A passos de cágado caminham as negociações de patrocínio envolvendo o futebol profissional do Flamengo – problema que não se verifica nos esportes amadores, muito bem conduzidos pelo dirigente João Henrique Areias. Um mês após o basquete rubro-negro (ilha de excelência no Clube de Regatas) fechar um pequeno patrocínio com a Loterj, ontem foi fechado com celeridade um novo patrocínio para a camisa do basquete: Trata-se da Cia do Terno, empresa especializada em ternos e roupas sociais a preços acessíveis. Informações veiculadas no site “Máquina do Esporte” deram conta de que esta negociação aconteceu porque problemas técnicos viriam inviabilizando a exposição da marca da rede de loterias na camisa do time de basquete. Acredito que haja um equívoco na notícia, uma vez que o escopo dos dois patrocínios é diferente. A Loterj não negociou exposição em camisa, seu patrocínio contemplava apenas placas de publicidade e iniciativas de marketing, o que explicaria o baixo valor (R$ 80 mil em 4 parcelas). Já a Cia do Terno fechou negócio por dois meses (até o fim da Liga de Basquete), por R$ 400 mil, valor suficiente para bancar a folha salarial pelo período. Todos esperamos que o patrocínio vingue e que a empresa renove por períodos mais longos. Os valores são excelentes, pois equivalem a R$ 2,4 milhões anuais – 15% daquilo que se negocia para o time de futebol. Trata-se de uma proporção respeitabilíssima.
A rapidez nos esportes olímpicos (todo o negócio com a Cia do Terno foi fechado em 5 dias) contrasta com o arrastar das negociações do futebol. Também pudera, segundo o presidente em exercício, seriam quatro as negociações em andamento: uma com um banco, uma com uma empresa de laticínios, uma com a Fiat e outra com a favorita Cosan, maior produtora de derivados de cana-de-açúcar no mundo. Confesso que a representatividade mundial deste segmento de mercado (em tempos de valorização do etanol brasileiro) tornam atraentes as possibilidades de um desfecho positivo deste patrocínio. Expor a marca de um banco brasileiro, seja qual for, também não seria mau negócio: passaram incólumes à crise bancária mundial e se tornaram modelo de administração e proteção contra o risco. É sempre importante alinhar a imagem do clube a marcas vencedoras e respeitáveis. Empresas de laticínios encontram-se alguns degraus abaixo neste suposto “ranking de respeitabilidade”. Já a Fiat, por mais que seja uma das maiores montadoras do mundo (e também um modelo de empresa blindada contra a crise mundial, estando prestes a tomar controle da americana Chrysler) nunca teve um histórico de parcerias longas com clubes brasileiros. Já patrocinou diversos deles, mas a grande maioria por apenas uma temporada. Não acho vantajosos patrocínios deste tipo, que não permitem a solidificação da parceria, e atrapalham todo e qualquer planejamento que não o de curto prazo.
De qualquer maneira, o importante é que o Flamengo evolua e acerte por valores acima dos recebidos em temporadas anteriores, de modo a tomar o rumo do maior patrocínio esportivo do Brasil, ou algo próximo a isto – principalmente porque tudo indica que outra parceria se dará para exposição de patrocínio nas mangas. Qualquer valor inferior a R$ 22 milhões anuais na soma patrocínio principal + patrocínio de mangas será considerado por mim um grande revés. Até porque, urge que o Flamengo faça valer de seu poder de barganha (uma vez que vem sendo “disputado” no mercado privado) e minimize os vultosos prejuízos resultantes destes quatro meses sem receber um tostão sequer. O rombo financeiro, que já fez nossa dívida ultrapassar a casa dos R$ 300 milhões de reais e que resulta no atraso de até cinco meses nos direitos de imagem dos atletas, pode começar a fazer vítimas. Noticiou-se ontem (por mais que depois tenham desmentido) uma possível transferência de Leonardo Moura para o Inter. Não a Inter de Milão, mas o de Porto Alegre, simplesmente nosso provável adversário das quartas-de-final da Copa do Brasil. O objetivo seria exatamente enfraquecer um adversário direto na luta pelo título, uma vez que por já ter jogado pelo Flamengo no torneio, Leo Moura não poderia defender o Colorado. Mesmo que de fato não aconteça, possibilidades como essa se vislumbram reais em épocas de jogadores insatisfeitos e com vencimentos atrasados, e remetem aos pavorosos anos pré-2006, quando jogadores inexpressivos recusavam o Flamengo.
Continuamos aguardando uma solução para os problemas financeiros do clube.
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