Carpegiani causa boa primeira impressão no Flamengo

Carpegiani causa boa primeira impressão no Flamengo

Os primeiros dias de Paulo César Carpegiani como novo técnico do Flamengo causaram boa impressão no clube. Embora tenha sido originalmente contratado para o cargo de coordenador, o agora treinador exerce a função à beira do campo conforme o prometido. No primeiro contato com jogadores e comissão técnica, apresentou ideias modernas de jogo e de trabalho na volta ao clube onde foi campeão brasileiro, da Libertadores e Mundial.

Apesar da demonstração de que tem currículo para encarar novamente o desafio, aos 68 anos, Carpegiani coleciona situações recentes nos últimos clubes que geram certa apreensão na Gávea, especialmente por conta de sua personalidade difícil no contato com o elenco e postura firme nas cobranças.

O treinador tem contrato até o fim do ano, mas o período é longo e a cobrança grande comparados ao tempo e os títulos nas últimas equipes por onde passou - a última conquista tem 36 anos, o Brasleiro de 1982 no Flamengo.

Os três meses de Bahia em 2017 foram de trabalho de destaque, ressalte-se. Antes disso, o técnico ficou seis meses no Coritiba. Lá, em 2016, foi onde Carpegiani voltou ao futebol após três anos parado, desde que trabalhou em 2010 na Ponte Preta. No clube paulista, o técnico permaneceu por menos de dois meses e pediu demissão depois de onze partidas.

Nesse período, Carpegiani não trabalhou como treinador. O ciclo anterior foi a partir de 2007, quando o técnico vendeu o clube RS Futebol, do qual era dono, para assumir o Corinthians, rebaixado naquele ano. A passagem curta ficou marcada pelo afastamento do meia Roger do elenco.

De volta ao cenário em 2009, no Vitória, Carpegiani trouxe uma inovação. Passou a comandar o time das cabines e camarotes dos estádios, com o filho, Rodrigo, na beira do campo. No Leão da Bahia, o treinador também teve desentendimentos com o elenco. Ileso na sequência no Atlético-PR, em 2010, o comandante voltou ao São Paulo em 2011. No clube onde pediu a punição do ex-goleiro Roger por um ensaio nu, em 1999, Carpegiani se envolveu em polêmicas com o pentacampeão Rivaldo, que retornara ao Morumbi.

Desde então, os relatos são de um profissional genioso, que já vinha forçando a subida para outro cargo, e colocar o filho, Rodrigo Carpegiani, como o profissional responsável pelo campo. Embora o discípulo de Carpegiani também tenha gerado ótima impressão no Flamengo pelos conhecimentos, sua relação com jogadores no passado já foi problema.

No retorno ao Vitória, em 2012, que chegou a ser adiado por problemas familiares, o treinador também saiu com discussão, desta vez com o presidente do clube, Alex Portela. Mais uma vez, relatos de perda do vestiário e tentativa de promover o filho Rodrigo.

Segundo reportagem do Jornal A Tarde de 2012, a relação entre treinador e elenco não era boa. E o principal alvo dos atletas era o filho do técnico. "Ele tinha um temperamento difícil e estava querendo mandar mais do que o pai", relatou o veículo, na ocasião. Carpegiani colocou Rodrigo à beira do gramado e gerou reclamações. Os jogadores não sabiam a quem ouvir. Após a passagem rápida pela Ponte Preta, o Coritiba também foi palco de discórdia. Kleber Gladiador comemorou a demissão de Carpegiani.

Entre idas e vindas à frente das equipes, Carpegiani acompanhou a família se manter no futebol nos últimos anos, também no ramo empresarial. O outro filho, Fabiano Carpegiani, é empresário de jogadores e dirige o "Grupo Carpegiani", que atualiza suas redes sociais exaltando o trabalho do pai na volta ao Flamengo.