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A previsibilidade é a mãe do fracasso

flameng - A previsibilidade é a mãe do fracasso

O Flamengo ainda que tenha gente para estrear, se tornou previsível. Temos muita deficiência nas finalizações e, principalmente uma mazela que nos persegue desde o ano passado, não sabemos nos comportar contra adversários fechados e que jogam no contra-ataque. Como resolver o problema, já que os simples treinamentos têm se provado improdutivos?

Para analisarmos isto, precisamos observar como era o time 16, qual é a proposta do 17 e qual é o problema para que a estratégia fracasse.

O Time 16 era um time com Diego-dependência, dois pontas burros nas alas fazendo corredor defensivo e ofensivo, um Guerrero num momento bom, para o próprio nível, um primeiro volante defensivo discutível e uma defesa sólida.

O que acontecia na prática era que os adversários se fechavam e deixavam que o Flamengo tocasse a bola de um lado e outro. Se Diego não estivesse inspirado, o time ficava só gastando tempo sem conseguir furar o bloqueio e, quando conseguia alguma chance era com os pontas que não possuem o fundamento da finalização. Resultado: Sofríamos com contra-ataques e, se muito, ganhávamos por 1×0. A deficiência era tão nítida que até times grandes jogavam assim contra nós. Tivemos um grande período de alta em que íamos para cima basicamente na base da vontade.

Zé Ricardo não é burro, mesmo que alguns pensem o contrário. Viu isto no ano passado e decidiu variar este ano. A ideia do time 17 era ter melhores pontas, uma melhor saída e um “falso ponta” criando uma variação de 442, que é o que todos pedimos. Na prática, Mancuello deveria estar na direita e trocar freneticamente com Diego de posição, aparecendo no centro para dar aquele último passe para finalização, fazer triangulações com Pará e gerar boas assistências, cortar para o meio e aproveitar o bom chute que tem. Começou muito bem, mas as muitas mexidas do comandante no esquema tático colocam algumas dificuldades para a consolidação do esquema.

O esquema principal ainda carecia de soluções. Mancuello não dá a mesma dinâmica defensiva que Gabriel e não tem finalizado bastante de fora da área, Rômulo ainda sente os ônus de um ano e meio sem jogar, ainda temos Everton na esquerda e Berrío dá sinais cada vez mais claros de que não o ameaça tanto assim. Adicione a isso o fato de que temos mudado bastante de esquema de um jogo para outro. Vizeu já jogou como segundo atacante. Já tivemos dois meias num 442 com Paquetá e Sávio e, o que parece ser a preferência do treinador em momentos de crise, jogamos várias vezes no tudo ou nada num 424.

Calma! O ano mal começou e o treinador tem feito o que nós pedimos demais no ano passado. Ter variações. Muitas vezes tem mexido no esquema até sem mexer as peças. É uma coisa louvável. Mas o nosso time titular já não joga junto há algum tempo. A última vez foi no jogo contra o San Lorenzo dia 08/03 há quase um mês. A impressão é que os titulares voltam contra o Vasco sábado e é bom, para que peguem ritmo de finais, já que para os cruzmaltinos o jogo é como uma final.

Eu sei que tem muita gente reclamando do time e do treinador no momento. Mas nós temos que decidir o que é mais importante: O carioca ou o resto do ano? “Mas nós não fizemos bons jogos contra os grandes” Ok. Mas você quer ganhar o jogo e esse campeonato ou quer preparar o time para o resto do ano? Depois, o time titular fez três jogos contra os grandes, quatro se contar o grêmio. São duas vitórias e duas derrotas. Alguns com time misto? Sim, mas vai ver se não tem time comemorando empate contra nosso misto.

Fato é que o esquema proposto pelo Flamengo está voltando à previsibilidade e há maneiras de mascarar isto, seja com time grande, seja com menores. Há que se testar. Não podemos depender tanto das jogadas de Mancuello e Diego, ou de uma noite inspirada de Guerrero contra um time com formação rolha. Inclusive é o que parece que vai acontecer sábado.

O Flamengo tem entrado nos jogos de forma bastante morna e só tem acordado no primeiro tempo técnico do carioca. É hora de tentar uma nova estratégia. Que tal fazer uma blitz logo no início, sufocando os adversários e buscando um, dois gols logo nos primeiros 15 minutos? Muitos times na libertadores usam desta estratégia, até mesmo fora de casa. Com o adversário atrás no placar podemos respirar um pouco e guardar fôlego para as descidas em velocidade dos contra-ataques, ou mesmo fazer o que o time faz de melhor que é tocar a bola buscando uma infiltração.

Poderíamos aqui sonhar com a entrada de Conca, talvez de Ederson, mas não é hora para estes pensamentos. Quando os dois estiverem à disposição pensaremos. Por hora, usemos que temos de melhor.

Ponto negativo é a suspensão de Berrío na libertadores. Temos que avaliar bem o que tem acontecido com o time, que é disciplinado e de poucas faltas, mas já tem três expulsões no ano.

Outra coisa é o vazamento do telefone do Zé. É de uma infantilidade enorme. Claro que podemos reclamar de alguma situação aqui, mas invadir o foro pessoal é de uma irracionalidade demasiada. O Zé Ricardo nem é o meu preferido, como alguns já sabem, mas é o melhor que temos em anos. Outros já passaram aqui sem sucesso algum e outros que tiveram algum sucesso não se afirmaram.

O assunto não é o treinador, mas a estratégia. Vamos mudar nosso comportamento durante os jogos? Como você acha que devemos fazer isso? Vamos bater aquele papo!

Anderson Alves, O otimista.
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Fonte: http://colunadoflamengo.com/2017/04/a-previsibilidade-e-a-mae-do-fracasso/

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