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APENAS UMA VISÃO DIFERENTE

SE A GENTE NÃO AJUDAR ...

Como AQUI É O FLARJ, onde as pessoas se sentem a vontade para discordar, por saberem que não sofrerão perseguições, ofensas e boicotes por isso, vou me permitir trazer uma visão um pouco diferente da maioria de vocês.

Acredito que não seja segredo para ninguém, a importância do fator psicológico em qualquer esporte, futebol inclusive. Dentre inúmeros exemplos, um dos mais marcantes aconteceu em 81, quando precisávamos de apenas um empate em 2 jogos contra o Vasco e aquela nossa SUPER equipe da época perdeu ambas, abatida que estava com a morte recente do amigo e treinador Coutinho.

Sempre soubemos que nossa equipe não era exatamente um timaço. Ganhamos a Copa do Brasil em uma fase de encaixe absoluto no elenco, do elenco com o treinador e de ambos com a torcida. Depois, veio a pré temporada, a Taça Guanabara e, mesmo sem desempenho que empolgasse, levamos de barbada.

Mas tanto esses jogadores quanto o treinador e a torcida esperavam mesmo é por um bom desempenho na Libertadores. Não aconteceu! Pelo contrário, irresponsabilidades, erros grosseiros e desfalques nos fizeram sair novamente na primeira fase. Nossa decepção foi IMENSA, CLARO !!! Mas será que a dos jogadores foi menor que a nossa? Nem que seja apenas por vaidade pessoal, ou pela pressão que inevitavelmente sofreriam de todos os lados, será mesmo que ficaram indiferentes ao vexame?

Ganhamos o Carioca. Serviu de consolo? Lógico que não! E vocês se lembram como foi? A MÍDIA INTEIRA afirmando ter sido imerecido, conseguido com erro de arbitragem, um verdadeiro assalto aos “pobres vascaínos”. Levantamos a Taça constrangidos, tamanha a pressão que presenciamos em todas as mídias durante os dias seguintes.

Vem o Brasileiro! Desfalcados e ainda abatidos pela saída precoce da Libertadores, não conseguimos re-encaixar. Pior, erros de arbitragem (do mesmo tamanho daquele do Carioca) nos tiram pontos importantíssimos. Evidentemente que sem receber o mesmo destaque por parte da nossa Maior adversária.

A falta de vitórias se refletiu na tabela; nossa Direção se sente pressionada e, como sempre, sobrou para o treinador. Aquele mesmo que, na base do papo amigo, com grande conhecimento do elenco e a mesma competência de muitos por aí, conseguiu tirar O MÁXIMO daquele grupo abandonado, desacreditado, subjulgado e transformá-lo em Campeão Nacional.

Por mais experiente e casca grossa que um jogador deste grupo seja, teria que ser MUITO burro, insensível, ou gostar muito pouco do Jaime, para não reconhecer sua parcela de responsabilidade e não se abater com essa demissão. Principalmente pela forma como ela ocorreu.

Um novo treinador chega, claro, mas, ao contrário do que manda o bom senso, sai mudando TUDO, inventando soluções descabidas, substituindo com requinte de crueldade e sem conseguir resultado nenhum com isso.

E, mais grave ainda, tentando se livrar da responsabilidade, teve a CORAGEM de culpar o condicionamento físico dos jogadores, em um jogo que já tínhamos levado dois gols em 18 minutos, quando, CLARAMENTE, se percebia era um sistema defensivo totalmente desarrumado, pelo PRÓPRIO.

De que forma esse grupo deve estar olhando pra ele? Com a necessária confiança e respeito? DUVIDO MUITO !!!

Diante de tudo isso, como estará o emocional desses jogadores? Como esperar reação de um grupo humilhado publicamente pelo novo gerente, ridicularizado pela mídia e desvalorizado pelo treinador?

Com a própria torcida lhe virando as costas e ajudando a bater?

De que adianta ser a Maior em tamanho, e gostar tanto de encher o peito pra dizer que é FLAMENGO, se o comportamento for comparável ao de um torcedor de Botafogo?

Será que nossa memória é tão curta, que já nos esquecemos das GRANDES alegrias que esse mesmo grupo nos proporcionou recentemente, através de pura dedicação, entrega e superação?

Concluindo, NÃO, EU NÃO ACHO que esteja havendo corpo mole nem desinteresse na nossa equipe (talvez apenas do André). Na minha maneira de ver, estamos diante de um grupo com as limitações já conhecidas, mas, PRINCIPALMENTE, tenso, inseguro, abatido emocionalmente pelos resultados, pela eliminação precoce na Libertadores, pela humilhação sofrida no vestiário, pela demissão do seu amigo treinador e descrente na capacidade de quem o substituiu.

O Flamengo precisa MUITO que seus torcedores se tornem sócios, para amenizar uma situação financeira desastrosa, criada pelas administrações passadas. As mesmas que devem estar abrindo champagne e botando ainda mais lenha nessa fogueira já acesa.

Mas, estejam certos, precisa MUITO MAIS ainda do nosso apoio e voto de confiança na equipe nesse momento. Caso contrário, talvez nem mesmo essa paralisação da Copa seja suficiente, para abaixar a poeira e mudar esse quadro assustador.

Não espero uma nova troca de treinador JÁ e nem por reforços de peso. Pelo menos, não quando estou acordado. Espero, SIM, que esse grupo se FECHE novamente, converse, busque soluções, identifique o que está errado. E que, paralelamente a isso, receba o ÚNICO apoio com que contam neste momento: O NOSSO !!!

Ao longo da vida, aprendi a ver nossa torcida faminta de Flamengo, comparecendo em massa e apoiando sempre, não só quando era servida “Lagosta”. Quando era Jiló também. E, neste momento, se a única opção é jiló, somos NÓS que temos que jogar ele na chapa, botar um azeitezinho e um sal por cima, e empurrar pra dentro. De preferência, com um sorriso no rosto e dispostos a cantar.

 

PRA CIMA DELES, MENGÃO !!!

 

PS: Essa coluna é dedicada ao nosso querido amigo PAULO DE TARSO. Mesmo não vendo “Lagosta” há tempos, não chega a estar lambendo os beiços, mas é sempre presença CERTA no Maraca, para empurrar o jiló.


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