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Caçula da Série B conta com dupla ex-Bota e cartola atacante para subir

Barra da Tijuca tem Zé Carlos, o Zé do Gol, e goleiro Max como referências do time na Segunda Divisão. Equipe precisa vencer no domingo para chegar à Série A do Rio

São só quatro anos de vida, e o Barra da Tijuca está perto de alcançar um feito inédito. O caçula da Segunda Divisão do Rio de Janeiro disputa o triangular final da Série B com Tigres e Barra Mansa e precisa de um triunfo no domingo para conseguir o acesso, em Barra Mansa. A história do Tricolor da Barra, contudo, tem suas curiosidades. O clube nasceu da paixão do presidente, que também é atacante da equipe, pelo esporte, em uma parceria com o ex-jogador do Fluminense Ézio, em 2010. Ele tem um modelo de gestão claro: o maior investimento é nos salários em dia e na estrutura, para que não falte nada aos atletas.

O time que teve Tuta e Dodô no ano passado, contratou outros dois medalhões para conduzir a equipe para realizar o sonho de jogar na elite do estado. O centroavante Zé Carlos, o Zé do Gol, e o goleiro Max, ambos com 39 anos e com passagens pelo Botafogo, são os principais nomes. Os dois, inclusive, foram heróis no primeiro jogo da fase final. Na vitória por 3 a 2 sobre o Tigre, o artilheiro marcou o gol da vitória aos 47 da etapa final, de pênalti, e Max defendeu uma penalidade aos 54, já no apagar dar luzes, após o jogo se prolongar por conta de uma paralisação.

Zé Carlos e Max do Barra da Tijuca, da Série B do Rio (Foto: Raphael Bózeo)Zé Carlos e Max do Barra da Tijuca, da Série B do Rio (Foto: Raphael Bózeo)


Zé Carlos foi revelado pelo time de General Severiano e foi lá que viveu uma das maiores emoções da carreira quando fez o gol do título do Torneio Rio-SP de 1998, no empate em 2 a 2 com o São Paulo no Maracanã. No ano seguinte, no mesmo estádio, o empate sem gols com o Juventude na final da Copa do Brasil, que culminou no vice-campeonato, ainda está na recordação. Agora o desafio foi outro. Tirar um time modesto e desconhecido de um simples projeto e transformá-lo em realidade. Já se aproximando do fim da carreira, Zé do Gol, que também teve passagem pelo Flamengo, tem mais um sonho antes de parar de jogar no ano que vem: disputar a Primeira Divisão e voltar ao Maracanã, palco da final da Copa do Mundo no dia 13 de julho.

Camilo do Barra da Tijuca, da Série B do Rio (Foto: Raphael Bózeo)Camilo é um dos líderes (Foto: Raphael Bózeo)

- Eu gosto de desafios e minha vida sempre foi assim, desde que comecei no Botafogo e pelos clubes que passei... Flamengo, Juventude, no Bolívar, na Coréia do Sul, no Japão e em outras equipes. Sempre foram novidades. O segredo desse time é que não tivemos vaidade, um ajuda o outro. Enquanto o Brasil está na Granja Comary concentrado, nós estamos aqui nessa busca. Essa é a nossa Copa do Mundo. Tenho esse sonho de voltar ao Maraca e jogar mais uma vez lá, e quem sabe até não voltar a fazer gol - almeja.

Max é o outro investimento da diretoria para abastecer o time de experiência e liderança. Apesar dos 39 anos, o camisa 1 ainda se vê atuando por mais algumas temporadas. Após jogar no Gama em 2013, ele recebeu o convite e ficou preocupado por se tratar de um clube novo, desconhecido. Porém, a passagem de Dodô no ano passado ajudou o goleiro a decidir. Tuta, outro que vestiu a camisa do Tricolor da Base, passou por equipes como Flamengo e Fluminense.

- Não conhecia o clube, mas sabia que o Dodô tinha passado por aqui. Aí pensei que se ele jogou aqui, alguma coisa boa tinha. Reforço que é a nossa Copa do Mundo. Para mim é um sonho grande voltar para a Primeira Divisão, e aqui no clube não falta nada. É difícil até clubes da Série A ter a estrutura que temos aqui - disse Max.

Estrutura de primeira

O investimento para conseguir o acesso não foi só nos jogadores. Além de contratar o atacante Allan, vice-artilheiro da competição, e o meia Camilo, que também passou pelo Flamengo e é uma das referências, o clube também se atentou para ter uma boa estrutura. O presidente alugou o espaço Lonier, em Vargem Pequena, para usar como CT, com estrutura de pousada para receber os jogadores em regime de concentração quando for necessário. Durante todo o Torneio Final da Série B do início de junho até o próximo dia 29, a delegação, incluindo os veteranos, está concentrada no local para conquistar o objetivo.

Mosaico - Barra da Tijuca  (Foto: Editoria de Arte)


E o lugar colaborou para a boa campanha do Barra da Tijuca. Um campo de futebol oficial cercado por montanhas, ou seja, que não permite que "olheiros" de clubes rivais observem os treinamentos, além de seis campos society, piscina, parque aquático, posto médico, salão de eventos, auditório, salão de jogos com videogame, restaurante e dormitório com 40 suítes. Além disso, há um espaço para que uma academia seja construída nos próximos meses.

O local inclusive já recebeu eventos de grande porte e é cobiçado por países que vão disputar as Olimpíadas do Rio, em 2016, para alojar a equipe de apoio dos atletas. Para se ter ideia, a Copa do Mundo dos Meninos de Rua, sediada no Brasil em neste ano e que recebeu delegações de vários países, aconteceu nesse espaço. A ideia do presidente do clube Adilson Oliveira é manter o time no local e no futuro construir um centro de treinamento.

Zé Carlos e Max do Barra da Tijuca, da Série B do Rio (Foto: Raphael Bózeo)Zé Carlos e Max do Barra da Tijuca, da Série B do Rio (Foto: Raphael Bózeo)

- Vamos continuar com essa parceria e treinando lá. Vamos conversar para organizar tudo da maneira correta e fazer alguns ajustes. Temos o sonho de no futuro ter um CT próprio, mas é um custo alto inicialmente - explicou o mandatário.

O clube foi fundado em 2010 através de uma parceria com Ézio, ex-atacante do Fluminense e que faleceu em 2011. Como os dois eram tricolores, a ideia de repetir as cores do time das Laranjeiras veio rápido. Adilson pediu conselho para o pai dele, também chamado de Adilson, e ouviu a solicitação de que o verde, o branco e o grená fossem as cores escolhidas.

- Eu tinha um time em homenagem a minha filha, o Yasmin. Depois com o Ézio quis fazer algo mais profissional. Quando estávamos escolhendo as cores, pensei em colocar vermelho, branco e verde. Mas meu pai pediu para colocar o grená. Vai ser legal se a gente conseguir subir e enfrentar o Fluminense no ano que vem, mas também os outros grandes. É um sonho chegar à Série A.

Presidente também joga

Aos 44 anos, o presidente Adilson realiza um outro sonho: ser jogador de futebol profissional. Como não teve oportunidade ao longo da vida, ele se inscreveu na Série B e disputou alguns jogos. O técnico Rogério, ex-volante do Corinthians, usa o presidente-atacante normalmente no segundo tempo de algumas partidas. Como tem compromissos empresariais, alguns até fora do Brasil, ele não pode ser escalado com frequência e nem ficar à disposição. Mas ele até já marcou um gol na competição, e garante que não atrapalha quando joga.

- É legal participar dessa história. Tento ajudar de alguma forma, sei que ajudo bem. Lá dentro não tem presidente, eu sou jogador como todos os outros. Fico no banco e entro quando dá - conta.

Max e Zé Carlos tiveram praticamente o mesmo discurso, exaltaram o sonho de criança do presidente de jogar bola. Eles não reprovaram o mandatário com a bola nos pés, e disseram que ele não atrapalha dentro de campo e faz o dele.

- É o sonho dele. Não teve a oportunidade de ser jogador quando era mais novo e agora aproveita para participar. Digo que ele não atrapalha, ele ajuda sim - conta o goleiro.

Montagem Adilson Oliveira barra da tijuca (Foto: Editoria de arte)Adilson Oliveira como presidente (à esquerda) e com o uniforme de jogador (à direita) (Foto: Editoria de arte)

Barra da Tijuca: celeiro de jogadores, mas só de times grandes

A Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, é famosa por ser o local escolhido por cerca de 90% dos jogadores de Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo para morarem na Cidade Maravilhosa. Atletas que não atuam no Rio, mas que investem em residências na cidade, costumam escolher a Barra para seus empreendimentos. Porém, o time que carrega o nome do bairro tem pouquíssimos jogadores que moram por ali.

O goleiro Max, por exemplo, reside em Duque de Caxias. O atacante Zé Carlos, um dos poucos moradores do bairro, espera que o acesso possa trazer a possibilidade de o time reunir moradores do local.

- Eu moro pertinho, para mim é bem legal. Mas sei que muita gente do time não mora aqui por aqui, moram longe. Espero que o acesso possa dar fazer com que o bairro seja representado também por moradores daqui de uma forma maior - disse o atacante.

Nesta quarta-feira, o Tigre enfrenta o Barra Mansa, no Los Larios, e quem vencer garante a primeira vaga na Série A do Carioca. A vida do Barra da Tijuca será decidida no próximo domingo, na partida contra o Barra Mansa fora de casa. Basta uma vitória para se garantir na elite do futebol do estado do Rio de Janeiro.

Jogadores do Barra da Tijuca, da Série B do Rio (Foto: Raphael Bózeo)Jogadores do Barra da Tijuca unidos no CT do time (Foto: Raphael Bózeo)


* Raphael Bózeo, estagiário.

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