico no lugar que ele está. Ainda não é o ideal porque ele depende de muita gente (presidenta, patrimônio, tesouraria) para fazer o que quer, mas ele nunca esteve tão perto do lugar que é o ideal para ele: comandando o futebol do Flamengo. Com ajustes como orçamento próprio, conclusão do CT e autonomia administrativa, Zico vai finalmente poder fazer um grande trabalho. Falei em “ajustes” mas na verdade é bem mais que isso. Nada no Flamengo é fácil. As mudanças são sempre seguidas de guerras internas, brigas, troca de acusações e muito jogo sujo. O que o coitado do Zico tem feito até agora ainda é pouco para o que ele pretende, mas para se fazer um trabalho honesto e que não traga prejuízos ao Flamengo num futuro, era previsível que ia ser assim mesmo e não esperava menos dificuldade. Lamento ler que muitos rubro negros não entendem isso. O que o Zico tem feito até agora foi tapar buracos, fechar rachaduras e lutado insanamente contra muita gente contrariada.
Montar um time? Ele ainda nem chegou perto de conseguir fazer isso, muito por conta da eterna dificuldade financeira do Flamengo e, ao que me parece, um pouco por conta da velha e conhecida sabotagem do meio empresarial. A gente que acompanha o futebol a algum tempo, mesmo que só superficialmente por meio de jornais ou noticiários, sabe bem como é o meio do futebol. Junior Capacete sofreu o diabo com gente graúda dentro do próprio Flamengo. Alguém duvida que Zico esteja sofrendo do mesmo mal? Por exemplo, eu acho estranhíssimo que qualquer nome especulado pelo Flamengo chegue na mídia antes mesmo do Zico ao menos ligar para o jogador ou empresário.
Mas tenho confiança que Zico vai superar tudo isso. Se for para escolher ganhar outro brasileiro ou organizar a casa, acho que nenhum rubro negro tem a mínima dúvida sobre o que escolher. Claro que eu gostaria de ganhar tudo, mas sem dúvida a prioridade agora deve ser organizar o futebol do Flamengo, dar finalmente a tão sonhada autonomia. Sei que vou sofrer até o final do campeonato, como já estou sofrendo com esse ataque (de nervos, na verdade), mas prefiro que venha logo essa mudança que sempre foi postergada. O Flamengo ainda tem muito para se corrigir dentro de campo, mas tem muito mais para se consertar fora de campo. A vida do Flamengo sempre foi mais atrapalhada por fatores fora de campo do que por fatores dentro de campo. Além disso, se é para conseguir jogador bom e montar bons times, que tragamos de volta então o Kleber Leite. Mas vai ser mais um tempo de paralisia, vai ser mais um postergamento. A maior prova é recente, uns 6 meses atrás. O Flamengo ganhou um campeonato brasileiro mas o sufoco financeiro e a bagunça administrativa continuam. Além disso, chega de malabarismos financeiras. É por causa desses malabarismos financeiros que o Flamengo hoje vive um sufoco financeiro tremendo. Menos de um ano atrás o Flamengo foi obrigado a pagar uma dívida ao Atlético de Madrid referente ao Gamarra (faz quase 10 anos que ele passou pelo Flamengo). Na época, mais um malabarismo financeiro que empolgou a torcida mas que hoje veio para sufocar ainda mais nosso ralo orçamento. E esse é só um exemplo dentro de um monte que de vez em quando estoura no Flamengo e abocanha boa parte de nossas receitas.
Fato também é que o Zico está quase sozinho. A Patricia Amorim deu desnecessariamente alguns passos para trás. Os bons projetos de marketing foram abandonados, o acordo com o governo chinês para conclusão de nosso CT também foi jogado no lixo. Enfim, Patrícia só está fazendo o que todo dirigente do Flamengo fez nos últimos anos, sem esquecer que foi ela que detonou o contratação do Felipão pelo Flamengo ao alardear a chegada dele. Na verdade, a presença dela na presidência do Flamengo só tem até agora um fator positivo que é justamente a chegada do Zico. Fico pensando como não estaria a situação do Flamengo se o Zico não tivesse chegado. A cartola Patrícia é o maior incentivo que precisamos para sem dúvida alguma querer ainda mais a autonomia do futebol rubro negro.
Jogo fraco
Não sei se vale a pena comentar sobre o jogo do Flamengo contra o Ceará. Em que pese a forte (e muitas vezes desleal) marcação do time do Ceará, o Flamengo fez de tudo para sair com mais uma empate neste sábado. Nos minutos iniciais deixamos o Ceará tomar conta do jogo, ficamos recuados e sem conseguir ao menos sair de nosso campo, fato agravado pelos pífios erros de passes em toda saída de bola. Só conseguimos começar a jogar após 20 minutos de jogo e mesmo assim continuamos errando nos passes e alguns exagerando na posse de bola. Foi um jogo de muitos erros dos dois lados e de muita marcação no meio campo.
O caminho para nossa vitória mostrou-se ser pela direita. Léo Moura fez uma boa jogada e cavou um pênalti (será que alguém deu um puxão de orelha nele como deram no Vinícius Pacheco?). Minutos mais tarde o Williams fez jogada semelhante e o juiz deu pênalti no que para mim parece uma disputa de corpo pela bola.
Vitória rubro negra mas sem mérito algum. Hoje identifico no Flamengo dois problemas principais. Primeiro é sem dúvida a falta de qualidade no ataque. Val Baiano foi artilheiro do brasileiro ano passado mas, em que pese ele estar fora de forma física, ele é só um empurrador de bola, nada mais que isso. Leandro Amaral, mais de um ano sem jogar bola, mostrou muito mais inteligência no hora de tocar a bola do que o VB. Enfim, o ataque é um grande problema e não sei como será solucionado esse problema. Mas sendo coerente, espero que venha alguma solução, desde que o preço não seja mais um malabarismo.
O outro problema é o técnico. Reconheço boa vontade no Rogério Lourenço, gostei quando soube que ele seria técnico do Flamengo, mas ele não está conseguindo fazer o time jogar bem. É fato que nossa defesa melhorou muito (são 3 gols sofridos em 7 jogos) mas não me conformo com os excessivos recuos que o Flamengo dá. Contra o Ceará, no maracanã? É inaceitável. Pode até não ser culpa dele pois nos minutos iniciais dava-se para ver ele da beira do campo mandando o time ir para frente, mas se ele treina o time de segunda a sexta e na hora os caras não obedecem, a culpa vai ser de quem?
Enfim, ainda nem chegamos na metade do campeonato mas se nada mudar no elenco ou no comando, tudo indica que o papel do Flamengo não vai ser defender o título, mas sim brigar por uma posição intermediária e talvez, com muita sorte e muita luta, sonhando alto, beliscar uma libertadores. É pouco para o Flamengo, mas a meu ver o grande interesse do Flamengo neste segundo semestre tem que estar fora do campo. Se chegarmos ao final do ano fazendo as mudanças necessárias para dar autonomia ao futebol do Flamengo, a sensação para mim vai ser de uma conquista de campeonato.
Abraços a todos, boa semana e saudações Rubro Negras