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Bahia de carteirinha, Gabriel dá um tempo na paixão em retorno à Fonte

Jogador do Fla reencontra ex-time e relembra momentos como torcedor no maior palco do futebol baiano: "A principal lembrança é a tragédia de 2007, infelizmente"

Gabriel bahia (Foto: Divulgação / Esporte Clube Bahia)Gabriel é Bahia de coração (Foto: Divulgação / Esporte Clube Bahia)

Um intruso dentro de casa, jogando contra uma de suas principais paixões e com amigos como rivais. Quando pisar na Fonte Nova com a camisa do Flamengo, neste domingo, às 16h (de Brasília), para encarar o Bahia pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro, um filme passará pela cabeça de Gabriel. Nas cenas, o vermelho e preto que veste atualmente quase sempre foram as cores do principal adversário num local onde cresceu gritando a plenos pulmões: "Bora, Bahêa!". No palco de seus sonhos pela segunda vez como profissional, o camisa 17 do time de Vanderlei Luxemburgo trocará novamente o coração pela razão.

Gabriel é um dos casos raros no futebol atual de quem não esconde o time para o qual torce. É Bahia. É "Bahêa", como se fala em Salvador. As provocações rotineiras no Ninho do Urubu a Wallace, torcedor do Vitória, deixam isso claro. Mas a paixão da infância em alguns momentos tem que dar lugar a um lado profissional que o baiano demorou a descobrir: somente aos 19 anos, quando teve um tardio início no futebol. Domingo, o meia-atacante, quem diria, será rubro-negro. Mas que fique claro: a relação com o Tricolor da Boa Terra só será interrompida por 90 minutos.

– É especial. É o clube onde fui praticamente formado. Apesar de não ter feito base, foi o Bahia que me projetou para o futebol. Com certeza é especial demais. Acompanho os jogos sempre que posso. A maioria das vezes estamos jogando também, mas vejo os gols, procuro saber os resultados.

É especial. É o clube onde fui praticamente formado. Apesar de não ter feito base, foi o Bahia que me projetou para o futebol". 
Gabriel, torcedor do Bahia

Neste domingo, Gabriel entrará pela segunda vez na reformada Fonte Nova. Na antiga, o jogador do Flamengo foi inúmeras vezes para torcer pelo Bahia. Quando faltava dinheiro, se contentava em observar de rabo de olho somente os minutos finais, no meio da multidão que deixava o estádio, mas a lembrança mais marcante é de um dia que estava na arquibancada: 25 de novembro de 2007.

– Ia sempre na Fonte Nova. Estava lá na tragédia, essa é a principal lembrança, infelizmente (na partida contra o Vila Nova, que garantiu o retorno do Bahia para Série B, sete torcedores morreram após parte da arquibancada cair). É diferente demais ver o Bahia jogar lá. Às vezes, nem tinha dinheiro para o ingresso e ficava esperando os acréscimos. Quando abriam os portões, entrava.

No Rio de Janeiro, o camisa 17 do Flamengo mantém o clima de Ba-Vi com o conterrâneo Wallace nos treinamentos e se diverte.

– A rivalidade é grande. Apesar de ele ser mais abusado que eu, a briga é feia entre nós dois (risos).

Amaral, Wallace, Gabriel, Ninho, Flamengo (Foto: Gilvan de Souza/Fla Imagem)Wallace e Gabriel, acompanhados por Amaral, trocam provocações diariamente (Foto: Gilvan de Souza/Fla Imagem)


Titular contra o São Paulo, Gabriel teve boa atuação, participou do primeiro gol no empate em 2 a 2 e recebeu elogios. Parte alta de uma trajetória de 78 jogos com a camisa do Flamengo e muita oscilação. Vanderlei Luxemburgo já pediu paciência com o jovem, que não fez categorias de base. Já o meia-atacante acredita que algumas lesões o atrapalharam na passagem pela Gávea.

– O Vanderlei dá bastante conselho. Ele tem muita experiência no futebol, sabe do que precisamos e está tendo a maior paciência comigo. Agradeço muito a ele. Minha principal baixa foi no fim do ano passado. Agora eu vinha bem e me machuquei. Isso complica a situação. Tive três meses sem jogar juntando parada para Copa, fratura no nariz, cirurgia... Mas acho que a fase ruim foi mesmo no fim do ano passado.

Gabriel treinou como titular no último coletivo do Flamengo antes do confronto contra o Bahia, mas não tem participação garantida na partida da Fonte Nova. Luxemburgo espera uma posição do departamento médico sobre Everton, que se recupera de uma pancada no tornozelo direito – e o próprio Gabriel torce para o companheiro entrar em campo: "Espero não entrar".

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