Autor: Marcio Neves - RJ
SÍNDROME ALVINEGRA
Há algum tempo queria falar sobre um tema, mas constantemente surge algum assunto polêmico que me impede de tratá-lo, mas hoje não tem jeito.
Falo sobre o que chamo de Síndrome Alvinegra, processo pelo qual passaram Santos e Botafogo, as duas grandes forças do futebol brasileiro na década de 60 que após este período de sucesso não souberam se reinventar. O Botafogo até hoje não conseguiu retornar ao patamar dos grandes do país, tendo ficado inclusive mais de duas décadas sem conquistar um título. O Santos com o aparecimento da geração Robinho, Diego, Elano e cia e agora com uma nova e promissora geração com Neymar e Ganso está sabendo colher os frutos para poder voltar a estar entre os grandes do país.
E o Flamengo? Nos últimos 20 anos, de 1992 à 2011, conquistamos apenas 1 título internacional (Copa Sulamericana), 2 nacionais (2 brasileiros e 1 Copa do Brasil) e 9 estaduais. Nos 20 anos anteriores, ou seja de 1972 à 1991, ganhamos 2 títulos internacionais (1 Libertadores e 1 Mundial), 5 títulos nacionais (4 brasileiros e 1 Copa do Brasil) e 8 estaduais.
E a nossa dívida? Em 1994, ano mais antigo que consegui pesquisar, era de R$18 milhões e hoje está na ordem de R$400milhões.
E o nosso patrimônio? Temos estádio? Temos CT?
Ou seja, não apenas a quantidade e qualidade dos títulos diminuíram, mas a dívida aumentou numa proporção muito maior do que o aumento da receita sem que tivéssemos construído um patrimônio.
No mundo corporativo, existem muitos exemplos de empresas que por anos, por décadas lideraram seus respectivos segmentos, mas não souberam aproveitar este período de bonança para plantar as sementes que pudessem garantir uma longevidade para este sucesso.
Nossa sorte é que o futebol não é igual ao mundo corporativo. Lá, clientes da VARIG, da KODAK e de outras empresas migraram para seus concorrentes quando perceberam que os produtos que consumiam não tinham mais os mesmos atrativos de antes, como qualidade e preço.
No futebol, existe a paixão, fidelidade que garante ao clube que aquele cliente, ou melhor torcedor, continuará consumindo o seu produto como ingressos, camisas, ... mesmo após derrotas, talvez um pouco menos mas sempre consumindo.
Li muitos comentários aqui no site após mais esta eliminação da principal competição do clube, que o futuro do Flamengo é se tornar um América.
Impossível. Vários estudiosos já afirmaram que Flamengo e Corinthians são diferentes dos demais times. A paixão de seus torcedores garante um crescimento contínuo de suas torcidas, na medida em que esta paixão passa naturalmente de pai para filho de tal modo que é praticamente impossível que percam os dois primeiros lugares no ranking de maiores torcidas do país. Já com outros clubes, é possível sim que depois de décadas fora do centro do futebol, os filhos destes torcedores vão optando pelos times da moda de forma que a torcida vá envelhecendo e depois se reduzindo.
Por outro lado, esta mesma paixão que garante a fidelidade, contribui de forma inconsciente para este processo que chamo da síndrome alvinegra. Lógico que os principais responsáveis pela não manutenção da fase áurea de Santos, Botafogo e Flamengo foram seus dirigentes, mas entendo que seus torcedores, acostumados com este período áureo, mesclam um pouco de arrogância com um elevado grau de exigência, gerando sempre uma instabilidade prejudicial à criação de uma nova realidade.
No esporte, o importante não é ser o melhor, mas sim estar melhor. Portanto, humildade é fundamental para não apenas alcançar, mas se manter no topo. Não gosto deste excesso de confiança que é gerado em nossa torcida sempre que temos uma boa sequência. Não tenho dúvidas que isto passa para os jogadores que acabam sentido-se superiores aos adversários, primeiro passo para uma derrota.
Por outro lado, nos momentos de crise não adianta querer ficar comparando a fase atual com a fase das grandes conquistas. Na minha família, tenho meu pai e alguns tios botafoguenses e estou cansado de ouvir desde criança eles conversando sobre futebol, decepcionados com time alvinegro alegando que Didi, Garrincha, Nilton Santos, Gerson é que jogavam bola.
Na década de 80, eu praticamente não perdia jogos no Maracanã. Vi Leandro, Mozer, Junior, Andrade, Adílio, Zico, Tita, Julio Cézar (Uri Geller) e Cia. Lógico que isto me deu um padrão de qualidade muito alto para considerar um jogador de futebol como craque. Nenhum jogador atual vale o que ganha, mas não quero que o Léo Moura seja o Leandro, que o Muralha seja o Andrade ou que o Ronaldinho seja o Zico, como estou cansado de ouvir e ler por aí. Os tempos agora são outros. Acho muito difícil conseguir juntar no mesmo time jogadores como aqueles, com talento e identificados com o clube. Hoje, qualquer talento que surge fica sei lá uns 3 anos no máximo no país. Se o Neymar ainda está no Brasil é porque ele ainda não fez com a camisa da seleção brasileira metade do que já fez com a do Santos.
Podemos ter um time tão vencedor como aquele? Sim, mas de outra forma. Qual forma? Não sei, temos que descobrir, temos que reconstruir, planejando, trabalhando, monitorando, planejando de novo, trabalhando mais, monitorando e por aí vai. O que em gestão se chama melhoria contínua.
DILEMA
Estamos acompanhando através da coluna e do blog do Renato Maurício Prado uma troca ferrenha de acusações entre a presidente Patrícia Amorim e Delair Dumbrosck comparando as duas gestões.
Não quero entrar no mérito de quem está com mais razão. Nesta troca de farpas, não estou com nenhum dos dois porque nenhum deles geriu ou está gerindo o Flamengo como queremos. Eu estou é com o Flamengo.
Agora, eu fico me perguntando o porquê de situação e oposição em um clube de futebol? Qual a filosofia de cada um? Em que divergem? Num país é até compreensível você ter esta dualidade na medida em que um partido, por exemplo, acredita num modelo de país sem a participação do estado na economia enquanto um outro entende ser necessário o estado atuar em setores estratégicos. Um terceiro partido já tem um outra doutrina e por aí vai. Mas num clube? No fundo é briga de poder e o clube que se dane.
Porque os ex-presidentes e a atual presidente não sentam e fazem um pacto de governabilidade para o clube, desenvolvendo um projeto para o Flamengo, com um planejamento estratégico do que será o Flamengo daqui a 10 anos com múltiplas visões de clube, de esportes olímpicos e principalmente de futebol, contratando um executivo com notório saber, estabelecendo metas com remuneração atrelada ao seu cumprimento, dando estabilidade política para o clube se reerguer e voltar a sua posição de liderança no cenário nacional e internacional, transformando-o numa verdadeira potência?
Ser o maior, ter a maior torcida é consequência de ser o melhor clube, estar com o melhor time, com a melhor estrutura. Já está mais do que provado que tamanho não é documento.
Até quando viveremos disto? Uma boa pergunta.
Saudações rubro-negras.
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| Copa do Brasil | |||
| 15/05 | Flamengo | 2 x 1 | Campinense-PB |
| 01/05 | Campinense-PB | 1 x 2 | Flamengo |
| 17/04 | Flamengo | 3 x 0 | Remo |
| Campeonato Carioca | |||
| 20/04 | Macaé | 1 x 3 | Flamengo |
| 14/04 | Flamengo | 3 x 1 | Fluminense |
26/05 - 16h00 - Mané Garrincha, Brasília
Brasileirão - Santos x Flamengo
29/05 - 21h00 - Mário Helênio, Juiz de Fora
Brasileirão - Flamengo x Ponte Preta
01/06 - 16h20 - Vila Capanema, Curitiba
Brasileirão - Atlético-PR x Flamengo
05/06 - 22h00 - A definir, -
Brasileirão - Flamengo x Náutico
08/06 - 16h20 - Heriberto Hülse, Criciúma
Brasileirão - Criciúma x Flamengo
06/07 - 18h30 - ,
Brasileirão - Flamengo x Coritiba
Marcio Neves
19/05/2013