Análise: Dependente do jogo aéreo, Flamengo sofre para criar

Análise: Dependente do jogo aéreo, Flamengo sofre para criar

O futebol atual, este jogo de negação de espaços, impõe um grande desafio a times que se propõem a ter a bola: furar grandes bloqueios. Quando a esta receita se acrescenta um Flamengo com crônicas dificuldades para articular jogadas e que, com seu departamento de futebol em plena reconstrução no mês de abril, o resultado é o 1 a 1 de ontem com o Santa Fé, num Maracanã sem torcida: bola com o Flamengo, chances quase sempre em escanteios e raras finalizações originadas em lances articulados. O jovem Maurício Barbieri fez apenas seu segundo jogo oficial. Natural que seja difícil diagnosticar que cara tem o seu Flamengo. Ao mesmo tempo, há urgência por resultado na Libertadores. Um paradoxo.

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A sensação de ser um time que promete mais do que entrega não é nova. O Flamengo voltou a terminar um jogo deixando a imagem de um time que ainda não aconteceu. A rigor, teve bons momentos no início do jogo e em parte da segunda etapa, quando surgiu uma boa notícia: o jovem Lincoln, de 17 anos. Num time que tenta jogar através do toque, Henrique Dourado apresenta enorme dificuldade de se adaptar. Ontem, numa noite particularmente ruim, errou inúmeras jogadas na função do pivô. Diego, certamente o mais técnico, dá a esperança da bola parada, do lance diferente. Ele cria, mas por vezes trava o jogo. Só não parece razoável fazer dele o maior problema.

A movimentação dos homens de frente do Flamengo parecia aproximar os jogadores e criar opções de passe no início. Mas a vantagem surgiu num gol de Henrique Dourado, após erro clamoroso do goleiro Zapata. E as demais chances vieram pelo alto oou numa cobrança de falta rápida, que pegou a defesa do Santa Fé desatenta. Diego quase marcou. Pelos lados, só houve jogo pela direita. Na esquerda, Vinícius Júnior jogava aberto, sem atacar a área e sem ajuda para construir. Até que um erro de domínio de Diego pegou a defesa rubro-negra saindo da área. Morelo empatou.

Buscando consistência num meio-campo leve, Barbieri trocou Éverton Ribeiro por Arão. E colocou Lincoln. O jovem atacante, ao sair da área, criava superioridade no meio-campo, permitia trocas de passe. Mas não era o bastante. Logo começou uma sucessão de cruzamentos e chances perdidas. Mas, justiça seja feita, o Flamengo obrigou Zapata a defesas e até fez um zagueiro evitar um gol na linha. De qualquer forma, com um só jogo em casa e duas viagens pela frente, o Flamengo tenta evitar que o Grupo 4 vire drama.

FLAMENGO 1 X 1 SANTA FE

Flamengo: Diego Alves, Rodinei, Juan, Réver e Renê; Cuéllar, Paquetá e Diego; Éverton Ribeiro (Willian Arão), Vinícius Júnior (Geuvânio) e Henrique Dourado (Lincoln).

Santa Fe: Zapata, Arboleda (Giraldo), López, Tesillo e Gil; Perlaza, Gordillo e Vargas (Soto); Morelo, Plata (Henao) e Pajoy.

Gols: 1T: Henrique Dourado, aos 7m; Morelo, aos 30m.

Juiz: Andrés Cunha (Uruguai).

Cartões amarelos: López, Soto e Cuéllar.

Local: Maracanã.