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Algodão, o craque da bola laranja

O maior nome do basquete rubro-negro

No bairro de Realengo, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, teve início a história de uma lenda do esporte brasileiro. Zenny de Azevedo foi criado em Campo Grande, na mesma região carioca, onde ganhou o apelido que ficaria mundialmente conhecido: Algodão.

A humildade foi uma das características que melhor podem definir esse atleta. Sua dedicação e amor ao basquete foram insuperáveis. Algodão nunca recebeu salários, tanto atuando pelo Flamengo, quanto pela Seleção Brasileira da época, pela qual esteve presente em quatro Jogos Olímpicos. Seu estilo de vida tranquilo, residindo por toda vida em uma casa simples em Campo Grande, mostra a nobreza de espírito característica de um ídolo que atingiu a todos.

Sua carreira no esporte da bola laranja começou no Clube dos Aliados, situado no bairro em que residia. Desde suas primeiras partidas na equipe era notável o talento que possuía. Suas performances chamaram a atenção dos quatro grandes clubes da cidade, mas Zenny optou pelo rubro-negro. Esse foi o início de sua incrível trajetória no cenário brasileiro.

Algodão conquistou seu primeiro título pelo clube da Gávea foi o Campeonato Carioca de 1948, competição que seria dominada pelo Mais Querido por toda a década seguinte. Em 1949, o craque levava o Flamengo ao bicampeonato da cidade e à sua primeira conquista nacional.

O que viria a seguir pode ser definido em uma única palavra: hegemonia. De 1951 a 1960, o basquetebol carioca foi 100% rubro-negro. O decacampeonato foi um enorme feito para a época, tanto que os jogadores que formavam essa equipe praticamente imbatível formaram a base da Seleção Brasileira em duas Olimpíadas, a primeira em 1948, em Londres, cuja qual o Brasil conquistou sua primeira medalha na modalidade, e a segunda em Helsinque, em 1952.

Zenny foi o destaque da modalidade no país ao liderar o Flamengo à conquista da tríplice coroa. O primeiro título Sul-Americano de um clube brasileiro foi emblemático. Foram sete os confrontos vencidos até a conquista do título: o Antofagasta, e Palestino, ambos do Chile; o Bílis, do Peru; a Universidad, do Equador; o Olímpia, do Paraguai; o Paysandu, do Uruguai; e o Santa Fé, da Argentina. Não foi uma caminhada fácil, mas o talento do esquadrão liderado pelo pelo ala prevaleceu sobre todas as adversidades. Esse foi o acontecimento que marcou o basquete do país em 1953, ano esse que também viu o Mais Querido sagrar-se novamente campeão brasileiro e tricampeão carioca.

Em 1954, a Seleção teve um gosto do que estaria por vir cinco anos depois. A prata no Campeonato Mundial disputado em sua terra natal, apesar de ser uma grande conquista, teve um gosto amargo. No entanto, os aprendizados foram assimilados muito bem pelo grupo de atletas que, no torneio seguinte, em 1959 no Chile, realizou mais um grande feito. O ouro mundial coroou uma inesquecível geração de incríveis atletas, que representaram o Brasil movidos pelo amor ao esporte.

O último feito de Algodão pelo selecionado nacional foi um novo bronze olímpico, dessa vez em Roma, no ano de 1960. A participação do ala na competição também teve enorme destaque, sendo um dos cestinhas do campeonato. Pelo Flamengo, sua marca final foi o Campeonato Carioca de 1962, que fechou o ciclo de uma geração extremamente vitoriosa trajando o Manto Sagrado.

Após o fim de sua carreira nas quadras, Zenny optou por transmitir todo seu conhecimento às futuras gerações do basquetebol, dando aulas na Faculdade de Educação Física Moacyr Bastos. Em homenagem à sua vitoriosa carreira dentro e fora do local onde mais brilhou, o ginásio do Complexo Esportivo Miécimo da Silva, construído no bairro de Campo Grande, foi batizado de Ginásio Algodão.

Em março de 2001, o mundo perdeu esse grande ídolo e, como não poderia deixar de ser, seu último adeus também foi dado dentro de uma quadra. Seu corpo foi velado no ginásio do Colégio Affonso Celso. Com o caixão coberto pela bandeira do Mais Querido, o carro do Corpo de Bombeiros o levou ao cemitério do bairro onde suas raízes mais fortes de fixaram.

Um exemplo de amor e respeito ao esporte.

Fonte: http://www.flamengo.com.br/site/noticia/detalhe/24466/algodao-o-craque-da-bola-laranja

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