segunda-feira, 10 de maio de 2010
Vitória deve empolgar mas não iludir
O primeiro tempo contra o corinthians anunciava uma tragédia. O Fla não jogava nada e o Corinthians corria como um louco, tomava rapidamente a bola de nossos atrapalhadas e baratinados jogadores e não nos deixava jogar. Acho que é consenso mesmo entre os flamenguistas que 2x0 foi pouco pelo que estava acontecendo em campo. Nossa sorte mudou com a entrada do Kleberson que nem no banco tinha ficado no primeiro jogo, mas teve fundamental papel para nossa classificação. Não dá para dizer que ele foi brilhante mas fez o que ninguém mais estava fazendo: se movimentou muito e assim estava sempre livre e bem posicionado para receber a bola, principalmente nas pontas, bem diferente do Pacheco que não se deslocava e sempre recebia a bola cercado por 3 corinthianos.
Kleberson é um jogador com ótima visão de jogo, com boa habilidade, mas que erra muitos passes. Se ele acertasse ao menos 50% dos passes seria sem dúvida um dos melhores jogadores do futebol brasileiro. Menos mal que no jogo ele acertou alguns. No primeiro lance do Kleberson ele já colocou uma ótima bola para o Léo Moura que corria livre pela ponta direita. O segundo lance do Kleberson foi o açucarado passe que representou o alívio de uma nação. O gol do Love foi no melhor momento possível (começo do segundo tempo) e aí foi a vez do Corinthians se desesperar, cair de produção e se perder na boa (e corrigida) marcação rubro negra.
Não sei se foi merecida nossa passagem para as quartas de final da libertadores, mas sabemos muito bem que libertadores não tem nada a ver como merecimento, como sabemos que ser o melhor na fase classificatória também não quer dizer nada. O Fla avança para enfrentar um recente mas velho conhecido, o Universidade do Chile. Tive oportunidade de ver o jogo deles contra o Alianza Lima e, apesar dos chilenos serem melhores, eles penaram para conseguir a classificação. Acho que com o Adriano em campo vamos ter chances de fazer gols, o que vai ser importante, principalmente para o jogo no Chile. O jogo contra o Alianza também mostrou que eles não desistem nunca. Mas o pior é que, como todo bom time sul americano, eles fazem uma cera danada em campo: caem em qualquer esbarrão e provocam o tempo todo. Que Williams, Toró e Michael tenham juízo.
Sobre o Rogério não dá para falar muita coisa. Pegou um time numa daquelas crises rubro negras e conseguiu por ao menos um time com alma em campo. Mas não dá para criticar o Rogério pelo fraco futebol. Dez dias de trabalho, com dois jogos decisivos no meio, não pode ser parametro para saber até onde ele pode ir com o Fla. Acho que voltar ao esquema de 3 zagueiros é um retrocesso, mas seria arriscado fazer maiores mudanças agora. Caso houvesse eliminação tenho certeza que mudanças estruturais na equipe aconteceriam, talvez até com a implantação de um novo esquema, já que Rogério é adepto do 4-4-2. Ao menos estou gostando de saber que ele tem feito mais treinos táticos do que o Andrade.
Mas essa “vitória” não pode nos iludir. O Fla fez um péssimo jogo no geral e por muito pouco não foi goleado no primeiro tempo. Algumas peças precisam render bem mais para que o Fla continue avançando. Podemos até ganhar a libertadores sem mostrar um futebol bonito, mas com certeza não vamos ganhar jogando um futebol tão atrapalhado como aquele do primeiro tempo.
Patrícia devagar quase parando
Quando houve a saída do Marcos Braz lamentei o fato de estarmos perdendo um bom negociador. No trato com jogadores ele podia exagear no carinho ou na porrada, mas é inegável que ele sabia fazer bons negócios para o Flamengo. E agora estamos vendo como realmente o Braz está fazendo falta.
Nossos adversários estão se fortalecendo e mal vemos o Flamengo falando em conversas para renovar alguns contratos. O Zé Roberto que já estava engatilhado pelo Braz acabou indo para o Vasco. Não vai fazer falta? Pode não estar fazendo agora que ainda temos Love e Adriano, mas e se o Love sair, quem vem para o lugar dele? O Emerson Sheik? Está difícil, pois mesmo depois das declarações mais explícitas, ele não recebeu nenhuma ligação de alguém do Fla. Com certeza ir para a porta da gávea com um cartaz “ME CONTRATA” é que o sheik não vai. E o Fluminense, que quer todo mundo, já dá indicações que pode ir atrás do sheik.
A Patrícia pode ter ótimas intenções mas nada disso será levado em conta se o Fla não continuar vitorioso. E para sermos vitoriosos, só com bons jogadores no elenco. Gostaria de ver um pouco mais de pressa da nossa presidenta na hora de decidir quem vai mandar no futebol. O Fla a cada dia que passa perde bons negócios e deixa para os outros as boas possibilidades que se apresentam.
E as boas oportunidades estão surgindo até aqui mesmo. Existem indicações que o Marcello Matos será dispensado pelo Corinthians. É um ótimo volante, que cairia como uma luva para jogar do lado do Maldonado. Mas será que alguém no Flamengo ao menos sabe dessa possibilidade? Creio que não. Outro exemplo é o Diego Souza, uma das principais peças do Palmeiras ano passado, que não deve mais jogar por lá e a Traffic está doida para negociá-lo com a Europa, mas não está conseguindo. Pode ser que seja difícil ele vir para o Fla, mas gostaria que alguém da gávea ao menos ligasse e questionasse a possibilidade. Não custaria nada mais do que uma ligação e alguns minutos. Fluminense, Inter e Corinthians já estão de olho nele.
Enfim, o que deixa a nação amargurada é que não estamos vendo ninguém se movimentando no sentido de fortalecer o time. Se o estão fazendo, vão merecer minhas sinceras desculpas e parabéns por estarem sendo tão discretos que nem a imprensa está conseguindo informação alguma de negociações do Fla com jogadores. Mas os fatos indicam o contrário e parece que nossa presidenta ainda não atentou que no futebol, ainda mais no Fla, é tudo para ontem.
Estréia no brasileirão
Eu não esperava muito do time que entrou em campo hoje contra o São Paulo que também usou um time misto. E na verdade não dava para esperar muito de um time que nunca jogou junto. Nessa hora concordo com o comentarista do jogo que talvez seja melhor usar o time reserva inteiro, que pelo menos treina mais vezes junto.
Mesmo assim acho que as dificuldades poderiam ser diminuídas por uma melhor escalação. Era melhor ter começado o jogo com um volante a menos (ou Toró ou Fernando) e um meia a mais (Pacheco ou Michael). O óbvio aconteceu e o São Paulo tomou conta do primeiro tempo já que tínhamos pouca gente para jogar na frente. Além disso, Denis Marques, Kleberson e Petkovic ficaram muito distanciados do meio campo. Com essa separação entre meio campo defensivo e meio campo ofensivo o São Paulo postou seus jogadores na nossa intermediária e teve muita tranquilidade para tramar suas jogadas.
Mas mais uma vez prefiro não condenar o Rogério. Não sei que idéias ele tinha antes do jogo, mas aposto que, como bom observador que ele é, não deverá mais cometer esse mesmo erro. Além disso ele fez mudanças sempre pensando em ganhar o jogo: Michael no lugar do Fernando e Fierro no lugar do Romulo. O Fla terminou o jogo com 4 meias (Kleberson, Fierro, Michael e Pacheco) e um só volante (Toró). E tivemos boas chances de virar o jogo no segundo tempo. Faltou um pouco mais de capricho em algumas finalizações, principalmente por parte do Kleberson e do Petkovic.
Na parte individual, sem dúvida Kleberson foi o melhor jogador do Fla, mas ele precisa corrigir os problemas de passe e também precisa calibrar mais a pontaria. Ele pega bem na bola, mas nunca acerta o gol. Petkovic também foi bem e mostrou que já está em melhores condições físicas. Saiu muito cansado, mas correu o campo todo e isso já é um grande avanço para reconquistar a titularidade porque qualidade ele tem de sobra. David fez uma boa partida e só exagerou na hora que descia para o ataque. Dar uma de Messi definitivamente não é a dele.
A parte negativa fica por conta do Toró que continua com a mania de só acompanhar a bola e nunca ver as jogadas que tramam à sua volta. Everton Silva foi muito irregular. Fez algumas boas jogadas, mas abusa de querer resolver tudo na velocidade. Ele também precisa aprender a não se afobar tanto na hora de passar a bola. Denis Marques (embora eu entenda que lhe falta ritmo de jogo) se enrolou sozinho com a bola em alguns lances, mas deu um ótimo passe que o Kleberson praticamente sozinho desperdiçou. Michael entrou bem no jogo, tentou boas enfiadas de bola, mas em alguns momentos exagera nas jogadas de efeito e sempre parece disposto a tentar o mais difícil.
O bom que vi nesse jogo é que o Rogério, quando assumiu o comando técnico, disse que queria objetividade e acho que o Fla conseguiu ser objetivo. Estávamos conseguindo chegar bem na frente, mas faltou ser decisivo, faltou acertar um passe ou um chute na hora final.
Por enquanto o brasileiro está em segundo plano. É difícil pensar em outra coisa no momento que não seja o jogo da libertadores na quarta. O Fla está correndo um risco mas não há outro jeito. Todos times envolvidos em outras disputas também usaram times mistos ou mesmo reserva. Espero que o Fla esteja ciente dessa dificuldade e que assim seja feito um trabalho especial com o time reserva para que eles treinem como se fosse o time titular. O Fla tem duas frentes para combater e com planejamento podemos evitar acontecer o que aconteceu ano passado com o Cruzeiro que foi até a final da libertadores e quando voltou as atenções para o brasileiro estava na zona de rebaixamento.
Abraços a todos, boa semana e saudações Rubro Negras