FLA pode chegar
Antes de tudo preciso pedir desculpas aos amigos pela ausência de coluna na segunda passada. Estive em Brasília para um curso desde o domingo passado e realmente o tempo ficou escasso para escrever a coluna.
Sobre a vitória contra o Corinthians, acho que tudo já foi dito e explanado. Só queria felicitar o Rogério Lourenço que percebeu a falha do nosso sistema defensivo e logo que assumiu foi direto ao problema. Claro que foi só um jogo, mas funcionou e ficou provado que ele realmente sabia do que estava falando. Méritos para ele e deméritos para o Andrade que também sabia que o sistema não estava funcionando mas preferiu morrer abraçado a este sistema ao invés de tentar modificá-lo e melhorá-lo. Rômulo não é um excepcional jogador mas atuou bem como um terceiro zagueiro e cumpriu bem as orientações do nosso atual técnico. Na verdade Rômulo flutuou bem entre a defesa e o meio campo na hora de marcar. Foi um volante-zagueiro. Por várias vezes ele cortou bolas bem na frente de nossa área e assim não deu brechas para o ataque corinthiano. Não tenho a mínima ideia de como Rômulo vai se comportar no próximo jogo, mas no momento ele se firma como nossa melhor opção. Toró ultimamente tem jogado de forma desatenta, se limitando a fixamente olhar a bola, e assim se esquecendo que bola não entra sozinha no gol.
Mas o próximo jogo é sempre o mais difícil. Enfrentar o Corinthians no Pacaembu (que anseia essa libertadores para fazer a festa no seu centenário) vai ser bastante complicado. Eles virão para cima mas acredito que possamos eliminá-los. O primeiro passo seria tentar fazer um gol fora de casa. Com um gol, eles precisariam fazer três gols para nos suplantar. É possível, mas já dificultaríamos bastante as coisas para eles. E acredito que possamos fazer esse gol. Nosso ataque, mesmo com Adriano sumindo e com o Love caindo de produção, tem qualidade suficiente para me fazer acreditar nisso.
O bom é que eles vão precisar abrir o jogo deles. Acredito muito que eles começarão com 3 atacantes (provavelmente Ronaldo, Dentinho e Jorge Henrique). Por ser um jogo aberto é que acho boa a entrada do Pacheco no lugar do Michael. Sei que muitos amigos preferem o Pet, mas acho que vamos precisar mais de velocidade nesse jogo do que de alguém que pare a bola e olhe o jogo. E assim acho que o Pacheco vai ser fundamental para que possamos fazer jogadas de velocidade principalmente nas costas do Roberto Carlos, que já é um senhor mas ainda tem um chute bastante potente.
O Fla tem a chance de mudar tudo que vem fazendo de errado desde o começo do ano nesta quarta. Passar pelo Corinthians e seguir na libertadores dará um ânimo a todos no Fla, desde jogadores até diretoria e comissão técnica.
Mudanças necessárias
Acho que foram poucos os colegas que desaprovaram a saída do Andrade. O tromba merece o nosso respeito mas a verdade é que desde o começo do ano o Flamengo não estava evoluindo. Ele teve todo o estadual para ajustar o time e não conseguiu fazê-lo. Andrade viveu de vitórias contra times pequenos. As correções que ele fazia eram meras substituições mas o sistema continuava falho. Eu até agora confesso que não entendi a reticência do Andrade em não querer mudar o esquema que estava claramente fazendo água. Toró e Williams são voluntariosos, mas são zero no item posicionamento e cobertura. O coitado do Maldonado até ficava tonto tentando cobrir os dois lados do campo ao mesmo tempo. E assim Andrade teimou, o Fla não melhorava, tomava gols incríveis e a verdade é que até agora não temos um sistema de jogo. Temos elenco, ótimos jogadores, mas um sistema definido não.
Enfim, a saída do Andrade foi um mal necessário. Ele não é o único culpado, mas com certeza só dependia dele mudar as coisas. Conhecendo bem o Tromba sabemos que ele não queria ficar de mal com o grupo e assim ele preferia que a diretoria assumisse a bronca na hora de enquadrar os jogadores. Como no caso do Pet em que o Andrade foi desrespeitado mas mesmo assim não se decidiu pelo afastamento definitivo do jogador. Lembro que em 2007 foi Ney Franco quem solicitou ao Kleber Leite que o Juninho Paulista fosse dispensado do Flamengo após o meia ter começado uma briga no vestiário por ser substituído no intervalo. Esse é o papel que o Andrade não teve coragem para assumir.
Marcos Braz também estava ainda lá por conta da conquista do Hexa. Ele não era da chapa da Patrícia Amorim e era óbvio que na primeira oportunidade, o grupo político da nossa presidenta iria pedir o cargo. Ao contrário de muitos amigos, não acho isso um absurdo. Isso é política e enquanto o Flamengo não tiver seu futebol profissionalizado, vamos ter que conviver com essas mazelas. Só lamento a saída do Braz pelas negociações que estavam em andamento, como a volta do Zé Roberto e um flerte bem intenso com o Riquelme. Seriam duas ótimas peças para repor previsíveis saídas como Love e Petkovic.
E aqui talvez a presidenta do Flamengo esteja vacilando e vai pagar um preço caro na frente por isso. O brasileirão começa no próximo fim de semana e não temos visto ninguém falando sobre quem pode chegar para reforçar o elenco. Esses primeiros meses já deixaram claro que o Flamengo tem uma séria deficiência defensiva, tanto na parte de zagueiros como no meio campo onde precisamos de volantes que saiba de fato jogar e não baixar a cabeça e correr com a bola.
O Flamengo precisa urgentemente de alguém para voltar a dar as cartas no futebol, tanto para contratar como para renovar os contratos. Sei que a concentração está grande no jogo da libertadores, mas não podemos ficar parados. Não podemos perder algumas oportunidades. Nesse ponto o Braz era eficiente. Trouxe o Love sem pagarmos nada, estava acertando a volta do Zé Roberto e estava vendo a possibilidade do Riquelme jogar no segundo semestre no Flamengo. Agora me pergunto quem é que está vendo essa parte? Pelo jeito ninguém pois tudo que tenho lido é que nem as renovações de contrato estão sendo tratadas. É preocupante.
Organizando o Flamengo
Qualquer tentativa para profissionalizar o Fla tem que ter apoio da torcida, mesmo que seja um corte na própria carne. Acho que se a intenção for séria e boa, valerá a pena. Porém para começar essa reorganização, precisamos dispensar alguns jogadores que estão mais para atrair problemas do que para ser solução.
Bruno – é o maior exemplo de liderança negativa. Ninguém duvida da qualidade dele, mas é um sujeito meio desequilibrado e a prova são as inúmeras confusões: brigas com mulheres, confusões em chácaras, discussões com membros da comissão técnica, brigas com outros jogadores. Mas o pior de tudo para mim ainda foi naquele jogo contra o Cruzeiro ano passado no Maracanã. Perdíamos por 2x0 sendo um dos gols uma falha lamentável dele. Ao começar a ser vaiado ele fez questão de reter mais a bola, como que mostrando que não se importava com as vaias. Ao invés de apressar nossa saída de bola para tentarmos alguma reação, ele preferiu provocar a torcida. Que comprometimento é esse? Portanto se for para fazer a faxina, que o Fla venda o Bruno e corra atrás de outro bom goleiro. Um nome ótimo é o do Diego Cavalieri, reserva no Liverpool, que não vai jogar a Champions League próximo ano e com certeza vai se desfazer de muitas (e boas) peças.
Álvaro – esse é para mim um anarquista. Se os próprios jogadores do Fla não o suportam, com certeza a torcida é que não tem que fazê-lo. Agora entendo porque o Inter dispensou esse rapaz. Ele não tem comprometimento com nada. No campo brada muito e mostra-se voluntarioso, mas de que adianta esse comportamento em 90 minutos e durante a semana, durante o convívio diário, mostrar-se na verdade um fanfarrão?
Petkovic – ídolo e habilidoso, parecia que a aproximação do fim de sua carreira tinha lhe dado um outro jeito de encarar as coisas. Pet chegou ao Fla ano passado tímido e participativo, entrou e mostrou a velha habilidade, a qualidade nos chutes e a precisão nos passes, mas este ano, ao ser substituído, mostrou a velha ranzinzice e o inflamado egocentrismo de sempre. É difícil querer colocar as coisas nos eixos quando se tem no elenco alguém que, por conta da adoração da torcida, se acha acima do bem e do mal. As entrevistas enquanto estava na reserva mostram bem isso. Pet tentou jogar a massa que o adora contra o Andrade, contra a diretoria e o pior é que muitos amigos acabaram caindo na dele. Sem dúvida a queda do Andrade e do Braz passa também pela pressão que a torcida impôs ao querer ver o velho ídolo de qualquer jeito no time titular. Portanto se for para fazer uma faxina, o nome do Pet tem que estar na lista dos dispensáveis. No lugar dele, gostaria de ver o Riquelme, que também não é flor que se cheire, mas é mais fácil impor as regras a alguém que chega do que a alguém que já está habituada a burlá-la.
Adriano – esse é o que eu mais lamento ter que sair do Flamengo, não só por ser um excepcional atacante, mas também por ser um cara do grupo. É um problemático, mas é um cara adorado por todos, que não se importa com vaidade, não se importa em aparecer. Pelo contrário, gostaria é que ninguém soubesse de sua vida fora do campo. O problema é que essa vida fora do campo acaba atrapalhando muito a vida dentro de campo. Adriano tem abusado de faltar e não vejo muito comprometimento dele com o Flamengo e isso vai lhe doer mais para frente. Se as coisas continuarem do jeito que estão, duvido muito que o Dunga leve a incógnita Adriano para a copa do mundo, ainda mais com boa parte da imprensa fazendo o maior lobby para levarem Ganso e Neymar (que são bons, mas só jogaram bem e ganharam num paulista, nada mais que isso). Em todo caso o Fla não pode ter como sua maior estrela um cara que falta a treinos quando quer e que não mostra comprometimento. Como eu disse no começo, lamento se tivermos que dispensar o Adriano, mas o Fla em primeiro lugar, sempre.
Outros jogadores tem que ser avaliados, mas para profissionalizar e para cobrar de todos a mesma coisa esses quatro jogadores tem de sair. Claro que não é nada agradável se desfazer de jogador bom, mas se estamos visando um bem maior, então não tenho dúvidas do que precisa ser feito. As consequências podem ser catastróficas se não houver uma reposição adequada. Mas o Fla precisa mudar, precisa melhorar, precisa entrar no primeiro mundo do futebol. Não me importa que os outros clubes brasileiros estejam na frente ou atrás do Flamengo nesse quesito. O Fla precisa se organizar para ser vencedor, não só para ficar bonito na foto, como faz o São Paulo. Queremos acima de tudo títulos, mas também não queremos ser motivo de deboche, queremos respeito e queremos ídolos que respeitem de verdade nossas cores.
Abraços a todos, boa semana e saudações Rubro Negras