Véspera de Flamengo x Vasco, semifinal da Taça Rio. Adriano treina, sente algumas dores. Diz que não está 100%, "mas a hora é de sacrifício, o time precisa de mim". Ele quer ir pro jogo de qualquer maneira.
Segunda-feira, faltam dias para Universidad Católica x Flamengo, jogo decisivo pela Libertadores. Adriano treina normalmente e os médicos afirmam que ele está recuperado clinicamente. Porém, se diz sem confiança e pede para não jogar.
A diferença de comportamento entre os dois jogos - um perto de casa, pela competição regional; outro longe, pelo torneio mais importante da temporada - parece gritante. O que diabos está acontecendo? Estaria Adriano valorizando mais os jogos em seu quintal, contra os adversários locais, do que a tão sonhada Libertadores? E estariam os chefes do futebol rubro-negro permitindo que isso aconteça? Se é isso mesmo o que está acontecendo, os dirigentes então concordam com isso? O tetra carioca vale mais do que o título sul-americano?
São perguntas inevitáveis. A irritação de boa parte da torcida é indisfarçável. Todo o carinho pelo Imperador demonstrado por muita gente em seus recentes momentos de dificuldade é posto à prova diante da suspeita de que, afinal de contas, Adriano está pipocando na Libertadores, tirando o corpo fora, para se poupar pro jogo de domingo contra o Botafogo.
Pode ser que não seja nada disso. Afinal, sendo justo, Adriano disse que queria jogar contra o Vasco, mas não jogou. Ele pode ter sentido a contusão naquele meio tempo e isso tenha realmente afetado gravemente sua autoconfiança. É. Pode ser.
Mas hoje um jornal popular do Rio de Janeiro foi visto pendurado nas bancas da cidade perguntando em sua primeira página: "Pipocou?" E é esta a pergunta que não quer calar. Se não é isso o que está acontecendo, se as aparências estão enganando, se ninguém por lá está arriscando o futuro na Libertadores pra se garantir melhor num Estadual que levou meros 40 mil pagantes ao Maracanã em dois clássicos somados no último fim de semana, seria de bom tom se não só Adriano, mas também seus chefes viessem a público e esclarecessem a situação. Afinal, só quem falou da ausência do principal jogador do time do jogo mais importante do ano até agora foi um médico, que deixou claro que o cara está bem e pediu pra não jogar. Do jogador, do vice de futebol, da presidente, do supervisor - destes todos, nem uma palavra.
E hoje Adriano esteve na Gávea, treinando normalmente e "arriscando jogadas de efeito". Na boa: tá pegando malzão.
• ANDRÉ MONNERAT trabalha com marketing e Internet e escreve também no SobreFlamengo (sobreflamengo.blogspot.com e twitter.com/sobreflamengo)