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Confrontado, Delair Dumbrosck interrompe sessão do Deliberativo no meio.

Reunião sobre a reforma do Estatuto não terminou

O que era para ser uma reunião explicativa ao do Conselho Deliberativo (CoDe) sobre o projeto de substitutivo ao Estatuto do Flamengo acabou em confusão. A Sessão Extraordinária, realizada na terça à noite, 10/02, não cumpriu o objetivo. 
 
A ideia era apresentar o projeto comandado pelo presidente do poder, Delair Dumbrosck, aos conselheiros. O enredo já saiu do habitual quando a reunião, que costuma ser realizada no Salão Nobre da Sede da Gávea, foi, surpreendentemente, marcada para o Salão de Festas Infantil do parquinho. Tampouco, houve livro de presenças ou controle sobre a entrada de Conselheiros ou não.
 
Durante pouco mais de uma hora, o presidente da Comissão Permanente de Estatuto, Dr. Melhim Chalhub, mostrou, em projeção na tela, o conteúdo do projeto - até então, desconhecido para a maior parte dos Conselheiros. Ainda que a sessão fosse em caráter não deliberativo, o costume é disponibilizar as matérias apreciadas com razoável antecedência. Depois das explicações do presidente da comissão, começaram as perguntas de conselheiros.
 
O conselheiro e Vice-Presidente do Fla Gávea, Rafael Strauch, pediu a palavra e questionou a razão de a emenda da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRFRN) - assinada pelos presidentes de todos os demais poderes do CRF (Conselho Diretor, Administração, Fiscal, Assembleia Geral e Grandes Beneméritos) - ainda não ter sido votada. Ele reforçou que ela foi protocolada antes do substitutivo. Strauch também pediu que Delair explicasse por que esse conteúdo foi sonegado a todos Conselheiros do Flamengo com exceção dos membros dos projetos que apoiam o substitutivo ("Fênix", "Pedra Rubi" e "Acima de tudo Rubro-Negro"), na noite anterior (09/02).
 
Irritado, Dumbrosck elevou o tom e, dali por diante, o que se viu foi lamentável. Com o o microfone em mãos, o presidente do CoDe explicou porque decidiu propor um substitutivo em vez de levar a plenário os quatro projetos legitimamente protocolados. Disse acreditar que esse projeto continha os elementos da LRFRN e que, portanto, essa emenda seria "desnecessária". Todavia, ele confundiu as datas em que cada um foi protocolado, uma vez que a emenda é anterior ao projeto de substitutivo.
 
O  presidente do CoDe também destacou que considerava ter sido conciliador e aberto ao diálogo nos pouco mais de dois anos no cargo. Defendeu que respeitou as diferentes correntes políticas do clube, revelando que evitou o andamento de Comissões de Inquérito e "segurou" representações contra Conselheiros - demonstrando que esse processo seguiu critérios políticos e não técnicos e imparciais, como requer o cargo.
 
Além disso, Dumbrosck ainda reclamou que não deveria ser confrontado, que não se mete nas decisões de outros colegas, como o presidente do Conselho de Administração, Maurício Gomes de Mattos, ou em contratações de jogadores para o time de futebol - segundo ele equivocadas - promovidas pelo presidente do Clube, Eduardo Bandeira de Mello. Destemperado, demonstrou uma clara confusão sobre a independência dos poderes. Chegou a reclamar que ninguém deveria "se meter no poder dele". 
 
Ele também anunciou que não vai se candidatar a reeleição. Salientou ter sido responsável pela conquista do hexa em 2009 e ter uma história no Clube, motivo pelo qual não deveria ser questionado por jovens conselheiros. 
 
Por fim, divulgou ter conversado com alguns signatários da emenda de Responsabilidade Fiscal (LRFRN), citando nominalmente o Dr. Michel Asseff, atual presidente do Conselho dos Grandes Beneméritos, e Dr. Maurício Gomes de Mattos e que eles teriam, de acordo com seu relato, concordado em retirar a emenda, como forma de apoio ao projeto de substitutivo que ele pretendia impor ao CODe. Nesse momento, Dr. Maurício Gomes de Mattos se levantou e, cordialmente, pediu a palavra. No entanto, foi impedido por um exaltado Delair.
 
Os ânimos se acirraram. Diversos conselheiros tentaram fazer novas perguntas sobre o substitutivo. Como isso não foi possível, foram muitos os protestos pela condução autoritária da reunião. Muitos demonstravam inconformismo com os seguidos desrespeitos aos ritos previstos no Estatuto e no Regimento Interno. Prazos foram desrespeitados, normas foram ignoradas e questões técnicas tiveram andamento político, seguindo a melhor conveniência para o presidente do poder.
 
Foi quando a comédia pastelão ficou completa. Num rompante, Delair Dumbrosck determinou que ninguém mais faria perguntas e que a sessão estava fechada. A insatisfação foi geral e a decisão causou grande incômodo aos Conselheiros, que se mantiveram por um longo tempo conversando do lado de fora do salão, no parquinho infantil.

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