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A mediocridade que decide

No dicionário: Medíocre = Médio ou mediano. Que não é bom e mau. Que não é grande nem pequeno, ou que está entre pequeno e grande. Ordinário, insignificante. Característica do que é comum.

Firme na briga pelo sétimo título brasileiro de sua história, o Flamengo demonstra um futebol vistoso, e sólido, por méritos de um elenco que está no ponto certo.

Todos se lembram da enxurrada de críticas que a atual direção do Flamengo recebeu quando diminuiu os investimentos do futebol durante o processo de reestruturação do clube, o tempo passou, e o cenário se inverteu, parece que pegaram o jeito da coisa.

Bandeira, e sua turma azul, resolveram investir pesado no futebol nesses últimos tempos, e agora já começam a colher os frutos. Montaram um elenco qualificado, trouxeram medalhões renomados como Diego e Guerrero, recolocando o Flamengo no topo.

Mas o grande pulo do gato foi conseguir recuperar jogadores que ninguém mais tinha grandes perspectivas. Atletas tecnicamente medíocres como Gabriel, Pará, Márcio Araújo, e Fernandinho, estão sendo importantes para o time, mesmo com todas as suas limitações.

Ninguém consegue no Brasil montar um time com 11 jogadores fora de série, vários têm grandes estrelas em seu plantel, e nelas ficam depositadas as esperanças de decisão, são elas que carregam a responsabilidade de desiquilibrar os embates.

O Campeonato Brasileiro é o torneio nacional mais difícil do mundo, e o equilíbrio entre a maioria das equipes é muito alto, uma pequena diferença entre elas pode levar do céu ao inferno. É aí que os medíocres se tornam importantíssimos.

A produtividade dos mais fracos acaba virando o fiel da balança, a fase que eles atravessam, e a maneira que se sobressaem como grandes coadjuvantes em suas equipes, se reflete diretamente na campanha de cada time na temporada.

A competência pode substituir o talento? Talvez, em alguns casos, mas os números desse campeonato a parte, onde refugos se digladiam para tentar mudar de patamar em suas carreiras, chegam a ser até mais importante para os números gerais da equipe do que o aproveitamento dos craques.

No filme/livro ‘Moneyball’(O homem que mudou o jogo), existe uma interessante teoria para avaliar as contratações do time de baseball Oakland Athletics. Usando uma sofisticada análise de estatísticas de desempenho, e pouco dinheiro envolvido.

Explicando superficialmente, Billy Beane, junto com Peter Brand selecionam jogadores que a maioria dos olheiros deixam de lado, atletas subvalorizados, mas que possuem características especificas para a necessidade do time em suas posições.

Na real, o homem que mudou o jogo no Flamengo foi o Zé Ricardo, ele sim fez um ótimo trabalho, dando de ombros para a turma do amendoim que perseguia alguns jogadores do elenco. Zé Ricardo não teve medo, teve visão, e conseguiu arrumar a casa.

Mais profissional do que nunca, o Flamengo tem que continuar nessa batida, a confiança é o combustível para alimentar a boa fase do time, é aí que naturalmente as coisas dão certo.

Que os deuses do futebol estejam com o Flamengo!

Vinny Dunga

vinny.dunga@colunadoflamengo.com

Fonte: http://colunadoflamengo.com/2016/09/mediocridade-que-decide/

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