| Futebol

COM A BUNDA, E OS PÉS, NO CHÃO

MAS SONHANDO, COMO SEMPRE

Costumo ouvir que nosso torcedor é capaz de ir do “vamos cair” a “rumo a Tóquio” em uma fração de noventa minutos. E isso não chega a ser uma inverdade. Mas o fato é que a esperança que depositamos na força da nossa camisa, e o nosso retrospecto diante de adversidades, nos induz a ser assim. Mesmo os menos radicais de nós, os mais ponderados, incorporam um pouquinho dessa característica, pela recorrência com que conseguimos contrariar as previsões dos “especialistas”.

Prova disso é o fato de, hoje, depois de passarmos os 40 dias do recesso da Copa segurando uma lanterna, e temendo um rebaixamento que parecia inevitável, já nos deparamos com o direito de sonhar com título e Libertadores. Isso É A CARA do Flamengo.

Mas é bom frear o otimismo exagerado.

Chega a parecer insanidade constatar que nossas esperanças, hoje em dia, estejam depositadas nos cruzamentos de João Paulo, na habilidade de Gabriel e na capacidade de Nixon – nomes que no ano passado mal podíamos ouvir nos alto-falantes dos estádios. Como se isso não bastasse, atualmente consideramos Cáceres e Paulo Victor (justificadamente) como imprescindíveis. Fora a aposta que esse novo Eduardo, recém chegado e improvisado, seja capaz de ser tão decisivo como precisamos que seja.

Fora isso, nosso adversário é inegavelmente mais forte; possui um jogador que está fazendo diferença até na Seleção, que vai usar sua velocidade em cima de um zagueiro reserva nosso, já sem capacidade para acompanhá-lo. Um adversário que nos tem entalado em sua garganta há décadas, que está com o melhor retrospecto do 2º turno no Brasileiro, vivendo grande momento e que foi capaz de reverter uma desvantagem de dois gols na fase anterior.

Como acreditar que passaremos por eles, se na última rodada fomos derrotados até por um virtual rebaixado? COMO?

Muita gente entregaria os pontos; NUNCA um flamenguista.

Para um flamenguista NÃO EXISTE obstáculo intransponível. Para o flamenguista, nossa derrota na última rodada foi apenas o preço que pagamos por descansar nossos titulares para esta decisão e, portanto, não há motivo para desânimo. Muito até pelo contrário. Para um flamenguista, eles são nossos fregueses e continuarão sendo. Para o flamenguista, se eles foram capazes de reverter uma desvantagem de dois gols, nós já revertemos uma de TRÊS, nesta mesma competição. 

E, se observarmos com mais atenção essa proeza que conseguiram para chegar até nós, perceberemos que foi construída muito mais através do imponderável, do que propriamente por méritos.

O primeiro gol veio de uma bola levantada na área, que o jogador deles tentou desviar de cabeça, não conseguiu, e acabou enganando o goleiro adversário. No segundo, a bola desvia na zaga, muda radicalmente de trajetória, e, mais uma vez, trai o goleiro. No terceiro, a bola foi bem chutada, mas ainda toca na trave antes de entrar. E no quarto, o cara erra a cabeçada, a bola resvala no seu ombro, trisca na trave, e engana o goleiro novamente.

De onde se conclui que, neste dia, o “São Judas Tadeu deles” estava inspiradíssimo.

Nada que assuste um flamenguista. O Padroeiro deles pode ser bom, mas não é páreo para o nosso aniversariante de ontem. Da mesma forma que nosso treinador é MUITO mais capacitado, experiente e vitorioso que o do nosso adversário. É ELE o nosso líder, o nosso Craque.

E é a ELE, especialmente a ELE, que faço questão de agradecer desde já, independentemente do que vier a acontecer. Por ter nos afastado tão rapidamente da “confujão”; pela capacidade de sugar o melhor de cada um daqueles do elenco desacreditado do pré Copa (e transformá-los nesses BRAVOS representantes da mística rubro-negra que temos visto); pelo mérito de fazer dos nossos antigos “bondes” jogadores decisivos; pela sinceridade que sempre usou conosco com relação aos nossos limites, por nos proporcionar mais uma oportunidade de ver o Maraca totalmente colorido de rubronegro; e, principalmente, pela participação tão importante nesse processo de devolução do nosso direito de sonhar. 

Eu estou sonhando, e você?

 

PRA CIMA DELES, MENGÃO !!!


Comentar pelo Site

Nenhum Comentário
Seja o primeiro a comentar essa notícia.