Amigos rubro-negros, a vitória de ontem contra o Guarani trouxe alívio, apenas isto. Embora matematicamente ainda não estejamos livres do rebaixamento, somente uma combinação muito desfavorável, ou seja, um alinhamento de planetas poderá resultar nesta catástrofe.
Mesmo assim, nada temos a comemorar. Acho o cúmulo quando clubes grandes celebram a permanência na primeira divisão como se um título fosse. Aliás, acho um absurdo quando diretorias destes clubes ainda estipulam prêmio a jogadores, super bem remunerados, por livrar o clube do descenso. Neste sentido, minha sugestão é de que os jogadores atuais doem a uma instituição de caridade o prêmio de R$15.000 que receberão caso o Flamengo não seja rebaixado.
FLA X GUARANI
Mais um jogo em que nosso time não jogou bem. Mesmo dando um desconto bem generoso pelo contexto emocional da partida, não apresentamos na maior parte do tempo um futebol consistente contra uma equipe fraca como a do Guarani.
Apesar do gol no início, levamos o empate em seguida e conseguimos voltar à frente do placar num momento chave da partida, uma vez que a torcida já demonstrava os primeiros sinais de impaciência. Depois disso, cozinhamos o jogo sem correr grandes riscos, a menos das excessivas faltas desnecessárias na nossa intermediária que proporcionavam a única jogada de perigo deles, através da cobrança do Baiano.
Mais uma vez não gostei da escalação inicial do time. Entendi e respeito a idéia do Luxemburgo em priorizar jogadores experientes neste momento do campeonato. Concordo que devamos cobrar mais destes medalhões do que da garotada, mas este critério de experiência deve servir como uma espécie de desempate quando tenhamos dois jogadores mais ou menos no mesmo nível para uma mesma posição, o que definitivamente não acontece com Kleberson e Deivid que há muito tempo nada jogam. Por ajuda divina, Deivid se lesionou no meio do primeiro tempo dando chance para entrada do D Maurício, nosso melhor atacante atualmente, o que diga-se de passagem não chega a ser um grande mérito.
Pois bem, somente sem estes dois jogadores, a partir da metade do segundo tempo, o time conseguiu evoluir melhor, jogando com um pouco mais de velocidade e, quando necessário, sabendo segurar a posse de bola.
M LOMBA
Apesar de achar que houve falha coletiva, pois aquela bola não pode passar naquela altura, M Lomba não foi bem na bola e falhou mais uma vez no gol do Guarani.
Se ele, ao menos na minha opinião, vinha relativamente bem no campeonato, nos últimos 4 jogos falhou em três deles, o que sem dúvidas pode prejudicar a sua sequência como titular no próximo ano.
Por princípios, costumo ser bem mais paciente com jogadores novos e formados no clube, pois entendo ser mais fácil fazê-los render e crescer do que apostar em novas contratações. M Lomba é jovem com boa formação pessoal e tem que reagir.
Em se tratando de goleiro, o futebol é cruel. Se um atacante pode perder inúmeros gols, pode perder pênaltis, mas se fizer um golzinho decisivo se consagra. Por outro lado, o goleiro pode defender todas as bolas, mas se falhar uma única vez estraga tudo.
Time como o Flamengo não pode ter goleiro no qual nem time nem técnico nem torcida sintam confiança. Portanto, necessariamente teremos que avaliar ao final da temporada as opções de goleiros disponíveis e acessíveis no mercado, para decidir se contratamos um novo titular ou continuamos com o que temos.
ESTÁDIO
Prometi falar esta semana do estádio, então vamos lá.
Não conheço projeto, aliás nem sei se existe um projeto na realidade, mas me parece estranho como a prefeitura de Duque de Caxias oferece um terreno que não lhe pertence para o Flamengo construir o seu estádio. Para quem não sabe, o terreno apresentado pertence à Marinha do Brasil. Mesmo que o terreno pertencesse à prefeitura, como pode um prefeito “doar” o terreno para um clube de futebol. Legalmente isto é contestável.
Como todo o respeito que os rubro-negros da baixada merecem, em especial os de Duque de Caxias, mas não sou a favor de um estádio naquela região.
O fato é que não podemos mais chamar de estádio, pois o conceito atual é de arena, na qual existe um conjunto de atrações de lazer, como lojas, cinemas, museu, espaço para shows e um estádio de futebol.
E por que não em Caxias, onde a população de lá merece tanto quanto de outras regiões um espaço para lazer?
Porque este complexo também serve como importante ponto turístico da cidade e construir esta arena muito distante do centro do Rio, inibiria um considerável número de visitantes. Para quem não sabe, o Maracanã perde apenas para o Corcovado como ponto turístico mais visitado na cidade do Rio de Janeiro, tendo cerca de 1.000 visitas por dia.
Agora vocês imaginem, o estádio do Flamengo como atração turística da cidade do Rio, recebendo turistas nacionais e domésticos, podendo ainda englobar um hotel. Rubro-negros de fora do Rio, imaginem vocês passando uma temporada no Rio, no hotel do Flamengo e visitando o estádio.
Numa rápida projeção, considerando o ingresso de R$20,00 por visitante, o mesmo do Maracanã, poderíamos auferir uma receita anual na ordem de R$6 milhões, somente com turismo, uma das indústrias que mais crescem no mundo. E se pensarmos ainda na venda de produtos do clube em lojas conjugadas, quanto poderíamos arrecadar?.
Por esta visão, acredito que nosso estádio, ou melhor nossa arena, deva ser construída na Barra da Tijuca ou na Zona Portuária, a qual já possui um projeto de revitalização lançado pela prefeitura do Rio de Janeiro, já com a perspectiva das Olimpíadas em 2016.
De positivo, a entrada deste assunto na nossa pauta. Por pior que esteja a nossa situação financeira, o potencial da marca Flamengo atrai investidores que como sócios do projeto viabilizariam a construção desta arena. Diferentemente de um Centro de Treinamento, que não possui retorno financeiro, um complexo esportivo por tudo que falei acima pode se tornar real desde que feito com profissionalismo e transparência.
Vamos aguardar os próximos capítulos.
Saudações rubro-negras