Amigos rubro-negros, gostaria de começar explicando o porquê do título da coluna. Na realidade, ele vem de uma frase do economista e rubro-negro Sérgio Besserman, irmão do saudoso Bussunda, preconizando a queda do Império do Amor e a instituição da República do Trabalho no Flamengo. O mais curioso é que isto foi dito antes da divulgação do acordo do Zico como novo Diretor-Executivo (DEx), o que reforça o caráter premonitório dele, pois ninguém combina mais com trabalho do que Zico, um exemplo de dedicação em toda a sua vida.
TÍTULO
A alegria no domingo a noite após o anúncio do retorno do Zico ao Flamengo foi de conquista de um título. Poucas vezes vi uma apoteose como esta. Não havia nome melhor, na realidade uma unanimidade, para dirigir o futebol do clube. Considero até melhor o Zico ser dedicado ao futebol como Diretor-Executivo do que ser presidente do clube, posição na qual teria que compartilhar a atenção com outros assuntos. Desta forma, ele poderá se dedicar exclusivamente ao meio que ele habita, conhece e tem o reconhecimento de todos. Como chegou ao Flamengo em 1967, então com 14 anos, Zico está no meio de futebol há 43 anos, tendo participado de 3 Copas do Mundo e experiência internacional como jogador na Itália e Japão, como dirigente no Japão e como técnico no Japão, Turquia, Uzbequistão, Rússia e Grécia. Além disso, conhece o Flamengo como poucos, sua cultura, as correntes políticas e tudo que cerca o clube mais querido do mundo.
PATRÍCIA AMORIM
Não quero ser repetitivo. Faço minhas as palavras escritas pelo Ricardo Perez em sua coluna de ontem. Muita gente se precipitou e exagerou nas críticas à gestão da Patrícia Amorim. É lógico que temos que criticar o que entendemos estar errado, mas a crítica deve ser baseada em fatos e dados, coerente e com respeito. Exigir que ela em 5 meses resolva os problemas que nos atormentam há quase 20 anos é um pouco demais.
Ela já cometeu erros e, com certeza, cometerá outros ao longo do seu mandato. Porém, ela garantiu que a profissionalização do Departamento de Futebol era um compromisso e agora está cumprindo. A Patrícia sabe que o futebol não é a praia dela. Aliás, é um choque cultural para qualquer atleta de esporte olímpico, dito amador, conviver com o ambiente do futebol, dito profissional. Sempre foi seu plano designar para o futebol um gestor remunerado e identificado com o clube, mas no início do ano não havia como, pois o processo eleitoral no clube já havia prejudicado o planejamento do futebol e mudar naquele momento prejudicaria mais ainda. Entretanto, face ao descontrole no comando do futebol que ocorreu no primeiro trimestre, ela teve que intervir, pois se não o fizesse o clube seria esfacelado em sua imagem.
Já escrevi, mas não custa repetir. O Flamengo tem sérios problemas que nem mesmo uma gestão perfeita conseguirá equacionar em um único mandato. Equacionar dívida, construir CT, construir estádio, reestruturar as divisões de base, revitalizar a sede e muitos outros problemas somente serão resolvidos após muito, mas muito trabalho mesmo e sucessivas gestões comprometidas com a melhoria do clube.
AMEAÇA
Vejo na volta do Zico uma ameaça. O excesso de expectativa que está sendo gerada pelo que representa o nome Zico. Menos mal que o próprio Zico se antecipou em sua entrevista de posse afirmando que não faz milagre. Entenderam: Zico não faz milagre. O Zico não faz parte das Organizações Tabajara, que em suas “peças publicitárias” avisam aos seus “clientes” que “seus problemas acabaram”.
Sempre defendi o nome Zico como o ideal para assumir o clube, especialmente o futebol. Mas sempre ressaltei que não devemos encará-lo como um Messias. O Zico vai precisar de uma equipe multidisciplinar competente, apoio de dentro e de fora do clube e, principalmente, de tempo.
Não devemos esperar e cobrar um supertime no segundo semestre do ano, mesmo reconhecendo que reforços são necessários para a continuidade do brasileirão deste ano. Também não devemos esperar que ganhemos todos os títulos a partir de agora. Mesmo quando jogava, Zico não conseguiu ganhar todos os títulos que disputou.
Portanto, muita clama nesta hora e paciência.
OPORTUNIDADES
Não seria difícil prever, e com a repercussão nesses 4 dias após o anúncio da sua volta podemos confirmar, que o nome Zico traria credibilidade, justamente o atributo em que a imagem do clube estava mais comprometida.
Voltando ao título da coluna, agora é a hora do trabalho. A hora de resgatar os valores básicos em qualquer instituição vencedora, como organização, ordem, disciplina e dedicação.
Alguns colegas aqui do site estão sugerindo que o clube faça campanhas para arrecadar fundos para os projetos em pauta. Particularmente, não concordo que estas iniciativas e tenho dúvidas da sua eficácia. Acho que precisamos de um projeto sócio-torcedor de grande porte, no qual o torcedor perceba os benefícios em se filiar, como prestação de contas na internet, direito a voto, facilidades na compra de ingressos e muitos outros.
Para projetos bem sucedidos, o mais importante é o clube saber qual será a sua receita nos próximos anos. Poder saber que conta com 100 mil sócios, por exemplo, contribuindo com R$30,00 mensais, permite planejar a execução destes projetos com mais precisão, criando-se cronogramas realistas com base neste fluxo de caixa. Portanto, ao meu ver, o momento é do clube consolidar num único programa Sócio-Torcedor todas as iniciativas de captação de recursos, como por exemplo Cidadão Rubro-Negro, FLA-TV, Sócio Off-Rio e Onde Estiver Estarei, de modo que possamos ter um número representativo de contribuintes.
Saudações rubro-negras.