Treze quilômetros separavam as concentrações de Flamengo e Universidad de Chile no Rio de Janeiro. As duas equipes pegaram praticamente o mesmo caminho para chegar ao Maracanã na última quarta-feira. Os chilenos desembarcaram no estádio a duas horas do início do jogo. Já o Flamengo, como se sabe, teve de correr e só conseguiu entrar no vestiário a 30 minutos do apito inicial.
Mas por que tanta diferença? Três motos talvez expliquem o disparate. Preocupados com o trânsito carioca da hora do rush (o jogo começou às 19h30m), os chilenos solicitaram a escolta de motociclistas. Comportando-se como turista na cidade, o Flamengo foi para o estádio apenas com um carro de batedor.
O resultado foi previsível. O fim de tarde chuvoso e a saturada via que liga a Barra da Tijuca à Zona Sul mantiveram o ônibus preso no engarrafamento de 17h10 às 19h. O gerente de futebol Isaías Tinoco culpou a escolha da polícia pelo incidente.
- Nós temos sempre a escolta da PM. Em função das chuvas, ela elegeu o caminho pela Zona Sul e pegamos um trânsito muito ruim. Foi isso. Seguimos a orientação da escolta da PM e por isso estamos tranquilos. Saímos mais cedo, 2h30m antes da partida. Antecipamos porque sabíamos do trânsito – disse.
Chegar em cima da hora traz prejuízos que, se somados, atrapalham o rendimento da equipe. Presos no ônibus, os jogadores aumentaram o grau de ansiedade pré-partida. Já no vestiário, por causa do pouco tempo, tudo é feito apressadamente. Em partidas da Libertadores, um delegado da Conmebol vai ao vestiário e confere se a foto do passaporte do atleta confere com o rosto.
O procedimento não é tão rápido e atrapalha na montagem do material de jogo. Além do uniforme normal, os jogadores precisam ajeitar as ataduras e relatar ao médico a lista de medicamentos que consumiram no último dia. Tudo isso foi feito às pressas.
- Difícil dizer até que ponto isso influenciou. É muito fácil usar como desculpa. Claro que seria melhor chegar no horário. Mas não dá para dizer que o Flamengo perdeu por causa disso - declarou o lateral Juan.
A logística equivocada não é inédita na Libertadores. Nas oitavas de final da Taça Libertadores de 2008, o time chegou ao Maracanã 40 minutos antes do jogo contra o América-MEX. Preparador físico do time na época, Ronaldo Torres chegou ainda mais atrasado – porque foi no próprio carro – e nem comandou o aquecimento.