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Carros, família e paixão

No Dia do Automóvel, Analista de Desempenho Claudio Grillo diz que paixão por carros é de família

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O futebol reserva pouco tempo para atletas e comissão técnica. A sequência de jogos e viagens muitas vezes impede que eles possam administrar outros negócios; às vezes, precisam adiar sonhos. Com o Analista de Desempenho Claudio Grillo não é diferente. Por conta do calendário, teve de sair do ambiente de trabalho que tanto gosta, o automobilístico. Aos 17 anos, inaugurou uma loja de som e acessórios e, desde então, dedicou-se em mexer em carros antigos. No entanto, a fascinação começou ainda na barriga da mãe, e hoje mantém um galpão em São Paulo.
 
"Esta paixão é coisa antiga, vem de família. Meu pai restaurava tapeçaria de carros antigos.  Inaugurei minha loja com 17 anos de idade e fiquei 12 anos com ela. Vi toda a evolução tecnológica da indústria automobilística de perto. Até hoje a loja existe, porém não é mais minha. Passei para um funcionário meu, que foi gerente durante quatro anos lá. A clientela já está na geração dos netos dos meus clientes da época", afirma, com orgulho.
 
A loja se chama INSTALASOM e fica em São Paulo. Como trabalha no Rio de Janeiro, Claudio Grillo participa sempre que pode dos encontros que ocorrem entre clientes e funcionários da loja. Afinal, com tanto tempo à frente do negócio, é normal fazer muitas amizades. Ainda mais quando tudo fica perto.
 
"Eu tenho um galpão com carros, que fica do lado. Na verdade, é um espaço com muita coisa antiga e relacionadas a carro. Lá eu também abrigo o primeiro ‘Museu do Toca Fitas’ que se tem conhecimento no mundo, com quase três mil aparelhos. Tenho lá uma Kombi; quatro Fiats 147; uma Pick Up 147 estilizada; um Dardo (existe aproximadamente apenas 20 carros no Brasil). É um carro de fibra esportivo da década de 1980, assinado pelo criador da Porshe, o Bertone. O projeto foi trazido para o Brasil por Toni Bianco. Foram fabricadas apenas 300 unidades; um Emis Art, feito na Dacon, em São Paulo. Hoje consta apenas três exemplares deste veículo; também tenho um Opel Calibra 1995; sete fuscas estilizados e restaurados; e duas motos antigas também", detalha.
 
"Zetti é frequentador assíduo do meu galpão"
 
O Analista de Desempenho anda com as relíquias sempre quando pode, e explica que tem um projeto de montar um espaço temático acerca do setor, com venda de peças, palestras, cursos e encontros. "Mas só quando parar com o futebol, pois consome todo o meu tempo", afirma. Os critérios principais para adquirir um carro novo são documento em dia e procedência. A preferência, hoje, é por fusca e Fiat antigos. O motivo, segundo ele, é que não desvalorizam nunca e todo mundo se interessa. E como fazer para deixa-los em perfeito estado?
 
"Eu mesmo desmonto, cuido do carburador, detalhes de cromados como frisos e filetes, sistema de som e sou excelente pintor. Só mando fazer fora mesmo a parte de funilaria. Tenho ferramentas, bancadas e até estufa de pintura. Conservar é um grande problema. Costumo dizer que carro estraga mais parado do que andando. Quando estou sem clube, eu mesmo recoloco os carros para andar, mas dá muito trabalho isso (risos). Os cuidados que tenho é guardar sempre em local coberto e com camada de cera de proteção. Além de uma boa capa para cobrir", ensina.
 
Há muitos anos no futebol, a paixão de Claudio Grillo costuma despertar interesse e curiosidade nos esportistas, que perguntam sobre os carros do galpão e os que, eventualmente, levava para os centros de treinamento. Embora ainda não tenha estacionado algum de sua coleção no CT George Helal, trouxe para a Cidade Maravilhosa uma moto rara da Honda: a Shadow, série especial de três marchas, com pintura diferenciada e todos os cromados. Enquanto não chega a vez de levar no Flamengo, lembra com carinho de ex-companheiros de clube e outros admiradores que já tiveram a oportunidade de apreciar de perto seus "filhos com rodas".
 
"O volante Mineiro, ex-São Paulo, ia muito em meu galpão. Além de Nelsinho Baptista, e tantos parceiros de comissão técnica que trabalhei. O Zetti é frequentador assíduo do galpão. Gosta de carros antigos e até de mexer em peças e restaurações.Tem um jipe e faz trilhas. Quando trabalhei em clubes em São Paulo, facilitava muito por conta da proximidade. No Atlético-MG, levei um Fiat 147 todo restaurado e ‘turbinado’. O carro fazia sucesso por lá. Petkovic, Alexandre Gallo, Marques e a galera da comissão técnica e segurança vivia pedindo para andar com este carro no CT. No Bahia, levei um fuscão 1500, ano 1971, que foi durante um ano o xodó do estacionamento do clube. Quando estive no Santos,  fazia questão de parar um fusquinha de placa preta, de colecionador, ao lado da ‘nave’  do Neymar. Logo também virou o xodó", diz.
 
"Flamengo é incomparável"
 
O hábito de dirigir os automóveis até o local de trabalho já rendeu histórias curiosas. Não só atletas, como Fernando Bob, Renato Cajá e Borges, paparicaram seus carros. Durante a Copa do Mundo, até a imprensa internacional ficou de olho, quando trabalhava na Ponte Preta.
  
"Como Campinas era próximo de São Paulo, eu sempre levava carros diferentes para lá, para poder movimenta-los e aproveita-los. Durante a Copa do Mundo, a seleção de Portugal utilizou nosso CT e eu deixei um Fiat 147 todo restaurado, com rodas esportivas de época, e vários acessórios, por lá. A imprensa portuguesa quis saber de quem era o carro e eu tive que tirar ele de lá para não complicar. Meu Fiat ficava parado bem na entrada principal do Moisés Lucarelli", relembra, com bom humor.
 
Analista de Desempenho do futebol profissional do Flamengo, chegou à Gávea junto com Muricy Ramalho, com quem trabalha há nove anos, no total. Claudio Grillo define-se como uma ferramenta a mais para auxiliar o trabalho do treinador e do Tata. Assiste a maior quantidade possível de partidas e vive 24 horas os campeonatos que o Flamengo disputa. Discreto, entende que o técnico é o principal pilar de sustentação e criação de uma verdadeira comissão técnica. Com mais de 20 títulos no currículo, entre eles brasileiros, Libertadores, recopas e Mundial, admite que a experiência de trabalhar no clube é ímpar. Na hora de comparar o Mais Querido a um carro, resumiu bem seu sentimento: "O Flamengo é incomparável".

Fonte: http://www.flamengo.com.br/site/noticia/detalhe/23378/carros-familia-e-paixao

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