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Coluna do Torcedor: “Compactação, organização e toques rápidos. ‘Fórmula’ para ganhar do Bota”

flameng - Coluna do Torcedor: “Compactação, organização e toques rápidos. ‘Fórmula’ para ganhar do Bota”

Caros amigos desta enorme e apaixonada Nação Rubro-Negra. Hoje à noite, todos estaremos ligados, na torcida, num só coração para que o Mengão se classifique à final da Copa do Brasil. A ansiedade já está batendo na porta, porque sabemos que não será um confronto fácil.

O jogo de hoje será totalmente estratégico, assim como foi o da semana passada. Tomando como base aquele confronto e a forma do time do Botafogo atuar, acredito que o caminho para a vitória seja através do tripé: compactação, organização e toques rápidos. Vejamos o porquê, ponto a ponto:

Organização: O Botafogo se caracterizou por ter jogadores que

Botafogo tem um jogo concentrado no meio. Observe como os jogadores se posicionam no meio de campo. Este é o mapa de calor da partida de ida das semifinais

sabem desempenhar seus papéis dentro de campo. Com compactação, Jair posiciona linhas de marcação que são difíceis de serem furadas. Ao mesmo tempo, posiciona jogadores para fazerem a puxada rápida de contra-ataque. No caso, Rodrigo Pimpão, pela esquerda, e Bruno Silva, pela direita. Como o primeiro está suspenso, deve entrar no seu lugar Guilherme, que tem as mesmas características.

Os zagueiros têm, como praxe, marcar um pouco mais adiantado, justamente para poder fazer o desarme na intermediária e pegar o adversário no contra-ataque. Para neutralizar isso, o Flamengo tem que procurar fazer como no último jogo, tocar a bola, com paciência, buscando furar o bloqueio defensivo. Se Guerrero voltar, o time ganha um jogador que tem qualidade técnica para poder dar um passe, ou finalizar num curto espaço, levando perigo. Na partida de ida, Vizeu não conseguiu realizar este papel.

Guilherme tem como característica explorar bem o lado esquerdo. Do lado oposto, o perigo tem nome: Bruno Silva

O que o time não pode fazer é desesperar e se lançar ao ataque. Isso vai criar espaços que os botafoguenses sabem muito bem explorar. Apesar da vantagem que eles têm, caso a decisão vá para os pênaltis, é bom lembrar que o 0 a 0 mantem o Fla na disputa. Se sofrermos um gol, a situação fica ainda mais complicada.

Compactação: Para não sofrer os riscos de contra-ataque, os rubro-negros têm que se posicionarem de forma próxima, para que sempre tenha alguém no rebote. Isso tira do Botafogo a chance do contragolpe. Para isso, é importante ter a presença do Cuéllar, na vaga do Márcio Araújo. Apesar de ter mais preocupações defensivas, o colombiano é importante na saída de bola. Fazer a transição defesa-meio, com qualidade, é essencial para começar o processo de organização ofensiva.

A dúvida fica por conta da situação clínica de Berrío. Se ele estiver em condições de jogo (até o momento, as informações garantem que sim), o time mantém o padrão de semana passada. Agora, se o colombiano não puder entrar, teremos um problema: quem colocar no lugar? Uma opção seria a entrada de Vinicius Júnior. O problema é que o garoto não tem uma grande recomposição. E, contra um adversário como o Botafogo, todos dentro de campo precisam marcar a ocupar espaços. A entrada do camisa 20 faria com que um dos volantes precisasse ficar atento para cobrir eventuais espaços abertos pelo atacante.

Outra opção seria o deslocamento do Arão para a direita, colocando Márcio Araújo fazendo dupla com Cuéllar. Confesso que não gostaria de mexer na dupla de volantes Cuéllar-Arão, neste momento. Apesar dos pesares, iria de Mancuello, pela direita. Mesmo sabendo que o argentino não atravessa uma grande fase técnica, ele pode ajudar Diego na organização do ataque, dando mais qualidade no toque de bola. Assim, não perdemos a principal característica de Arão: a infiltração. Importantíssima para o próximo tópico.

Toques Rápidos: Para furar duas linhas de marcação, como é a do Botafogo, é necessário trocar passes de forma rápida e precisa. Para isso, jogadores com qualidade são importantes. Diego, como armador, precisa receber bons passes para organizar bem as jogadas (por isso uma boa transição defesa-meio). Uma das críticas ao meia é que ele gosta de “florear” a jogada, não utilizando de passes de primeira ou toques rápidos. Na primeira partida, Rueda pediu para que acelerasse o jogo. Quando o fez, tabelou com Éverton. O camisa 22 sofreu a falta que Diego colocou no travessão.

Outro ponto importante que os toques podem propiciar são as infiltrações. Arão tem isso como ponto forte, que precisa ser aproveitado. Tendo jogadores velozes nas pontas, como Berrío e Éverton, passes em profundidade serão importantes, assim como jogadas individuais. Luís Ricardo e Victor Luís são laterais que gostam de subir ao ataque, como vemos no mapa de calor. Usando bem as jogadas pelas pontas, podemos segurá-los no campo de defesa, tirando uma válvula de escape da equipe adversária.

Victor Luís pela esquerda, e Luís Ricardo pela direita são válvulas de escape interessantes para o Botafogo

Por sorte, não precisaremos nos preocupar com o abuso no número de chuveirinhos. Nas duas partidas de Rueda à frente do Fla, o número reduziu drasticamente. Da média de 40 por jogo na “Era Zé Ricardo”, passamos a cruzar 16 vezes por partida.

É importante, no caso das jogadas individuais, que Diego e um dos volantes estejam próximos da área. Não apenas para receberem cruzamentos, mas, para darem opção de finalização e até mesmo rebote, com opção de chute. O Mais Querido não tem chutado muito de fora da área.

Em caso de Berrío não ser utilizado, Vinícius Júnior consegue fazer bem a função ofensiva. Caso opte por Arão ou Mancuello, perde a capacidade de jogadas mano a mano. Neste caso, o jogo concentraria muito em Éverton, que precisaria ser o diferencial, coisa que não conseguiu  na última partida. O ideal seria que o camisa 22, junto com o volante improvisado na ponta, tentassem trocar de posições para confundirem a marcação. Com isso, o meio de campo teria que acelerar os passes para tentar achar um em profundidade, em condição de finalização.

Por fim, tomar cuidado com a forte bola área dos alvinegros, principalmente com Roger e os zagueiros. Vimos, na semana passada que se não cairmos no jogo deles, são inoperantes. A concentração é fundamental. Os rivais já mostraram, tanto na Libertadores, quanto na Copa do Brasil, que não sentem a pressão da torcida adversária.

Que os Deuses do futebol abençoem nosso Flamengo.

SRN

Comentem, critiquem, elogiem. O espaço é de vocês, e a opinião também. Mas, façam tudo com respeito a mim e a outros que lerão. A ignorância, neste caso, não é uma benção. 

Matheus Brum
Jornalista
Twitter: @matheustbrum

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Fonte: http://colunadoflamengo.com/2017/08/formula-para-ganhar-do-bota/

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