quarta-feira, 21 de abril de 2010
Quem acompanha minhas colunas há mais tempo sabe o quanto eu valorizo e bato na tecla da UNIÃO de um grupo, para que ele se torne vencedor. E acredito que tenha sido assim, através da união, que nossa equipe tenha conseguido chegar à conquista do Hexa.
Uma já indisfarçável antipatia do elenco dirigida ao Cuca, culminou com sua demissão ao final do primeiro turno e fez com que este mesmo grupo se fechasse em torno do nosso Tromba. O resultado foi que tomamos o título das mãos de um outro grupo em franca decadência, pela falta da tal união, como foi o caso do Palmeiras.
Mas, da mesma forma que a personalidade de alguns que se tornam milionários da noite para o dia se modifica, esse clima de harmonia foi quebrado pela soberba, pela empáfia, pela pretensão, pela marra.
Se descobriram tão bons que nem mesmo era preciso treinar. Bastaria que se encontrassem dentro de campo para que superassem todos os seus adversários.
E o pior é que o “comando” acabou sendo levado por essa idéia errada e se tornando conivente com tudo que estava acontecendo. Mais privilégios foram concedidos, indisciplinas graves foram perdoadas, os bons resultados foram desaparecendo e com isso elos foram se partindo.
E o primeiro desses elos a se partir foi justamente um dos principais.
Mais esclarecido, mais culto, mais profissional e mais experiente, Pet deve ter percebido estes sinais de decadência e confrontou o grupo. Achava que treinos deveriam ser pela manhã e expôs isto diante de todos. Mas isto prejudicaria as noitadas tão comuns em um elenco que ainda comemorava os feitos do ano anterior. E só o que ele acabou conseguindo mesmo foi ouvir do zagueiro Álvaro (PREFIRO O DAVID):
- Pet, quando a sua carreira terminar, o que está perto (de acontecer), e você virar técnico, aí você treina de manhã. Nós vamos treinar à tarde.
De líder ouvido, até pelo treinador, passou a desfrutar da antipatia da maioria. Ninguém mais conversava com ele e ele já não conversava com ninguém.
E o temperamento do Gringo não é segredo pra nenhum de nós.
Pet é um vulcão que com sua lava nos ajudou a demarcar território no cenário nacional. Só que, mesmo à beira da extinção, passou a soltar uma fumaça tão espessa que imobilizou toda a nossa frota. O antigo céu de Brigadeiro se transformou em tempestade e, ao invés de vôos mais altos, acabamos mesmo foi ficando estacionados em terra.
Quando foi substituído no intervalo de uma partida em que éramos massacrados e que acabamos virando, nos nossos melhores 45 minutos em meses, teve uma de suas violentas erupções e selou seu destino. Ali, Pet passou a ser visto por todos como dispensável. De um momento para outro, de cérebro, se tornou aposentável.
E seria impensável para os nossos “comandantes”, diante desse racha, tomar partido de um e desagradar todo o resto. Acabaram mesmo foi tomando a medida que parecia mais sensata. A fritura do Gringo, que já não vinha jogando nada mesmo, em fogo alto.
E, se formos olhar friamente para a situação, perceberemos que, pelo bem do Flamengo, chegou-se a um ponto que não há outra saída.
- Pet, MUITO obrigado por tudo e uma abraço!
Claro que isso tem um preço. O preço foi nos tornarmos acéfalos. Uma orquestra repleta de grandes músicos, mas sem maestro. Um restaurante de grandes cozinheiros, mas sem garçons.
Até mesmo para o nosso treinador, seus pitacos à beira do campo parecem fazer falta. E o resultado é este sabor amargo na boca que neste momento incomoda a todos nós.
Não pela simples perda de um carioca. Não mesmo. Comam lagosta ao molho belle maniere todos os dias e depois de um certo tempo ela parecerá ter o sabor de suflê de ricota com chuchu. Nem mesmo nossos torcedores pareciam fazer tanta questão dele. Mas pela forma como foi desperdiçado.
Como consequência natural desse desinteresse, acabou vencendo quem ainda via na competição o seu verdadeiro sabor. Passaram vinte e um anos chorando, mas finalmente viram seu dia chegar. Senão perde até a graça, né?
Mas logo após dispensarmos o couvert veio a sensação de fome novamente. E o pior é que agora periga até o prato principal não vir mais. E aí, fazer o quê?
Minha sugestão é que NÓS mostremos a eles o tamanho dessa nossa fome. Deixar claro que se o tal prato principal não vier, serão eles os devorados. E a maneira mais eficiente de se fazer isso é LOTAR o Maraca em todos os jogos dessa Libertadores e cobrar deles. Só que para fazer isso vai precisar muito mais gente lá do que está indo. E é bom aproveitar agora, pois o Maraca vai fechar por três anos.
Desinteresse por Carioca eu até faço um esforço pra entender, mas pela LIBERTADORES ??? Não dá pra imaginar um jogo com menos de cinquenta mil.
O Carioca já acabou. É passado. Não podemos nos dar ao luxo de ficar remoendo a dor da perda uma competição que já terminou. Precisamos é olhar para frente e nos dedicar ao presente. E o nosso presente é a competição mais importante das Américas. Esta nós até ainda podemos considerar ao nosso alcance, se recuperarmos tudo que perdemos pelo caminho do final do ano passado para cá.
Já imaginaram o prazer de poder eliminar da competição o time do Traíra, no ano do seu centenário? Só isso já vale um sacrifício.
Ainda que com raiva, tristes, decepcionados, sofridos e desconfiados, precisamos deixar o que passou para trás e fazer a parte que nos cabe neste momento.
Essa é a nossa função, esse é o nosso papel, essa é a nossa sina.
PRA CIMA DELES, MENGÃO !!!