Análise: Flamengo e Paquetá na rota da evolução tática e psicológica

Análise: Flamengo e Paquetá na rota da evolução tática e psicológica

Se o Flamengo evolui a cada jogo com o técnico Maurício Barbieri — mantendo o ritmo de vitórias e ficando pela segunda rodada seguida na liderança do Brasileirão, com 10 pontos —, Lucas Paquetá amadurece junto. A vitória sobre o Internacional é uma mostra disso. Não só pelo placar de 2 a 0, que teve o meia de 20 anos, autor do primeiro gol, como um dos protagonistas, mas pelo comportamento de time e jogador.

Foi uma ocasião com traços apoteóticos para o Flamengo, que dominou amplamente e construiu uma vitória sólida. A partida também marcou o retorno de Paolo Guerrero aos gramados, após cumprir seis meses de suspensão por doping, e foi disputada em um Maracanã lotado, com pouco mais de 60 mil presentes (55.283 pagantes). Isso significou o maior público do Brasileirão, o segundo maior de toda a temporada do futebol brasileiro, perdendo apenas para a final do Carioca (Botafogo x Vasco teve 58.135 pagantes).

Tão significativo quanto o gol de Paquetá — um belo chute de fora da área, aproveitando rebote da falta que ele mesmo mandou na barreira — foi o comportamento que o camisa 11 teve diante de um desafio psicológico complicado: lidar com a provocação de D'Alessandro, especialista no assunto. Se tem uma coisa que o argentino sabe fazer é “buzinar” no ouvido alheio, na tentativa de tirar o adversário do sério. Mas o capitão do Inter não se limitou às palavras e chegou a dar um leve soco no queixo do flamenguista. A situação aconteceu logo após a expulsão de Willian Pottker, por uma cabeçada em Vinicius Júnior. Àquela altura, o Flamengo já vencia por 1 a 0. A reação de Paquetá em seguida foi sagaz, ainda que importada de algum jardim de infância, paradoxalmente provar o grau de amadurecimento: colocar a mão nos ouvidos, recusando-se a ouvir o portunhol do capitão colorado.

Sob o aspecto tático, mas uma vez Paquetá teve papel importante na engrenagem rubro-negra. A função mais recuada no meio-campo, que, segundo o próprio, era a que ele fazia na base do clube, mais uma vez foi bem executada e contribuiu para o domínio do Fla. O primeiro tempo, apesar de não ter gols, já foi de controle do time de Barbieri, com a ressalva de que os lances mais perigosos tenham sido colorados — ambos pelo alto, em cabeçadas de Leandro Damião. Diego Alves salvou.

Paquetá também mostrou bravura na marcação. A coxa até saiu ralada por causa de um carrinho. Mas nesse quesito houve contribuição valiosa de Cuéllar. O colombiano foi quase impecável nos desarmes e na distribuição de jogo. A exceção foi um cartão amarelo recebido no segundo tempo.

Mas Paquetá não foi protagonista sozinho. Everton Ribeiro também fez um bom jogo e tem ganhado confiança na articulação do time. O ápice da apresentação do camisa 7 foi o segundo gol do Flamengo, em uma jogada característica dele: a arrancada da ponta direita em direção ao meio, deixando marcadores pelo caminho, culminando com a finalização no canto do goleiro. Digno de aplausos.

O gol de Everton Ribeiro também foi a cereja do bolo na euforia da torcida, que já tinha ido à loucura, não só com os gols, mas também com a entrada de Guerrero O peruano substituiu Henrique Dourado aos 13 minutos do segundo tempo. O Flamengo que Guerrero encontrou está mais organizado e, se seguir o embalo do crescimento de Paquetá e do coletivo da equipe em si, credencia-se a brigar por coisas importantes no decorrer da temporada.