quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

É claro que 2011 termina com sabor de frustração e nos deixando motivos para lamentar. Mas DE FORMA ALGUMA há motivo para nos envergonharmos.
Fora a conquista da Copinha e a revelação de uma garotada pra lá de promissora, fomos campeões Cariocas INVICTOS, perdemos a chance de chegar à final da Copa do Brasil em um lance (não invalidado) em que, nitidamente, o atacante do Ceará dominou a bola com a mão e disputamos (desde as primeiras rodadas) a ponta do Brasileirão. Sem falar que fomos a equipe com menos derrotas (OITO) no ano, dentre todos os clubes do país. O segundo melhor entubou mais do que o dobro disso.
Para quem gosta de dizer que o “Carioquinha” não conta, lembro que das quatro melhores equipes do país, três são daqui.
E quem é o Campeão do Rio? Quem tem mais títulos no Rio? Quem terminou o ano invicto no confronto direto contra essas equipes cariocas (como não acontecia há um século)?
Vergonha estou sentindo por um incômodo sentimento que não consigo evitar e que não fazia parte do meu grande repertório de defeitos.
Sim, amigos, desgraçadamente, me surpreendo sentindo INVEJA da equipe do “cinto de segurança”. Não da sua colocação no campeonato.
Como já dizia Nelsinho Piquet: O segundo é o primeiro dos últimos. Ser segundo, terceiro ou quarto só não deu no mesmo porque significou que vamos ter que jogar, mais uma, e DESUMANA, vez, na casa de, literalmente, extraterrestres.
Minha inveja é da consciência, do comprometimento, da dedicação e da responsabilidade de um grupo que não abriu mão da disputa do título Brasileiro (como o poderoso Santos fez), apesar de já estar com a vaga da Libertadores no bolso.
Inveja de um time, tão envelhecido (ou mais) quanto o nosso, que disputou, até o final e PRA VALER, duas competições simultâneas dificílimas, mesmo com seus titulares sendo obrigados a jogar duas vezes por semana.
Se o nosso grupo, com a qualidade técnica que sabemos possuir, tivesse exibido esses mesmos predicados, não tenham dúvidas, teríamos posto a mão no caneco com rodadas de antecedência, mesmo sem Maraca, pênaltis, decência das arbitragens e apesar das convocações cirúrgicas e da DESCARADA corintinização da CBF.
Pois que sirva de lição para 2012. Para eles e para nós.
Para eles, no sentido de dar-lhes a exata dimensão das consequências dos excessos em épocas impróprias. Para deixar clara para a nossa Presidente a necessidade de um competente Diretor de Futebol. Para convencer nosso treinador, que ele deve se restringir às quatro linhas e não perder seu tempo em funções para as quais não está preparado nem possui estofo.
E para nós, para demonstrar que nem sempre uma contratação de peso significa a solução dos nossos problemas. Que mesmo um experiente e afamado zagueiro pode cometer pênaltis desnecessários, marcar a bola ao invés do adversário (como no gol do Diego Sousa), levar dribles humilhantes e ser até mais bisonho do que seu companheiro, cuja simples presença já nos apavorava.
Para aprendermos que mesmo um jogador com claras limitações técnicas, e ainda por cima chileno, pode exibir uma compreensão muito maior da importância de se jogar no Flamengo e dar AULA de dedicação, coração e rubronegridade para companheiros de equipe, quando deveria ser o contrário.
Para, definitivamente, entendermos que, em se tratando de Flamengo, a receita para as grandes conquistas estão muito mais ligadas a grupos com características muito nossas, como garra, luta, vontade, coração, do que propriamente à habilidade, fama e penetração na mídia.
Nossos verdadeiros heróis não almejaram vaga na Seleção, mais do que uma simples vitória envergando o vermelho e o negro. Quem consegue passaporte para ficar eternizado na nossa história, não precisa ser artista da bola, como não era Rondinelli e como nunca foi o Angelin. Seus gols históricos e decisivos não foram concebidos em jogadas de rara habilidade. Na verdade foram prêmios que o destino reservou a dois VERDADEIROS símbolos da nossa característica mais marcante.
Pois, então, que venha 2012 com mais conquistas e menos decepção. Com menos festinhas e mais dedicação. Com menos farras e mais concentração. Com mais comprometimento e menos badalação. Até com menos fama, mas com mais coração. Quem sabe assim poderemos voltar aqui, nesta mesma época no ano que vem, para dizer com mais orgulho ainda ...
PRA CIMA DELES, MENGÃO !!!