Clima quente nos bastidores: grupo político rebate afirmações e detona VP de finanças do Fla

Clima quente nos bastidores: grupo político rebate afirmações e detona VP de finanças do Fla

Como é de costume em ano eleitoral, os bastidores do Flamengo seguem pegando fogo. Após as polêmicas ocorridas durante a apresentação das contas do Rubro-Negro em 2017, em reunião do CODE (Conselho Deliberativo), o vice-presidente de finanças do clube, Claudio Pracownik emitiu carta aberta criticando membros da oposição e classificando-os como ‘covardes’ [VEJA DECLARAÇÃO].

Para rebater o ato do dirigente, o grupo “União Rubro-Negra”, URN, também publicou carta aberta, chamando Pracownick, inclusive, de soberbo. CONFIRA A CARTA:

“RESPOSTA À CARTA DO BANQUEIRO CLAUDIO PRACOWNIK, VP DE FINANÇAS DO FLAMENGO.

Nós, do grupo União Rubro-Negra (URN), tivemos a paciência de ler a enfadonha carta – repleta de clichês e autoelogios – que foi redigida pelo VP de finanças Claudio Pracownik contra todos aqueles que foram a última reunião do Conselho Deliberativo (CODE) e que majoritariamente, se recusaram a aprovar as contas de 2017 do Clube de Regatas do Flamengo.

Devido ao conteúdo da mesma, entendemos que nos cabe fazer algumas considerações:

1) Apesar de se enxergar como alguém muito importante, o VP de finanças da administração Bandeira, o banqueiro Claudio Pracownik, não tem autoridade nem legitimidade para definir o que o CODE pode ou não pode julgar para aprovar as contas do Flamengo – essa decisão cabe aos Conselheiros do clube conforme está escrito em nosso estatuto;

2) O VP do senhor Bandeira afirma, do alto de sua soberba, que o nosso papel resume-se a: 1) julgar se as entradas ou saídas financeiras foram adequada e legalmente registradas no balanço; e 2) entender se o orçamento aprovado pelo Conselho de Administração do Clube foi devidamente cumprido.

3) De acordo com sua lógica, se o Conselho Diretor ou os executivos do Flamengo fazem alguma transação prejudicial ao Clube – que só é percebida na apresentação de suas demonstrações financeiras – mas a registram adequadamente no balanço e conseguem encaixá-la dentro do plano orçamentário, nós deveríamos aprovar as contas sem nos indignar. Essa é uma visão absolutamente equivocada e distorcida a respeito do papel do CODE.

4) Obviamente que os Conselheiros do Clube, tendo acesso apenas às demonstrações financeiras do clube, não tem condições para julgar se as entradas ou saídas financeiras foram adequada e legalmente registradas no balanço – como banqueiro, ele deveria saber disso. Na verdade, só uma auditoria independente tem condições de fazer tal julgamento. Se nos coubesse apenas fazer esse tipo de avaliação ao julgar as contas do clube, não deveríamos nem ter o poder de aprova-las.

5) Não há registro de nenhum Conselheiro ter alegado que o balanço estaria maquiado. Se ele estivesse presente na reunião, saberia disso. Essa é mais uma das muitas mentiras sobre as quais os mandatos da administração Verde-Bandeira foram construídos.

6) Em relação à execução orçamentária, a carta é bastante frugal exatamente porque o orçamento não foi cumprido conforme sua aprovação – vide o fato das despesas com jogos ter dobrado de valor em relação à 2016.

7) Mas, a maior pérola da carta do VP de finanças é a seguinte: “A questão da premiação do futebol em nada se relaciona ao resultado desportivo do time…” Nós gostaríamos de saber ao que ela se relaciona então??? Essa afirmação é tão grave que faz cair por terra a única coisa que avaliávamos positivamente nesses 5 anos e 4 meses da administração Verde-Bandeira: a implantação de um modelo de gestão empresarial no clube, com o estabelecimento de metas de desempenho para os executivos.

8) Depois de ler as palavras do banqueiro Claudio Pracownik, ficou claro para todos nós que as metas dos executivos são estabelecidas por eles mesmos, sendo apenas ratificadas pelo Conselho Diretor sem nenhum tipo de questionamento – o que faz com que sejam sempre facilmente atingíveis. Na última reunião, descobrimos que na gestão Verde-Bandeira, as bonificações por desempenho, na verdade, bonificam a mediocridade – esses 2,5 milhões de reais repassados à comissão técnica do futebol e os 7,7 milhões repassados aos jogadores pelo (desastroso) desempenho em 2017 evidenciam esse fato.

9) Reafirmamos que somos absolutamente a favor do estabelecimento de um modelo de gestão empresarial no clube que premie os profissionais que dão resultado e afaste os que não dão, sobretudo no futebol. Mas, o que pudemos observar na apresentação das demonstrações financeiras do Flamengo na última reunião do CODE é que esse tipo de modelo tem sido muito mal utilizado no clube, transformando-se, na verdade, num estímulo à mediocridade e à acomodação – que foi o que mais vimos no campo no ano passado.

10) A carta do VP de finanças termina evidenciando o que temos questionado desde o início da gestão Verde-Bandeira: o fato da gestão do futebol, a atividade finalística do CRF, ser uma tragédia de proporções bilionárias nesses 5 anos e 4 meses. Quem vive o Flamengo, sabe que não há viabilidade administrativa ou financeira para o clube no longo prazo sem resultados no futebol – de pouco adianta ter uma contabilidade mais redonda e um departamento jurídico funcionando melhor se não se souber gerir o futebol com competência.

11) De fato, o tipo de cultura administrativa implantada pela gestão Verde-Bandeira no clube desde 2013 pode até ter nos trazido avanços em algumas atividades meio (apesar do evidenciado mau uso da política de gestão por desempenho), mas ela tem se mostrado uma tragédia na gestão do futebol do Flamengo. Infelizmente, como a carta do banqueiro Claudio Pracownik demonstra, eles não foram capazes de entender isso até agora. Para nós, entretanto, está claro que os grupos Verde e Bandeira, por sua própria natureza, jamais entenderão que as boas práticas de gestão do futebol no Flamengo são diferentes daquelas que eles adotaram nas atividades meio do clube.

Essa carta do VP de finanças da administração Bandeira assim como a recente entrevista dada pelo também banqueiro, Wallim Vasconcellos nos mostra que os grupos Verde e Bandeira jamais entenderão o que o futebol do Flamengo precisa para voltar a conquistar títulos importantes:

  • A valorização dos profissionais e da prata da casa;
  • A presença de torcedores de todas as classes sociais nos estádios;
  • O uso de contratações milionárias apenas em casos de extrema necessidade;
  • A profunda convicção de que o estádio do Flamengo é o Maracanã;
  • A cobrança permanente sobre o elenco para termos jogadores aguerridos e disciplinados;
  • A reconstrução da cultura futebolística rubro-negra dos anos 80 baseada no profissionalismo, no espírito de grupo e na alegria de jogar futebol;
  • O estabelecimento de metas de desempenho – para premiar a comissão técnica e os jogadores – compatíveis
    com a história do Flamengo e as expectativas da Nação;
  • A presença de dirigentes que vivam o Flamengo no dia-a-dia e que coloquem o futebol verdadeiramente no
    topo das prioridades do clube.

A administração Verde-Bandeira, ao longo dos seus 5 anos e 4 meses, foi construída sobre a mentira e a propaganda. Seu “grande feito” teria sido sanear as finanças do clube a partir da redução de uma suposta dívida de 750 milhões de reais – valor que jamais foi confirmado por qualquer empresa séria de auditoria. Uma dívida que, sem nenhuma grande amortização, teria milagrosamente caído de 750 para 350 milhões no prazo de um ou dois anos.

A dívida do Flamengo nunca foi de R$ 750 milhões e não houve redução alguma – basta verificar o custo do serviço da dívida do clube: ele só tem aumentado ao longo dos anos apesar da redução do juro real no país.

Há dois anos atrás, dissemos que a crença fundamental da gestão Verde-Bandeira era a máxima do ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels: “Uma mentira repetida mil vezes, torna-se verdade”. Na mesma ocasião, afirmamos que no final 3 dessa administração, a máxima do presidente norte-americano Abraham Lincoln é que prevaleceria: “Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo ou todas as pessoas durante algum tempo, mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo” – e é o tempo que vem mostrando a todos que estávamos certos em nossa avaliação.

Na URN não há covardia, traição ou deslealdade. Não temos medo do enfrentamento e nem nos escondemos atrás de desculpas para não servir ao Flamengo. Em maior ou menor número nas reuniões do CODE, jamais deixaremos de lutar pelo que acreditamos ser o melhor para o Flamengo.

Já descobrimos que esses absurdos parâmetros para bonificação dos executivos e profissionais do futebol, foram definidos em 2013, quando o banqueiro Wallim Vasconcellos era VP de futebol, ou seja, os Verdes são corresponsáveis por esse modelo de gratificações bizarro que foi implantado no futebol do clube – talvez seja por isso (ou quem sabe por conta de um pré-acordo eleitoral) que o último candidato dos Verdes à Presidência do Flamengo declarou nesse fim de semana que todas as suas dúvidas em relação às contas de 2017 foram sanadas.

Wallim, ao afirmar que “premiações e bonificações são assuntos de gestão, que pode-se discordar ou não, mas a diretoria é que (sic) administra o clube e tem poder pra isso”, só nos mostra que Verdes e Azuis são apenas dois lados de uma mesma moeda!

Tal afirmação quer dizer que se a Diretoria resolvesse dar qualquer quantia a título de bonificação para uma comissão técnica que teve um péssimo desempenho ao longo do ano, nós Conselheiros deveríamos aceitar passivamente porque é um “assunto de gestão” e a “Diretoria tem poder pra isso”???

Se o Conselho Diretor (a “Diretoria”) tivesse decidido comprar ações da refinaria de Pasadena por acreditar ser um bom investimento para o clube e nós, membros do CODE, apenas descobríssemos isso na apresentação do balanço, também deveríamos aprovar as contas passivamente já que “a diretoria tem poder pra isso”???

É preciso identificar e responsabilizar todos os membros do Conselho Diretor que aprovaram tal modelo e também aqueles que autorizaram que essa bonificação absolutamente inaceitável referente a 2017, fosse paga aos profissionais do futebol.

Na nossa opinião, seria temerário e uma total irresponsabilidade por parte de qualquer Conselheiro, aprovar as contas de uma administração que pagou mais de R$ 10 milhões em premiações para executivos e profissionais do futebol pelo desempenho do Flamengo no esporte em 2017 – um ano em que mais uma vez, passamos vergonha no campo – sem exigir algum tipo de contrapartida financeira para o clube.

Por isso, acreditamos que o melhor para o Flamengo é que as contas de 2017 só sejam aprovadas depois que o Conselho Diretor (que aprovou esses critérios das bonificações e o pagamento das mesmas) devolver para os cofres do clube, pelo menos, a absurda bonificação por desempenho de R$ 2,5 milhões que foi paga à comissão técnica do futebol – repetimos: não porque é errado ter bonificação por desempenho, mas por que o desempenho em 2017 foi, novamente, uma tragédia.

É isso que seguiremos defendendo com responsabilidade e amor ao Flamengo.

Saudações Rubro-Negras,

UNIÃO RUBRO-NEGRA”