Amigos rubro-negros, parece que estamos num pesadelo que não tem fim. Realmente, este ano de 2010 está imbatível, no mau sentido. Nesta semana, um furacão passou pela Gávea. Assuntos não faltam, como o desempenho pífio do nosso time, as invenções do nosso técnico ou o desgaste dele com o elenco, mas infelizmente temos que tratar do pior deles: a precoce saída do Zico da Diretoria-Executiva de Futebol.
Acho bastante prematuro fazer qualquer julgamento, tendo em vista que as informações estão bastante superficiais, com o costumeiro sensacionalismo da mídia quando o assunto é Flamengo. Fulano teria dito isso, Beltrano teria ouvido aquilo, e por aí vai. Somente quando Zico resolver vir à público e explicar melhor tudo o que se passou, poderemos entender como mais exatidão toda esta novela. Entretanto, mesmo faltando ainda muitas peças neste quebra-cabeça, me arriscarei a tirar algumas conclusões de toda esta confusão que rondou o clube com a saída do Zico.
Nesta confusão ninguém saiu ganhando. Um verdadeiro perde-perde e adivinhem quem foi o maior perdedor? O Clube de Regatas do Flamengo.
É inegável mais este prejuízo à imagem do clube. Na fogueira das vaidades, cada um pensa no seu umbigo e esquece o mais importante: a instituição. Sem dúvidas, mais à frente, teremos novamente dificuldades em contratar profissionais e negociar novos contratos de patrocínio.
É engraçado como todos falam que o Flamengo está acima de tudo e de todos, mas na hora das confusões, estes mesmos se esquecem do clube e pensam apenas em si.
Como ídolo, Zico é inquestionável. Não precisa provar mais nada em termos de honestidade e integridade. Portanto, em nada me abala esta onda de denúncias, ainda mais sem a necessária e fundamental comprovação.
Quanto ao Zico gestor, considero covardia fazer qualquer análise de sua competência em apenas 4 meses de trabalho, não apenas pelo curtíssimo período como também pela quantidade de pepinos que ele herdou como um departamento de futebol totalmente bagunçado, um orçamento apertado devido às antecipações de verba utilizadas pela gestão anterior, um elenco totalmente desmontado, sem atacantes e com vários contratos a vencer. Sem contar ainda o episódio envolvendo o ex-goleiro e ex-capitão do time.
Das diversas correntes políticas que habitam o clube, quem nunca fez contratações equivocadas, tipo Dimba, Dênis Marques, Léo Medeiros e por aí vai? Então, não é por isso que pode ser julgado.
Além disso, houve um excesso de expectativa de muitos torcedores de que bastaria o Zico chegar e com um toque de Midas resolver todos os nossos problemas. Em colunas passadas, mesmo registrando todo o meu apoio e confiança no seu trabalho, alertei que ele não é um Messias nem um salvador da pátria. Somente com muito trabalho e credibilidade conseguiremos mudar a história do clube, e ninguém melhor do que Zico ao se exigir trabalho e credibilidade. Porém, tudo isto leva tempo.
Na realidade, acho que faltou ao Zico um pouco de jogo de cintura, malandragem política, para lidar com o mundo da Gávea. Obviamente, não estou dizendo que ele tinha que ferir seus princípios de integridade ou qualquer outra coisa do gênero. Ele concentrou muito poder em pouquíssimo tempo, o que em qualquer empresa gera ciúme, ingrediente fatal para as manobras invisíveis que se fazem para derrubar quem se queira. Minha opinião é que ele deveria ter indicado um gerente de futebol para lidar com dia-a-dia do profissional, de modo que ele cuidasse apenas do médio e longo prazo.
O que ele esperava encontrar lá? Será que ele achava que o processo de moralização que ele se dispunha a liderar não iria encontrar resistências, seja da oposição como do próprio grupo político que apoia a presidente?
O papel da oposição não é surpresa. É salutar para o clube que haja oposição e que haja fiscalização, agora o que não pode haver é vazamento para a imprensa de processos de auditorias ainda não concluídos, expondo divergências internas. Mas é justamente aí que entra a tal da vaidade comentada lá no início.
Além desta forma de atuar da oposição, me parece claro que Zico tinha fortes resistências dentro do grupo de situação, o que indica falha da presidente em solucionar estes conflitos dentro da sua equipe. Patrícia Amorim precisa se posicionar e sair do discurso de profissinalização e partir para ação. Ou banca um gestor profissional ou se rende de vez ao grupo político que a sustenta.
Neste ponto que reside minha grande dúvida sobre isto tudo. O que foi negociado com o Zico para ele aceitar o cargo? Qual seria o real poder dele? Se a Patrícia Amorim prometeu independência total a ele, ela errou. Errou porque estatutariamente isto é impossível, pois o futebol depende do vice de finanças, depende do vice de marketing e precisa também do seu próprio vice. Aliás, diga-se de passagem, que o Márcio Braga em 2004 tentou introduzir este mesmo modelo com o Júnior, mas não conseguiu justamente porque precisa alterar o estatuto.
Isto me surpreende porque ela publicamente explicou que esta restrição legal impedia conceder autonomia total. Portanto, o que foi sinalizado para convencê-lo a assumir o cargo é a peça-chave do quebra-cabeça.
Minha percepção é que o Zico não estava feliz. Estava visível na sua fisionomia sempre fechada que não estava satisfeito com alguma coisa, ou melhor, com muitas coisas. Para piorar, não dava muitas entrevistas à imprensa, oq eudava margem a mais especulações.
Mesmo reconhecendo ser muito difícil trabalhar num ambiente destes, não sei se foi a melhor opção dele sair agora do clube, justamente num momento delicado do campeonato quando estamos lutando para evitar um inédito rebaixamento. Com a saída dele, caso sejamos rebaixados (toc, toc, toc !!!), sem dúvidas alguns segmentos do clube o acusarão de largar o barco no meio da tempestade. Se evitarmos esta desgraça, os mesmos setores dirão que bastou ele sair para o time acertar.
Talvez ficar até o final do ano e chegando lá, independente do resultado final do campeonato, sentaria para renegociar com a presidente as condições de trabalho. Se não pudesse haver as mudanças que julgasse essenciais, aí sim, pediria demissão. Por outro lado, já ouvi até rumores que houve ameaças a Zico e sua família, o que mudaria totalmente o quadro.
Para concluir, reafirmo que Zico é Zico e estarei torcendo que um dia ele retorne ao clube para concluir a missão dele.
E vocês, o que acham?
COM ZICO PELO FLA
Pessoal, agora mais do que nunca, é importante a adesão.
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Saudações rubro-negras