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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Personagem da semana

Andrade

André Monnerat - Flamengo RJ
Andrade

O assunto rubro-negro do momento é a permanência ou não de Andrade no comando do time no ano que vem. Até umas duas semanas atrás, acho que ninguém imaginaria o treinador deixando o clube; mas, ao que parece, há uma diferença grande entre o que ele pretende receber, valorizado que está pelo título nacional, e quanto a diretoria está oferecendo. E o bem informado jornalista José Ilan soltou uma linha pessimista em seu twitter hoje cedo: “Antes era impressão; agora é certeza: Andrade tá esticando muito a corda. Se bobear ela arrebenta. Seria ruim pra ele e pro Fla.”

Vamos relembrar agora como aconteceu a efetivação de Andrade, uns meses atrás, feita pelo mesmo Marcos Braz que seguirá com Vice de Futebol na nova administração. Se com Kléber Leite era certeza que ele não seria o treinador, com a entrada de Braz ele não passou imediatamente a ser a primeira opção. Antes de confirmar a sua permanência, o Flamengo foi atrás de outras opções – e foi noticiado que uma oferta de R$80 mil por mês foi considerada “medíocre” por Vagner Mancini. Andrade foi uma escolha que deveu-se à sua simpatia junto à torcida, à percepção de que teria competência para fazer um bom trabalho – mas, principalmente, à contenção de despesas necessária no clube. Na época, avaliou-se que simplesmente não havia dinheiro pra pagar o que treinadores mais experientes andavam pedindo.

Pois bem: será que a situação financeira do Flamengo melhorou muito daquela época pra cá? É claro que o título trouxe a perspectiva de aumento de receitas, mas a coisa não mudou da água pro vinho de uma hora pra outra. E Patrícia Amorim, a nova presidente, elegeu-se com a bandeira do respeito ao orçamento, do “gastaremos só o que podemos”. Pelas notícias que lemos por aí, Andrade ganhava 50 mil, recebeu uma proposta em torno de 120 mil – mas está insistindo em receber mais que o dobro disso. E aí, como é que ficamos? Lembrando: antes de fechar com Andrade, o que sabemos é que o clube estava disposto a pagar apenas 80 mil a um treinador já com certo nome no mercado.

É inegável que Andrade fez um bom trabalho. E tenho certeza de que seria muito, muito difícil substituí-lo neste momento. Fora os aspectos técnicos, ele conquistou a confiança da torcida e, principalmente, dos jogadores – o que é algo não tão fácil de se conseguir. Qualquer outro que chegar terá esta tarefa pela frente, que se tornará ainda mais difícil se for alguém “baratinho”, sem muito cartaz por aí.

Porém, não dá pra escapar da realidade: só dá pra pagar o que dá pra pagar. É uma conta que só quem está lá dentro pode fazer, já que não temos por aqui os orçamentos todos em mãos. Mas não dá pra fazer loucuras e assumir um pagamento já sabendo antes que não será possível honrá-lo todo mês. Se pra manter Andrade for necessário dar a ele um salário além do que se previa no orçamento, algum outro corte terá que ser feito. É bom que isso seja até explicado ao técnico: não adianta pedir um salário duas vezes maior que o oferecido e ainda esperar que a diretoria gaste mais em reforços de peso, como ele já sinalizou em entrevistas por aí. O cobertor pode ficar curto demais.

Qual a solução? É esta a conclusão a que devem chegar Marcos Braz e Patrícia Amorim, que já tem uma batata quente nas mãos antes mesmo do seu mandato começar. Imaginem que o clube perca seu treinador recém-campeão por contenção de despesas, contrate outro duvidoso e barato no lugar e, uma semana depois, anuncie-se que os salários do pessoal da ginástica foram postos em dia e iniciou-se as reformas das quadras de basquete na Gávea – ainda que ela consiga justificar algo do gênero com o orçamento em mãos, como será a reação daquele pessoal que sempre se opôs a Patrícia, com medo dela dar desviar a grana do futebol para o esporte amador?

A minha sugestão a Andrade e à diretoria: que se feche um contrato mais próximo do que o Flamengo se diz apto a pagar e, em contrapartida, premiações polpudas por resultados, vinculadas justamente às receitas extras que classificações e títulos podem gerar. Acredito que é uma linha de negociação que pode deixar todo mundo satisfeito. Isso, claro, se árabes malucos não atravessarem o caminho.

• ANDRÉ MONNERAT também no SobreFlamengo: blog (sobreflamengo.blogspot.com) e Twitter (twitter.com/sobreflamengo).

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