Amigos rubro-negros, definitivamente não concordo com a tese defendida por alguns da mídia e endossada por muitos aqui no site que o Flamengo tem a obrigação de conquistar a vaga na Copa Libertadores 2012.
Obrigação da diretoria é dar condições à comissão técnica e jogadores de exercerem a sua profissão, pagando salários em dia e disponibilizando infraestrutura para o seu desempenho dentro das expectativas. Obrigação da comissão técnica é integrar o grupo de jogadores montando uma equipe onde a meritocracia seja um critério para escalação da equipe e cobrando dos jogadores empenho e dedicação não apenas nos jogos como nos treinamentos.
Obrigação dos jogadores é ter um comportamento compatível com a de um profissional do esporte, cuidar da sua saúde, se empenhar nos treinamentos e cumprir as determinações táticas do treinador. Obrigação da torcida é apoiar o time, seja qual for a escalação, pois não torcemos pelo jogador A ou pelo jogador B, torcemos pelo Flamengo.
O resto, título ou vaga na Libertadores é consequência do cumprimento desta série de obrigações.
2008 ou 2009 ?
Faltando seis rodadas para o fim do campeonato, estamos numa posição complicada na tabela, na medida que clubes como Inter e Figueirense se aproximam do G5. Qual será o nosso destino, o de 2008 quando também ficamos quase que todo o campeonato na zona da Libertadores, mas morremos na praia com o Caio Jr ou o de 2009 quando não estivemos na zona da Libertadores e acabamos campeões ?
Para ver como o futebol não é uma ciência exata, eu tinha muito mais confiança em 2008 do que em 2009, porém os resultados foram diferentes à minha expectativa. Entretanto, ainda defendo a tese que nosso título de 2009 foi um acidente na medida em que não houve um planejamento para a competição e ninguém poderia garantir que o Adriano teria aquela importante participação, nem que o Pet ressurgiria das cinzas, muito menos que Zé Roberto se encaixaria naquele time e que o Andrade conseguiria levar o time ao topo.
Antes que os apressados se empolguem dizendo que não adianta planejar e o negócio é ganhar, coloco que o planejamento não é garantia de bom resultado e que bom resultado também pode ser obtido a qualquer custo, mas planejando a probabilidade de que tenhamos bons resultados é muito maior e, o principal, planejando podemos ter uma sequência de bons resultados.
Para exemplificar o que escrevi acima, basta ver o que aconteceu no início de 2010, quando justamente pagamos o alto preço pelo não planejamento, com vários contratos se encerrando ao mesmo tempo e o clube sem recursos para garantir a continuidade dos resultados.
O PROFESSOR
Dentro da coerência que procuro manter, e respeitando opiniões contrárias, considero um absurdo demitir um treinador faltando exatos um mês para o término da temporada ou seis rodadas para o fim do campeonato. Sempre defendi a continuidade dos trabalhos, pelo menos até que uma avaliação final possa ser feita de cabeça mais fria, ponderando pontos positivos e negativos do período, medindo os efeitos financeiros de uma dispensa, avaliando alternativas disponíveis no mercado para se tomar uma decisão sustentável e racional. Isto é profissionalismo. É isto que sempre cobramos dos nossos dirigentes.
Somente numa situação extrema na qual observa-se que o treinador não possui mais ascendência mínima de liderança junto aos jogadores é que uma situação desta seria justificável. Foi exatamente o que aconteceu na troca do Cuca em 2009, a única situação que defendi tal medida no meio de uma competição.
Voltando a 2011 e ao Luxemburgo, não concordo com algumas opções dele, especialmente Welinton e Renato Abreu (vejam na coluna de ....), mas qual treinador é unanimidade em suas escalações? Tem gente, mais uma vez com todo o respeito, que critica o defensivismo do Luxemburgo ao escalar três volantes e pede o Joel que escalava quatro.
Luxemburgo paga o preço pelo seu perfil centralizador. É um autêntico para-raio. Isto não é bom para ele, nem para o clube, muito menos para os jogadores. Para o clube não é bom porque muitas vezes sinto que a diretoria se esconde atrás dele nas decisões mais polêmicas, como a contratação do Adriano e a punição ao Williams. Para os jogadores não é bom porque não são cobrados por má atuações ou questões de comportamento. O professor sempre assume.
O MODELO
Não concordo com a mudança do treinador neste momento, mas acho que uma oportunidade para discutirmos o modelo de gestão do clube.
Por exemplo, trocando o treinador ao final da temporada, teríamos duas opções : contratar um outro de ponta ou um treinador novo. A primeira opção acho que seria trocar seis por meia dúzia, pois viria um treinador ganhando quase que a mesma fortuna e com as mesmas manias. Uma troca por um treinador mais jovem seria, sem dúvida, sucedida por enorme pressão de todos os setores sob a alegação que não seria um treinador do porte do Flamengo e na primeira sequência de maus resultados estaríamos nós trocando novamente de técnico.
Para quem não leu, escrevi uma coluna em junho de 2010 criticando os elevadíssimos salários que os falidos clubes resolveram pagar aos super-técnicos. Entendo que esta situação é consequência da falta de dirigentes profissionais competentes no mercado brasileiro, fazendo com os dirigentes amadores optem por pagar esta fortuna aos treinadores quase que transferindo a eles a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso do time.
Combinando esta fraqueza gerencial nos clubes com a vaidade e o perfil centralizador da maioria destes treinadores de elite, temos uma perigosíssima situação na qual um clube ao dispensar este treinador por maus resultados é obrigado a recomeçar do zero tudo o que foi feito no período anterior.
Desta forma, torna-se insustentável um clube a cada troca de treinador, trocar toda a comissão técnica, dispensar uma dezena de jogadores indicados pelo antecessor e pedir uma lista com contratações de jogadores com os quais teve sucesso em outros clubes, mas sem garantia que terão o mesmo sucesso no Flamengo.
Portanto, uma mudança real seria montar uma estrutura profissional no departamento de futebol, com cargos e funções bem estabelecidas, havendo uma comissão permanente responsável por contratar e dispensar jogadores, garantindo assim a continuidade de um trabalho. Ao treinador caberia o trabalho de campo, montando taticamente o time com os jogadores disponibilizados.
Qual treinador atualmente se sujeitaria a isto?
Saudações rubro-negras.