
Não sei se todos aqui conhecem a Cidade Maravilhosa. Mas os que conhecem vão me entender.
Quando um turista chega aqui, normalmente procura pelo Corcovado, Pão de Açúcar, Vista Chinesa, pelas praias, etc. Mas ninguém os impediria, caso desejassem, que fossem passear no Complexo do Alemão, na Av. Brasil ou se resolvessem sentar à beira do Canal do Mangue para apreciar a paisagem. Gosto não se discute. Digo isso porque, infelizmente, parece que alguns torcedores nossos vêm exibindo um comportamento que se enquadraria muito mais neste segundo caso.
Quanta vontade de olhar para o lado menos favorecido. Ser Flamengo não pode ser motivo para sofrimento, decepção, mau humor.
Todo ano, a gente está beliscando alguma coisa, gritando “É CAMPEÃO”, conquistando vitórias inesquecíveis.
Ser Flamengo está ligado à celebração, a alegria de uma conquista, ao sorriso estampado no rosto. Principalmente, para quem passa HORAS dos seus dias conectado, dividindo essa paixão com seus semelhantes. Para esses NÃO é dado o direito de duvidar da capacidade de quem conquistou essa paixão, com uma história de feitos absolutamente fantásticos, inimagináveis.
E tudo isso por quê?
Não fomos campeões Brasileiros? Apesar de indicados pela maioria da crítica especializada como favoritos, não, não fomos! Mas as declarações do juiz Gutemberg de Paula Fonseca, que, revoltado, acaba de abandonar a carreira, confirma o que já sabíamos e expõe a armação para que não fossemos. Arbitragens dirigidas que nos impuseram a INÉDITA não consignação de um único penal a favor, as convocações pontuais de um treinador/torcedor (que prejudicaram IMENSAMENTE a nós e a outros concorrentes) e a conivência da CBF (que hoje em dia mais parece o quintal do vencedor), só reforçam a VERGONHA do resultado final. Some-se a isso uma dedicação maior aos prazeres noturnos do que aos treinamentos diurnos (de alguns dos nossos principais jogadores) em momentos decisivos e a falta do nosso Maracanã, para percebermos que chegar à Libertadores já foi um feito a ser comemorado, SIM.
Os reforços esperados estão demorando? Também acho! Mas eles virão. Podem estar certos de que virão. E não será essa demora que nos impedirá de alcançar os objetivos deste início de temporada.
Perguntem-se, com absoluta honestidade, quantos goleiros melhores que o Felipe existem no país. Quantos laterais direitos possuem a qualidade de um Leo Moura? Com todas as cagadas que possa ter feito ano passado, quantos zagueiros com a capacidade do Alex? Quantos laterais esquerdos, jogando aqui, são melhores do que o Junior Cesar? Quantos volantes são mais eficientes nas roubadas de bolas que o Wiliams? Quantas equipes possuem alguém do quilate de um Ronaldinho em seu elenco? Thiago Neves pode até não ter em mim seu maior fã. E não tem mesmo! Mas sua “Vagaluminecência” é compensada com uma dedicação extrema e uma enorme capacidade de decisão.
O Deivid não é o ideal? Mas quantos goleadores balançaram as redes mais vezes do que ele no último Brasileirão? Quantas equipes possuem jogadores com o futuro de um Luiz Antônio, de um Tomáz, de um Muralha, de um Adrian, em seus plantéis?
Podem me chamar de louco, se quiserem, mas não trocaria nosso grupo por nenhum dos três que terminaram este último Brasileirão à nossa frente. NÃO TROCARIA MESMO!
Não vejo como sendo qualidade o que nos falta. Nos falta, sim, velocidade, o que se consegue com dedicação aos treinos e aprimorando o entrosamento.
Nos falta, sim, FOCO, o que se consegue adquirindo a percepção da importância que um título de Libertadores tem para os torcedores do Flamengo. Tendo como motivação maior verem seus nomes entrar para a história de um clube do tamanho do Flamengo. Trabalhando com dedicação, seriedade, profissionalismo e abrindo mão das famosas “baladas” durante a competição, pelo sucesso do Flamengo.

Jogo em Potosí? Complicado, claro que é complicado! Mas apenas pelas condições desumanas as quais seremos expostos novamente, por pura OMISSÃO e COVARDIA da Dona FIFA. Tenho até hoje gravadas na memória, as imagens assustadoras que exibiam Renato Augusto, à beira do campo, precisando de máscara de oxigênio para conseguir respirar.
Até por isso, acredito em um jogo que vai exigir mais malandragem do que qualquer outra coisa.
Eu sei, vocês sabem e todo mundo no Flamengo sabe, que eles vão começar o jogo imprimindo um ritmo alucinante e que, se valendo da velocidade da bola no ar mais rarefeito, arriscarão os chutes de fora. É a única arma deles. Pois então que usemos as nossas. Posse e toque de bola. Algo que estamos INFINITAMENTE mais capacitados do que eles a fazer.
Mesmo assim, não deu; o resultado não foi o que esperávamos? A gente REVERTE AQUI, caramba! A diferença de qualidade técnica é ABSURDA! Basta a torcida Carioca se dispor a levantar o “bumbum” da poltrona e ir lá para o Engenhão apoiar. Lotar aquela pocilga e empurrar a equipe, COMO SEMPRE FIZEMOS no Maraca. Como a torcida do Boca faz em todos os jogos. Como a torcida do Grêmio fez, contra nós mesmos, incentivando, o tempo todo, uma equipe que não aspirava mais nada na competição, perdendo por 2 X 0. Como a torcida do LAU fez, novamente contra nós, cantando do início ao fim da partida.
De que adianta sermos os maiores em tamanho, se não somos os que mais apóiam, os que mais acreditam, os que mais empurram?
Para termos o direito de cobrar atitude de jogadores, comissão técnica e diretoria, precisamos estar cumprindo o nosso papel. Mostrar o tamanho da vontade que sentimos em vencer novamente a competição mais importante do continente.
Em muitas das nossas conquistas nossa equipe podia não ser a mais forte dentro de campo, mas NUNCA deixou de ser mais forte o nosso grito que chegava das arquibancadas. Essa sempre foi, e PRECISA continuar sendo, a nossa marca registrada.
PRA CIMA DELES, MENGÃO !!!