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Caso André Santos: STJD absolve Fla e Internacional; Chicão pega um jogo

Rubro-Negro e Colorado corriam risco de perder até dez mandos de campo e pagar multa de R$ 100 mil. Zagueiro, que já cumpriu automática, está livre para jogar

Chicão no STJD (Foto: Sofia Miranda)Chicão acompanha julgamento no STJD (Foto: Sofia Miranda)

Em sessão da Quarta Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), nesta sexta-feira, Flamengo e Internacional foram absolvidos. Os clubes foram ao banco dos réus devido a agressões de torcedores ao lateral André Santos, do Rubro-Negro, dentro do estádio Beira-Rio após a goleada colorada por 4 a 0, no último dia 20. Também julgado pelo cartão vermelho recebido no mesmo jogo, Chicão foi punido com um jogo de suspensão, já cumprido na partida seguinte (automática).

Defesa do Fla alega negligência de André Santos, e procurador critica postura do clube

O diretor executivo de futebol do Flamengo, Felipe Ximenes, o gerente do mesmo departamento, Gabriel Skinner, e o segurança rubro-negro Fabinho lançaram mão de discursos neutros. Já o coronel da Brigada Militar do Rio Grande do Sul Alexandre Bortoluzzi foi incisivo e garantiu que não houve agressão.

- Só houve troca de ofensas, os oficiais impediram qualquer agressão.

A responsável pela logística do Flamengo em Porto Alegre, Ana Verrardi, seguiu o discurso do coronel disse que não houve agressão. Todos os depoentes sustentaram que André Santos agiu por conta própria ao sair sem a delegação, porque estava com pressa.

O procurador do STJD Flávio Boson condenou o Flamengo, afirmando que o Rubro-Negro tentou colocar em dúvida as agressões que André Santos garante ter sofrido.

- O primeiro ponto em que se valeu a defesa do Flamengo foi se houve ou não realmente a agressão. Uma defesa bem feita conseguiu instalar essa dúvida. Mas o atleta foi em rede nacional dizer que foi agredido. Eu entrei no site do Flamengo, o qual emitiu uma nota, que pode constar como documento. O título da nota é: O Clube de Regatas do Flamengo repudia a agressão ao jogador André Santos. Devo dizer mais. O empregador é responsável pela segurança de seu empregado. O empregador deve obrigar seu funcionário a seguir as normas para a segurança. Ainda que o André Santos tenha saído de forma intempestiva, o Clube de Regatas do Flamengo tinha a obrigação de zelar pela segurança dele e impedi-lo de fazer o que fez - afirmou Boson.

O advogado do Flamengo no caso, Michel Asseff Filho, disse que o clube defender André Santos, via nota oficial, era uma atitude esperada. Em contrapartida, falou em "negligência" do lateral. Ainda considerou descabido julgar o Rubro-Negro em função de atos cometidos por uma organizada que, segundo Asseff, está em litígio com o Fla.

Não houve agressão física. Houve negligência do jogador, que desobedeceu o clube. Saiu pela sala de imprensa
Michel Asseff Filho, advogado que defendeu o Flamengo no julgamento

- É claro que o clube vai acreditar nas entrevistas que o atleta concedeu. A atitude normal de qualquer clube é repudiar. Não fala em agressão física, mas sim em repudiar a agressão, acreditando no que o atleta disse. Depois, investigando o caso e procurando saber o que aconteceu, começamos a entender qual foi o motivo dessas alegações. Ou pelo menos tentamos entender. Os depoimentos aqui foram muito claros. Ninguém viu uma agressão física. Foi um exagero. Por que foi relatado esse exagero ninguém sabe. Isso é uma prova que a procuradoria deveria produzir. A vítima que saiu destrambelhada sem respeitar as ordens dos clubes. Ele saiu sem ouvir as palavras do diretor executivo. O empregador é responsável por atitude de delinquentes, bandidos que estão fora do estádio? Pessoas começaram a xingá-lo do lado de fora. Não há prova de qualquer gravidade. E a procuradoria vem pretender perda de mando de campo? Ou que o clube seja multado? Vocês acham que o torcedor delinquente fica solidário com o clube quando o clube é punido, multado? Essa suposta torcida, travestida de torcida que estava do lado de fora, quer isso. A punição tem que ser contra essas pessoas. Querer estrangular o clube com perda de mando de campo é irresponsabilidade. Não houve agressão física. Houve negligência do jogador, que desobedeceu o clube. Saiu pela sala de imprensa.

Último a depor antes da votação, Daniel Cravo, advogado do Inter, utilizou-se de um discurso mais sucinto e foi outro a atacar a procuradoria.

- A procuradoria não reuniu provas para afirmar que o jogador sofreu lesão. Parece que todos os depoimentos aqui prestados não valeram de nada.

*Informações de Sofia Miranda, estagiária, sob a supervisão de Fred Gomes

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