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A ERA DO IMEDIATISMO

ENQUANTO ISSO, GOL DA ALEMANHA

Costumo comentar com amigos que gostaria de viver mais trinta anos para poder ler como a história vai descrever este início do século. Se o final do século XVIII e início do século XIX, com a Revolução Industrial que mais do que uma mudança no processo de produção, passando do artesanal para o uso de máquinas e a criação do trabalhador assalariado, provocou uma verdadeira revolução na sociedade, este início de século XXI com a Revolução Tecnológica através da popularização do computador pessoal, o surgimento da internet e da telefonia móvel, mais do que uma nova dinâmica no mundo dos negócios está provocando uma profunda mudança na forma com que as pessoas se relacionam, através das chamadas redes sociais.

O que era chamado da Era da Informação ou Era do Conhecimento eu chamo da Era do Imediatismo, na qual as pessoas num surto de ansiedade querem respostas rápidas para todos os tipos de problemas mesmo que estas respostas não sejam necessariamente as soluções para estes problemas. O resultado disso costumo chamar também da Era da Superficialidade, pois esta pressa toda faz com que as pessoas não pensem, não reflitam, não poderem suas palavras. Este cenário já faz surgir uma doença, quase uma epidemia que é a SPA – Síndrome do Pensamento Acelerado, processo pela qual nossa mente começa a apresentar sequelas por esta tempestade de informações e interações. Cientistas já sinalizam, inclusive, um risco para a raça humana, que pelo seu natural processo de adaptação ao meio, venha sofrer nas próximas gerações mutações na formação do seu cérebro de modo que os recém-nascidos, depois crianças, adolescentes e adultos sintam necessidade desta tempestade de dados para poder viver. Muitas pessoas hoje não conseguem mais estar num ambiente, como uma casa de campo, sem que haja uma conexão com internet onde possam saciar esta fome de informações.

Pois bem, aonde quero chegar?

Quero chegar neste processo agora de fritura do Cristóvão. Confesso que fiquei assustado com a chuva de manifestações contrárias ao treinador. Não quero falar da questão do racismo, pois não vi nestas manifestações qualquer tom neste sentido.

Um outro nome que pode ser dado é a Era da Intolerância, pela maneira que os sábios de plantão se pronunciavam sobre o nosso treinador, como se ele fosse o único responsável pela nossa má campanha.

Não quero aqui entrar no mérito das decisões do Cristóvão, pois não concordei com muitas delas, como insistir com o Wallace no lado esquerdo da zaga, muitas das substituições e muitas das não substituições. A última então com o Jajá, prefiro nem comentar. Entretanto, colocar apenas na conta do treinador o que estamos passando chega a covardia. Cristóvão tem a sua parcela sim, mas diretoria e jogadores também. Então por que crucificar apenas um? Vão falar que é a nossa cultura e que sempre foi assim.

Nunca vou concordar com demissão de treinador no meio de uma competição, a menos que haja uma perda de comando entre ele e os jogadores ou algum fato grave. Errar todos erram. Teimosos todos são.

Em seus quase três meses de Flamengo, Cristóvão teve 46% de aproveitamento, o que colocaria o Flamengo em 10º colocado, ao invés do atual 13º. Se considerarmos apenas os jogos a partir dos quais pôde contar com Sheik e Guerrero, mesmo sem o Ederson, teria mais de 62% de aproveitamento, rendimento do 3º colocado do campeonato. Fato!!!

Dos 9 jogos que fizemos no Maracanã, só não assisti a 3 (Figueirense, Corinhians e Atlético-PR). Pude ver in loco uma melhora do time em muitos aspectos, apesar do sofrimento com as bolas altas na nossa defesa.

Cristóvão não era o meu favorito, assim como o Oswaldo não é. Aliás, diga-se de passagem, não sei quem seria o meu favorito, pois todos eles tem seus pontos fortes e muitos pontos fracos.

Enquanto isso, na Alemanha, Guardiola vai para a sua terceira temporada no Bayern de Munique, mesmo sem ganhar o título mais importante que é UEFA Champions League e sofrendo algumas críticas pesadas por setores da mídia e até da torcida, críticas tipo que não tem a cara do Bayern nem do futebol alemão. Já ouvi isto recentemente.

Depois não entendemos o porquê dos 7 x 1 que levamos para eles há pouco mais de um ano. Nem precisamos ir muito longe. Veja o sufoco que os times brasileiros vem tendo progressivamente na Libertadores, apesar de terem orçamento muito superiores do que nossos vizinhos hermanos. Há dois anos não chegamos à final.

Nossos times não possuem conjunto, não tem esquema porque em sua maioria seus treinadores não tem continuidade. Já está mais do que provado que os melhores times, em resultados e estilo de jogo, são aqueles que conseguem dar longevidade a seus treinadores, suportando pressões em fases de maus resultados, plantando para colher lá na frente.

Como torço para o Flamengo e não para o Cristóvão, nem Muricy, nem qualquer outro, a partir de agora vou torcer pelo Oswaldo. Precisamos dar tempo para ele conhecer o elenco, de testar suas formações, mesmo neste calendário louco de jogo atrás de jogo e de poder contar com jogadores importantes cedidos às suas seleções nas tais datas FIFA.

Mesmo que neste ano fiquemos alijados de título ou vaga na Libertadores, importante que ele saiba montar o elenco para a próxima temporada e lá em 2016 como continuidade a seu trabalho consiga conquistar o que sempre queremos, nada mais nada menos do que todos os títulos.

Saudações rubro-negras


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