TÉCNICO OU MANAGER
O que é melhor para um clube, ter somente um técnico ou ter um manager? Na Europa é comum termos a figura do manager a beira do campo, e exemplos temos vários, Guardiola, Mourinho, Ferguson, Venger, Van Gaal e outros. Todos eles vitoriosos em suas funções e o maior exemplo é o Sir Alex Ferguson.
Está há 25 anos no comando Manchester United, e quando assumiu o comando dos Red Devils pegou um clube que brigava para não ser rebaixado e o salvou do rebaixamento, anos depois passou a exercer a função de Manager do United, contratando, dispensando e gerenciando carreiras de seus atletas. São nada mais que 36 troféus neste período e várias revelações de jogadores consagrados mundialmente.
No Brasil temos o exemplo do Mestre Telê Santana, sim, Telê foi manager e não simplesmente técnico, ele gerenciava as categorias de base do São Paulo, ajudou na estruturação do CT são paulino, orientava a vida particular de seus jogadores, contratava e também dispensava, ou seja, ele tinha comando do futebol do São Paulo.
Vejo críticas e mais críticas ao Vanderlei Luxemburgo pelo fato de ele se envolver demais com o futebol do Flamengo. Vejo o Luxa assistindo jogos do sub-17 e sub-20, dando palpites sobre a forma desse ou daquele jogador atuar nos time de base e sempre participando de reuniões com a cúpula do futebol. Assim como participa ativamente das obras do CT.
Muitos podem se perguntar, e daí? O time não ganhou o que queria, o time não tem padrão e outras coisas do gênero. Citando o Ferguson, ele pegou o United em 86 e só foi ganhar um título em 1989, se fosse no Brasil não teria chegado na metade de 1987.
O problema no Brasil é que não temos paciência e queremos resultado imediato, ainda mais se tratando de Flamengo. Temos diversos exemplos no Brasil de trabalho a longo prazo que deram certo: o São Paulo de Telê e Muricy, o Flamengo de Coutinho e que teve o trabalho continuado por Carpegiani, o Palmeiras de Luxemburgo no inicio dos anos 90 e outros bem sucedido.
O trabalho do Luxemburgo começou no ano passado parecido com o do Ferguson em 1986, pegou um time brigando pra não cair, começou a mudar a estrutura física do clube, se envolveu nos trabalhos do departamento de futebol do clube e começou a colher frutos das categorias de base.
Voltando ao tema do texto, o que é preferencial para o clube, ter um técnico ou ter um manager? O técnico iria apenas pedir reforços, dispensar outros jogadores, treinar, ir pro jogo, não observar a categoria de base e pronto. Se perder pede pra sair ou é demitido e o clube arruma outro pra fazer o mesmo trabalho. Qual o grau de comprometimento o técnico tem com o clube, creio que pouco, técnicos desse tipo existem vários no Brasil, aliás, é a maioria. Cuca, Caio Júnior, Joel, Felipão são alguns exemplos.
Já o manager se preocupa com o patrimônio do clube, ele ao contratar um jogador pensa nos frutos que esse jogador irá trazer ao clube, seja técnico ou financeiro. Ao trabalhar um jogador da base, ele pensa no comportamento dentro e fora do clube para que o “patrimônio” do clube não perca valor de mercado.
A diferença do trabalho de “manager” do Luxemburgo para o Ferguson é que o Luxemburgo não tem o orçamento do departamento de futebol. No Flamengo o departamento financeiro ainda tem mais poder que a parte técnica. Não adianta o Luxemburgo dizer que quer contar com jogador X, que vai render na parte técnica e financeira, porque vai trazer patrocínio, receita na venda de ingressos e outras coisas e o departamento financeiro virar para ele e dizer que não tem como contratar por falta de recursos.
Por isso acho que o papel do manager no Brasil ainda não funciona, os clubes não dão a autonomia que o futebol precisa para poder gerir seus ganhos e fazer suas contratações, e nesse sentido dizer que o Vanderlei tem amplos poderes no Flamengo chega a soar até como blasfêmia e uma crítica sem conhecimento por grande parte da torcida. O Luxemburgo opina e participa das tomadas de decisões, mas a última palavra não é dele.
Gostaria e muito que o Luxemburgo tivesse os poderes no Flamengo iguais aos do Ferguson no Manchester, porque aí teria certeza de que o trabalho desenvolvido por ele poderia surtir muito mais efeitos dentro do campo. Sou a favor da implantação do manager no futebol do Flamengo com total autonomia, dessa forma teríamos um marketing independente e trabalhando em função do futebol e não o contrário.
Pode-se dizer que no Brasil essa fórmula não funcionaria, que a cultura do brasileiro não é essa, em 1500 o Brasil tinha outra cultura antes dos portugueses aqui aportarem, assim como em 1894 com a chegada do Charles Miller trazendo o futebol.
Bons exemplos temos vários pelo mundo a fora, e porque não implantar essa “cultura” no nosso futebol. A profissionalização do Flamengo passa pela implantação do Manager e autonomia do departamento de futebol.
Aí ficaria a pergunta, o que vocês preferem: um técnico ou um manager?
Marcelo Neves